Saturday, December 1st, 2007...12:28

E logo agora?

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Percebo perfeitamente que, digamos, até aos 16 ou 17 ou 18 anos, os adolescentes aflitos (todos os adolescentes) não falem (ou não pensem) noutra coisa senão na sexualidade, matéria que eleva e angustia. Depois disso, com o hábito adquirido, por assim dizer, a necessidade de expressão vocal devia diminuir, até porque se torna necessário concentrar a energia na prática, quanto mais não seja para prevenir situações desagradáveis, e porque o que há para dizer é pouco e pouco interessante. Quanto à “sociedade”, se me é permitida uma opinião, só tem que mostrar respeito e indiferença pelo que os indivíduos fazem. É o que se tem que lhe exigir, com a devida firmeza; tudo o mais, num sentido ou no outro, tende a parecer uma transformação das tais aflições adolescentes em “teoria”. E as pessoas andarem a zangar-se por causa destas matérias, parece-me francamente absurdo.

Está uma bela manhã de chuva. Saiu mais um número da Atlântico, superiormente dirigida pelo Paulo Pinto Mascarenhas. O “D. Carlos” do Rui Ramos já deve estar quase à venda na Bertrand. O subsídio de Natal já cá canta no bolso. Come-se bem em Portugal, que, ainda por cima, é uma democracia. Daqui a vinte e três dias, vamos todos sentar-nos em frente ao bacalhau e gostar muito. E depois, na noite da passagem de ano, e por causa de um monge, Dionísio, o Pequeno – esta é que não sabiam –, entramos em 2008, com promessas de sermos muito melhores do que em 2007. E é logo agora que nos vamos zangar?

[Paulo Tunhas]

4 Comments

  • […] O Paulo Tunhas tem razão quando diz que há coisas mais importantes na vida do que certos fait-dive… Agora, cada um é como é, e eu faço parte do grupo dos que têm alguma dificuldade em assistir serenamente - com a tal indiferença de que o PT fala aqui - ao ruído que se faz em redor de coisas e pessoas que, para mim, são importantes. Admito que haja quem consiga olhar a boçalidade e má educação, assobiar para o ar, e tapar os ouvidos. Porque haverá objectivos e coisas mais importantes. Talvez isso seja sinal de maturidade. Ou de um pragmatismo que eu não consigo vestir, quando faço as coisas de coração e por gosto. Para isso, já me basta a vida e as suas contingências diárias, onde nem sempre posso ser eu próprio. Há coisas que só sei fazer com alegria. […]

  • E a musica aleatória, Paulo ?

  • Como programado, Pedro. Temos de voltar ao Polícia antes do fim do ano.

  • O nome do tal monge é, de acordo com George Duby, Dinis o Pequeno (não, Dennis não se traduz por Dionísio). Pode consultar o magistral «Ano Mil» se quiser confirmar.

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