Sunday, December 2nd, 2007...12:39
Cá e lá
Quando - finalmente - chegou ao poder, o coro de elogios foi geral. Surpreendeu quase todos. Aclamado no congresso do seu partido, até os seus opositores estiveram discretos ou fizeram a sua vénia. Gordon Brown apareceu empolgado, empolgante, vitorioso, consensual, indiscutível. Tinha quase mais 10 pontos percentuais que o seu rival Cameron nas sondagens. Deu uma ou outra entrevista sorridente - e mostrando humor -, o que conquistou ainda mais o público inglês. Pouco depois, e antes ainda da crise dos CD’s que se perderam, contendo informação sobre milhões de cidadãos, Brown começou a descer nas sondagens, à medida que Cameron adaptava - pela enésima vez - o seu discurso, com um tom mais Thatcheriano, deixando de lado algumas eco-ideias disparatadas que tivera. Hoje, e não obstante Gordon Brown ter, no seu discurso, o “British jobs for British works” - impensável como slogan nos Trabalhistas há alguns anos -, Cameron sobe nas sondagens, chegando a ter, numa delas, 13 pontos percentuais de vantagem.
Que dizer de tudo isto? Que a política é volátil? Que os eleitores não se importam com a coerência nas linhas políticas dos seus líderes? Que seguem em rebanho as reviravoltas nas sondagens, como quem castiga e premeia baseado em estados de alma? Que gostam de estar com quem vence? Que as agências de comunicação fazem um belo serviço? Que a emoção e a sua manipulação comprometem a possibilidade de discutir política e a diversidade ideológica, a favor de “personalidades fortes”, independentemente da área política? ue ao pé disto as guinadas (assumindo, o que nem sempre é fácil, que há substrato) do PSD e do CDS-PP são ’peanuts’? O que se tem passado de Inglaterra não chega a fenómeno do Entroncamento, mas dá que pensar.

Comments are closed.