Tuesday, December 4th, 2007...1:46

O homem da boa direita

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Durante a mais recente polémica que animou as hostes atlânticas e que colocou em epilepsia os abutres do costume - que com as suas doutas opiniões encheram sofregamente as caixas dos comentários, naquilo a que popular e comummente se designa de “lançar gasolina para apagar o fogo” – achei imensa piada ao facto do Carlos Abreu Amorim não ter resistido – é fraca a carne – a dar mais uma vez a sua opinião sobre a Direita e a revista Atlântico, sob a égide de um velho numero circense que em tempos ele patenteou e que se designa “eu-é-que-sei-qual-é-a-boa-direita-porque-eu-tudo-vejo-e-tudo-prescruto -e-quem-manda-dizer-quem-é-quem-na-boa-direita-sou-eu-porque-eu-é -que-sou-o-presidente-da-junta-da-boa-direita-que-para-quem-não-sabe -é-a-direita-liberal-mas-não-qualquer-direita-liberal-apenas-a-minha-que -é-aquela-que-eu-indicar”. É mais ou menos o mesmo que ter o Paulinho Santos ou o Materezzi a dar uma lição de moral sobre fair play.

PS: Também gostei muito do numero de virgem ofendida do Daniel Oliveira, como se ele próprio tivesse sido todo este tempo - no Blogue de Esquerda, no Barnabé, no Aspirina B e no Arrastão - um anjinho do qual nunca saiu o mais leve impropério, a mais inconsciente calúnia, o mais ingénuo dos erros, estando sempre do lado certo.

12 Comments

  • Afinal há esperança …

  • Há que manter a chama acesa…

  • Vai-me desculpar, mas fui e sou leitor do DO em todos esses blogues e nunca lhe vi “impropérios” ou “calunias” (erros é outra conversa), a menos que julgue assim as célebres “O João Pereira Coutinho é de Extrema-Direita” e “Tenho uma mosca na sopa”.

    E mesmo que o faça, em nada é comparável aos insultos com que o André Azevedo Alves constantemente o brinda (mentiroso e aldrabão são só os que me lembra assim de repente). E nunca, mas nunca, o DO cai nessa esparrela (contra mim falo, porque tenho muito maior dificuldade em manter a calma).

  • Ou o Bynia ou o Petit… ai que Zézinho!

  • «… achei imensa piada ao facto do Carlos Abreu Amorim não ter resistido – é fraca a carne – a dar mais uma vez a sua opinião sobre a Direita e a revista Atlântico…»

    Esclarecimento:

    1. Não dei opinião sobre a revista nem sobre o blogue;

    2. Limitei-me a fazer uma apreciação, em abstracto, acerca de alguns equívocos da direita liberal portuguesa como, ainda hoje, fez o João Miranda - embora, evidentemente, sem o seu brilho e capacidade de concisão (3 linhas);

    3. Mas vou dar agora: a revista Atlântico é o melhor esforço que se fez nas últimas décadas para dar consistência intelectual à direita portuguesa. E o blogue, um dos melhores;

    4. Quanto ao facto de não ter “resistido” - é falso, como já disse; mas é verdade que me custou muito. Como dizia um certo abade (claro!) de um romance do Júlio Dinis:”a carne é fraca e eu tenho muita”…

  • Se não gosta de abutres porque é que não encerra os comentários? Ou não se encerra na sua casinha a escrever para si mesmo? Deste modo quem não o conhece de lado nenhum nem por coisa nenhuma continuará a desconhecê-lo por coisa nenhuma e de lado nenhum.

  • Caro Carlos do Carmo Carapinha,

    Leia o meu texto. Não me fiz de virgem, apesar de ser bem mais betinho na adjectivação que AAA e não ser meu costume referir-me ao carácter das pessoas com quem debato. Não me faço é de sonso.

    O que me irrita, como vitima frequente dos insultos de AAA (sem lhe dar troco), é ver uma das pessoas mais mal-educadas da blogosfera transformada em exemplo de civilidade.

    Bem sei que sou da “canalha” (palavras suas para se referir às pessoas de quem discorda) e não devo ter opinião sobre o que aqui se passa. Mas se fazem este linchamento em público é porque querem que seja em público. Não faz muito sentido o seu incómodo. Ou só queriam assistência para aplaudir?

    De resto, para mim não há boa direita. Mas há gente civilizada e pouco civilizada, seja de direita ou de esquerda. E há pessoas a quem poderia apresentar amigos meus - homossexuais, por exemplo - sem ter receio que as insultassem. Apenas isso. É mesmo uma questão humana.

  • «em ter receio que os insultassem.»

  • Caro Daniel Oliveira,

    Começo por um reparo: nunca chamei de «canalha» a pessoas de que discordo. Posso chamar de «canalha» uma opinião, um gesto ou uma atitude que me parecem «canalhas» mas, por si só, a discordância ou a diferença de opiniões não me levam a apelidar de canalha o meu semelhante. Acho INJUSTO e OFENSIVO insinuares isso (desculpa o tratamento por tu, mas tu já és cá de casa há muito). Aliás, muito raramente coloquei o epíteto de «canalha» a alguém em concreto. Se eventualmente o empreguei foi por achar que essa pessoa o merecia (há por aí alguns, poucos felizmente, que eu considero «canalhas» mas tu, peço desculpa, não fazes parte do grupo). Se fizeres uma pesquisa no meu blogue, depressa verificarás que o empreguei, em concreto, aos militares americanos que torturaram prisioneiros de guerra em Abu Ghraib. De resto, costumo colocar o termo «canalha» ao serviço da ironia e do sarcasmo. Exemplo disso mesmo foi a forma como o empreguei no meu mais recente post sobre o resultado do referendo na Venezuela. Mas estou certo de que dentro de momentos, o teu faro inquisidor vai encontrar o deslize fatal que me incriminará.

    Sobre o suposto «linchamento», achei todo o exercício lamentável. Tive oportunidade de o dizer, em privado, a quem de direito. De resto, recusei-me a tomar partido por A ou por B ou a opinar sobre uma polémica que me pareceu, e parece, árida e inconsequente. A revista Atlântico não a merecia MESMO. Na minha opinião, aliás, acho que a picardia entre o AAA e o TM já tem lastro. Ao contrário de ti, não tive paciência nem tempo para dissecar quem escreveu o quê, quando e onde.

    Se me permites, algumas palavras sobre a blogosfera. Acho que na blogosfera há uma latitude linguística distinta. A blogosfera caracteriza-se, também, por haver um certo facilitismo no emprego e no uso de uma linguagem exagerada e inusitada - repleta de adjectivações - que pode, na maioria dos casos, baralhar o nosso julgamento sobre quem está por detrás do texto e turvar a percepção do que se nos afigura ser uma coisa quando, na realidade, pode ser outra meio-parecida ou meio-distante.

    Finalmente, acho que ao longo destes anos de blogosfera todos nós já tivemos a nossa quota parte de tiradas infelizes, observações exageradas, ofensas mais ou menos deliberadas e, de quando em vez, impropérios delico-doces ou brutalmente amargos. Acho que ninguém - nem tu - tem lições de moral a dar. Quem nunca o fez que atire a primeira pedra. Tu és daqueles, tal como eu, que não pode sequer pensar em agarrar a mínima das pedras (já são muitos anos disto e ninguém é perfeito). E agora, repara: não estou a defender o AAA nem o TM. Dá para perceber que o mundo, ou pelo menos a forma como eu o observo, não é constituído por prateleirinhas e capelinhas estanques?

  • “”os abutres do costume - que com as suas doutas opiniões encheram sofregamente as caixas dos comentários, naquilo a que popular e comummente se designa de “lançar gasolina para apagar o fogo””

    Haja pachorra. Se calhar, antes de ler as caixas de comentários, deveria ler o próprio blogue. Tente fazer isso. Eventualmente, conseguirá concluir que os “abutres” foram, mais que ninguém, os seus próprios colegas de blog.

  • O Daniel !. vc nao termina por entender o que quer dizer o Carlos do Carmo Carapinha.

    A blogosfera é um invento tao sutil e tao moderno que chamar canalha a gente, é-mais-nao-é chamarlhe canalha. Nao é como escriver num jornal. Vc faz um clique e deixou de existir a palavra.

    Ai, os da prensa escrita, nao entendem nada. Porque nao se modernizam?

  • […] faz generalizações deste calibre e enfia toda a gente no mesmo saco. Nem será a última. Há uns posts atrás, disse que eu me referia às pessoas de que discordo como «canalhas». A acusação seria cómica […]

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