Wednesday, December 5th, 2007...19:20

Flat, diz ele

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O título tem a sua quota-parte de demagogia e de «espectacularidade»: ”Mar volta a estar flat no Atlântico”. A conclusão é de Daniel Oliveira e baseia-se em dois factos: o Tiago Mendes saiu do blogue da Atlântico e o André Azevedo Alves (a nova bête noir da esquerda chic e da direita dita «esclarecida») fará parte do Conselho Executivo da revista.

Em primeiro lugar, o erro: o AAA já fazia parte do Conselho Editorial da revista.

Em segundo lugar, o Daniel acha que o Tiago Mendes era o agitador das águas, a consciência liberal do blogue, o representante da direita livre e desempedernida com quem a esquerda igualmente livre e liberal podia debater de forma construtiva e estimulante, o garante, para os que aqui se passeavam, de não esbarrarem invariavelmente com opiniões «fascizóides», antiquadas e preconceituosas, saídas de seres maniqueístas cujo pendor hiper-religioso os empurra para a caverna de todos os obscurantismos. Um herói, portanto. E agora, pelo vistos, um mártir.

Longe de mim fazer a apologia do André Azevedo Alves ou a condenação do Tiago Mendes. Nem o André Azevedo Alves é o Diabo e o reaccionário que agora o pretendem pintar, nem o Tiago Mendes é o senhor da suprema benignidade e da etérea tolerância. Dito de outra forma, ninguém é perfeito. No final, os actos ficam com quem os pratica e as opiniões são de quem as profere. A revista Atlântico não tem uma voz uníssona nem um corpo homogéneo de articulistas manga-de-alpaca, dirigidos por um comité e ao serviço de uma ideologia. A liberdade aqui é total. Os limites são ditados pelo bom senso – conceito difuso e subjectivo – e pela educação - bem mais objectiva. Por aqui nunca encontrarão patrulhamentos censórios ou directrizes da cúpula.

É por isso que a «boca» do Daniel Oliveira é injusta e tortuosa. Basta carregar no link “Os Atlânticos”, no topo do blogue, para perceber que este não é um blogue aparelhista, amorfo, dirigido por um bando de meninos acéfalos cuja moleza insípida os entrega ao pensamento único.

Não é a primeira vez que o Daniel Oliveira faz generalizações deste calibre e enfia toda a gente no mesmo saco. Nem será a última. Há uns posts atrás, disse que eu me referia às pessoas de que discordo como «canalhas». A acusação seria cómica não fosse injusta e ofensiva. Nunca o fiz. Lembro-me de apelidar os militares que torturaram presos de guerra em Abu Ghraib de «canalhas». Não me recordo – mas estou certo de que o faro inquisidor do Daniel tratará de me contradizer e de me encomendar ao Inferno – de outros casos concretos. No dia em que julgasse as pessoas de que discordo como «canalhas» fechava o boteco e entregava-me às autoridades.

Há canalhas? Há canalhas. Felizmente, conheço poucos. Em relação a estes, não tenho grandes problemas em carimbar-lhes o epíteto. Lamento desapontar o Daniel, mas nunca o considerei um canalha. De resto, raramente utilizo o termo. Costumo colocá-lo ao serviço da (auto) ironia e do sarcasmo. Não perceber a diferença é estúpido. E o Daniel Oliveira não é estúpido. Nem parvo. É distraído, malandreco, propenso a deturpações e a imprecisões. Como todos nós, aliás. Uns mais que outros, é verdade. Pena é que ele não se retrate mais amiúde e não reconheça, também, os seus preconceitos e a falência da sua suposta superioridade moral.

O Atântlico está flat? Paciência Daniel.

23 Comments

  • Sou de esquerda, aderente do BE e gosto de ler e comentar neste blogue. Será que tenho algum problema?

  • Mas afinal, vocês têm um “conselho executivo”, um “conselho editorial” ou as duas coisas?

  • ainda vou apanhar uma gripe… este relativismo ético..
    “Nem o André Azevedo Alves é o Diabo e o reaccionário que agora o pretendem pintar, nem o Tiago Mendes é o senhor da suprema benignidade e da etérea tolerância. Dito de outra forma, ninguém é perfeito.”

  • «Em segundo lugar, o Daniel acha que o Tiago Mendes era o agitador das águas, a consciência liberal do blogue, o representante da direita livre e desempedernida com quem a esquerda igualmente livre e liberal podia debater de forma construtiva e estimulante, o garante, para os que aqui se passeavam, de não esbarrarem invariavelmente com opiniões «fascizóides», antiquadas e preconceituosas, saídas de seres maniqueístas cujo pendor hiper-religioso os empurra para a caverna de todos os obscurantismos.»

    Um bom resumo. Um pouco exagerado, claro, até porque ficam aqui pessoas que eu aprecio muito e até muitos amigos com os quais não concordo muitíssimas vezes mas que gosto de ler. Mas assim em pinceladas rudes…

    Agora a sério: quando aos “canalhas”, fui reler o post em causa e ficam as minhas desculpas. Li mal e rápido, ficou-me na memória, e estando apenas a fazer um comentário não tive o cuidado de ir reler. Por acaso não é verdade que não me retrate quando sou injusto. Mas adiante, que vocês é que estão a viver a ressaca.

    Por fim, limitei-me a dar uma opinião política. Já vivi um momento semelhante num blogue meu e sei que isto são só blogues, nada de grave, mas elas moem. Nada de pessoal, portanto.

  • Extraordinario. Questoes de quem e e quem nao e canalha sao tratadas “rapido” e “mal,” sem “cuidado,” por admissao do proprio.

  • weibe, deve estar também a ser um pouco rápido. eu não chamei canalha a ninguém. Percebeu, não percebeu?

  • Disse que as pessoas de quem o autor do texto discorda sao, para esse autor, canalhas. Uma questao de quem e quem nao e canalha, tal como eu escrevi.

  • E disse agora que li mal. E pedi desculpa por isso. Coisa que o senhor, por assinar com um nome anónimo, nunca terá de fazer. Desvantagem minha, vantagem sua.

  • Confesso: ando por aqui há poucos dias e apanhei a coisa mesmo em cheio e estou espantado; isto nunca mais acaba??

    E depois as culpas e desculpas, carrascos e vítimas. As cenas de “tenho amigos com quem não concordo mas que gosto de ler” e “isto não é pessoal” e coisas que tais.

    Apre! Parecem meninos.

    E depois dá-se com esta do Daniel Oliveira que leu mal e depressa.

    Ah! Às vezes lê-se mal e depressa mas avança-se como se se tivesse lido bem e devagar.

    Está quase tudo explicado: o que por aqui se lê não é para levar muito a sério pois não? É assim uma coisa mais do domínio do lúdico; algo que se faz quando não se tem nada de mais interessante para fazer.

  • «Está quase tudo explicado: o que por aqui se lê não é para levar muito a sério pois não? É assim uma coisa mais do domínio do lúdico; algo que se faz quando não se tem nada de mais interessante para fazer.»

    Isso mesmo, David Fernandes! Também já percebeu!

  • “Lembro-me de apelidar os militares que torturaram presos de guerra em Abu Ghraib de «canalhas»

    Com essa você subiu uns pontos na minha consideração… Mas olhe que os que decidiram invadir e arrasar unilateralmente o Iraque e assassinar mais de um milhão dos seus habitantes são muito mais que canalhas. São criminosos de guerra a pendurar, haut et court…

  • o que sempre me espanta no Carlos Carapinha - já me espantava nas crónicas do Público - é esta propensão para a verdade, esta rectidão nas opiniões , esta ombriedade inatacável…
    experimentem entra com “canalha” na caixinha que diz pesquisa, lá em cima, e vão ver quantos carapinhas vos saltam. A tecnologia tem destas coisas: até a mais inatacável superioridade moral vacila perante ela.

  • Nuno Castro, estão dois ou três, mas “a” canalha é diferente “do” canalha. Ou seja, Carlos do Carmo Carapinha não chama canalha a ninguém. Não confunda, se fizer o favor.

    Tem razão na sua dúvida, Miguel Madeira, porque houve diversas confusões por aí. Tivemos um Conselho Executivo, que deixou de existir e foi substituído por uma Direcção do Projecto Editorial, constituída por Rui Ramos, João Marques de Almeida e eu próprio. A ideia é ter uma equipa mais operacional, directamente envolvida na produção editorial da Revista. Tínhamos e temos um Conselho Editorial, onde o AAA estava e continua a estar - não está nem nunca esteve no Conselho Executivo.

    David Fernandes, tem muito para ler sem ser sobre este assunto. Se fizer um pequeno esforço e pesquisar no tal motor de busca encontrará teses profundas sobre quase tudo. Encontrará certamente debate e discussões acesas - e muita leveza também. Um blogue é um blogue, não é uma revista.

    Cumprimentos e já agora parabéns ao Miguel Madeira por dois anos de Vento Sueste.

  • Não duvido caro Paulo, não duvido.

    O “aqui” em “o que por aqui se lê” não se refere especificamente a este blogue. Pretendia referir-me à zona de comentários e em especial aos comentários ao “post da discórdia” e sucedâneos.

  • Canalhas !!!!!!!!!

    “Cuba: 15 opositores detidos dentro de uma igreja

    Quinze pessoas que protestavam contra o Governo foram detidas terça-feira numa igreja na cidade de Santiago de Cuba, durante um «acto de repressão política» sem precedentes, através da «profanação» do templo, denunciou hoje uma comissão dissidente de direitos humanos. (…)”

    http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=10&id_news=308002

  • “parabéns ao Miguel Madeira por dois anos de Vento Sueste.”

    obrigado

  • O que me espanta é que continuem a publicitar e a promover o sr.Oliveira,conhecido provocador da extrema-esquerda,que vai aproveitando a trela que aqui lhe dão(impossível no seu blogue e na sua área ideológica,onde a censura impera)para,espertalhufamente,criar a cizânia no seio daquilo que,para ele,é o “inimigo”.Depois,com o sr.Oliveira não se aprende nada.Pavãozinho cacarejante e ignaro,discreteando sobre qualquer matéria com idêntico descaramento e ignorância,o sr.Oliveira distingue-se,todavia,por um dom que nunca é por demais realçar:escreve mais depressa do que pensa.

  • Se é que pensa…

  • Mas o que é isto?? O Daniel esforça-se tanto para ser um canalha. Lamento, mas assim será impossível instituir uma meritocracia.

  • joKinG

  • maria joão nunes
    December 6th, 2007 at 9:48

    Acho quer perdem muito tempo a promover o Dnaiel Oliveira

  • Maria João

    Talvez não tenha percebido, mas o Daniel já é uma figura mediática muito famosa há muito tempo. Não precisa de ser promovido, é esta a minha impressão.

  • Carlos Carvalho
    December 6th, 2007 at 23:19

    Por causa do senhor Daniel Oliveira deixei de acompanhar as emissões do Eixo do Mal… Para cassete prefiro umas velhinhas, lá no sótão…

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