Thursday, December 6th, 2007...6:37

(um aparte)

Jump to Comments

Eu aqui sou apenas o “palhaço de serviço”, contribuo com as minhas piadolas que foi para o que me convidaram. Mas não deixo de ler, obviamente, os digníssimos colaboradores deste blog e revista onde tenho também o prazer e honra de colaborar. Por tentações que tenha havido, nunca aqui publiquei um texto sério, mas deixou-me triste ver a “nossa” Atlântico ser motivo de tanto e tão negativo protagonismo nestes últimos dias.

Pessoalmente conheço apenas o Paulo e por isso, e por uma questão de isenção e não querer deitar achas para uma fogueira que, me parece, está demasiado grande para o combustível de que é composta, não faço juízos nem pronuncio opiniões.

Mas não posso deixar de, em nome pessoal, enquanto João Moreira de Sá e não enquanto “Arcebispo de Cantuária”, deixar três frases:

- Fui convidado para escrever no blog e revista Atlântico sem que alguma vez me tivessem sido impostas regras ou limitada qualquer liberdade opinativa ou de expressão.

- Quando o Paulo me convidou para colaborar, não nos conhecíamos, eu até poderia ser do BE. Ele nada me perguntou.

- O Paulo foi a primeira pessoa que me deu uma oportunidade de levar a minha escrita humorística para além das humildes fronteiras do meu blog.

E termino contando uma pequena “estória”:

A primeira vez que nos encontrámos (na Rádio Europa Lisboa, estavam João Pereira Coutinho e Carla Hilário Quevedo como testemunhas), talvez derivado ao meu “anarquismo mental”, o Paulo perguntou-me com toda a naturalidade, “tu és de esquerda, não és?”, da mesma forma como podia ter perguntado “Benfica ou Sporting?”. Feliz ou infelizmente eu não tenho capacidade para saber ser de Esquerda ou de Direita, sou apenas humano, mas enquanto tal gostava de hoje deixar aqui escrito que o Paulo Pinto Mascarenhas é um ser humano dos bons, dos do bem.

Interpretem este texto como quiserem, menos de uma forma – não é contra ninguém. É apenas a minha forma de dizer, em nome pessoal, bem hajas Paulo, pela tua luta pessoal, pela nossa revista, pelo nosso blog e pelas oportunidades que me deste sem nada pedir em troca.

21 Comments

  • Monsenhor D'Annunzio
    December 6th, 2007 at 8:18

    Há que bater com a mão no peito e confessar - estou comovido com esta história. Uma coisa de jactância, ufana, briosamente apelando ao entendimento entre os homens, tão significativa da quadra do advento.

  • Adelino, prior de Padornelos
    December 6th, 2007 at 8:36

    Este nosso reverendo Arcebispo vai longe… até Roma, um dia, quem sabe?
    Deus o proteja.

  • João Moreira de Sá, como tu próprio dizes, convidaram-te foi para fazeres piadolas. Pelo sim, pelo não, não sabendo se eras de esquerda ou de direita, acharam melhor que não te estendesses muito em elucubrações teóricas. Não é para opinar que estás aqui, portanto. Mas és de facto engraçado e cumpres a função. Essa de pensares que não são aqui impostas regras sobre liberdade de expressão é boa, é. Porque tu, naturalmente, na verdade sabes que este é um blog de direita, não sabes?… heim, não sabes?…

  • Não, caramelo, o blogue não é de direita. Há quem seja, como eu, mas também aqui escreve quem não seja e quem nem sequer se reveja nessa dicotomia.

    O João Moreira de Sá não foi convidado para dizer piadas, como você escreve com ignorância. Foi convidado para escrever, o que é muito diferente. Abraço, João.

  • João, Arcebispo ou whatever… As suas piadas são bastante melhores do que os seus textos sérios. Mas não se desmotive porque há de chegar o dia em que será reconhecido não apenas pelas suas piadas.
    E talvez esse dia tenha chegado hoje, porque as suas palavras podem ter unido muita gente dentro desta “guerra”

  • “Há quem seja, como eu, mas também aqui escreve quem não seja e quem nem sequer se reveja nessa dicotomia. ”

    Que haja quem não se revê nessa dicotomia parece natural, na medida em que havendo aqui algum liberal no sentido em que o Tiago Mendes é (ou seja, em tudo e não apenas na economia), a divisão esquerda/direita nos termos tradicionais (esquerda individualista nos costumes e estatista na economia vs direita colectivista nos costumes e individualista na economia) cai por terra.

    O que me intriga é que possa haver quem aqui seja de esquerda. E pior ainda que, havendo gente dessa laia, esteja calada.

  • Com essa do “derivado ao” já entendemos a razão de se ater às graças. E fique com a do Senhor.

  • Este blogue é muito plural. Na extrema esquerda temos o Paulo Tunhas , na extrema direita o PPM e a ponta de lança o Carapinha.

  • Paulo Pinto Mascarenhas
    December 6th, 2007 at 13:15

    Igor Caldeira, leia mais o Pedro Marques Lopes, por exemplo. Um liberal em tudo, eu diria mesmo um libertário - que respeita quem não o é. Quem é liberal mesmo tem de respeitar as opiniões dos outros, parece-me.

    Soul, get a life - que esta sua obsessão já parece inveja. Pouca audiência lá no seu estaminé, I presume.

  • “Quem é liberal mesmo tem de respeitar as opiniões dos outros, parece-me.”

    É curioso que diga isso. Assim de repente, vêm-me à cabeça uma enxurrada de “liberais” que ficariam excluídos à partida. E nem é preciso irmos para o Pedro Arroja, que está mais no seu planeta que cá pela Terra.

    Não vou estar a repisar o tema, mas em todo o caso parece-me que seria interessante discutir algo que não vi ninguém responder ao Tiago Mendes: deveremos tolerar, por hipótese, o racismo? Será isso “liberal”? Mas então o que é ser “liberal”? É defender qualquer coisa? Tanto faz?
    Ou será que um “liberal” se pode (aliás, deve) indignar quando os impostos sobem, mas pode (ou seja, tanto faz) ficar calado quando alguém profere afirmações racistas? Mais ainda, será compatível com o “liberalismo” ser racista, machista, homofóbico ou ter qualquer outro ódio discrimatório? Não vi isto ser respondido.

    De facto, é curioso que entre as pessoas que mais depressa reagem ao fundamentalismo islâmico são depois as que subscrevem ou aceitam opiniões do tipo das que foram recentemente atacadas.

    Curioso, ou nem tanto. Adiante.

    Quanto ao Pedro Marques Lopes, assim farei. Confesso que estou de pé atrás, porque já conheço “libertários” suficientes, e nenhum era particularmente libertário, excepto num certo folclore anti-estatista e não propriamente num individualismo em sentido próprio. Espero esta ser uma excepção.

  • PPM, quem disse que foi convidado para dizer piadolas foi o João, não eu. Pronto, ele ter-se-á expressado mal e eu, sendo um lacrau venenoso aproveitei. Era só uma piada, no problemo.
    Agora… quanto às amplas liberdades de opinião que o blog permitiria, PPM, hhmmm… não me vai dizer que vai aparecer aqui malta de esquerda, sem ser no especial estatuto de convidado, vai?… O Atlântico tem, muito naturalmente, um estatuto editorial que não se resume a essa espécie de água choca do “escreve para aí, desde que seja de cólidade”, parece-me a mim, que não sou ceguinho de todo. O que aqui há, e não se acanhe com isso, que não há mal nenhum é, maioritariamente malta de direita e alguns compagnons de route liberais, whatever that is, que eu já acho muito confusa a taxinomia das espécies liberais.
    Mas porque diabo é tanta ânsia de demonstrar que aqui qualquer um pode escrever o que quer?

  • […] Igor Caldeira […]

  • Eu sei que não devia responder, mas com a mesma honestidade com que escrevi o texto, deixo testemunho da minha pena pela vossa tacanhez humana.

    Não posso contudo deixar de agradecer o recorde de 12 comentários a um só “post” (é melhor por entre aspas porque a palavra não é portuguesa… ai, ai!)

    Caros:

    Monsenhor D’Annunzio, há quem não tenha vergonha de falar com a alma e há quem não tenha humanidade suficiente para percebê-lo. Isso para mim diferencia mais os homens do que esquerdas ou direitas.

    Adelino, prior de Padornelos, um Arcebispo de Cantuária protegido por Roma seria paradoxal.

    Caramelo, eu já escrevia humor e foi esse humor, mau ou bom, que motivou o convite, mas nunca me foi dito “atem-te às piadas”.

    PR, sábia e rápida conclusão para quem leu apenas um único e improvisado texto meu. Espero um dia surpreende-lo.

    Nuno Almeida, parece-me que embora a expressão possa não ser absolutamente correcta do ponto de vista gramatical, é de uso comum em português coloquial. Pessoalmente faz-me muito mais confusão a mesquinhez do seu comentário.

    Percam tempo com quem o mereça e vos dê troco, não comigo, por favor.

  • Porque não ficas calado, “palhaço”?

  • Por causa de pessoas como você, Isabel?

  • Sinceramente Isabel, eu ao escrever aquele texto longe estava de imaginar isto. Jamais o teria escrito.
    Mas não lhe parece o seu comentário um pouco exagerado a roçar uma desnecessária má educação?

  • Caro Arcebispo,

    As minhas desculpas. O meu comentário foi de uma má educação indesculpável. Gosto muito de ler as suas anedotas.

    Foi apenas uma ridícula tentativa de ter “piada” (juntar o porque não te callas do rei com o drama do momento).

    Sou uma bruta, realmente.

    As minhas desculpas,

    Isabel

  • “Jamais o teria escrito.”

    Um Arcebispo não pode ser intimidado.

  • Eu também sou uma comediante. Não sei se és ou se fazes isto apenas por divertimento.

  • Já percebi, sô eminência, fónix! Vocelência, deixe-me que lhe diga, é muita chato quando fala a sério. Vou-lhe explicar a minha piada: … ah, quesalixe

  • Isabel, Caramelo, as minhas desculpas.

Leave a Reply

eXTReMe Tracker