Wednesday, December 12th, 2007...13:54

O circo do referendo (II)

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Antes de assinar qualquer petição a favor do referendo, convém ler todas as letras, sobretudo as mais pequeninas. Foi o que fiz em relação a uma petição que por aí anda nos blogues com o título “Constituição Europeia? Oiçam as pessoas!“. Para além de um título enganoso, porque não estamos perante uma verdadeira constituição, o esclarecimento em português é simplesmente inexistente. Sigam os meus passos e cliquem no mapa de Portugal, procurando saber as razões desta petição. Leiam agora “O apelo para um referendo“. Leram? Sim, eu sei, por baixo do título não existe qualquer texto para explicar as possíveis razões do “apelo”. Mas o circo já começou e, se quiser,  até já pode assinar.  Um cheque em branco.

8 Comments

  • Caro Paulo,

    O “circo” ou o “folclore” são, de certo modo, inevitáveis. É mais uma razão para que a necessidade do referendo seja bem explicada e também para reunir em torno do referendo partidários do “sim” e do “não”. Fazer do referendo um instrumento dos partidários do “não” ao tratado agravará sempre a tendência para o “circo”.

    Cumprimentos

  • As pessoas podem ter razões diferentes para querer um referendo e baterem-se por ele. No fim, a exigência é a mesma. cada um argumentará como quiserem. O apelo é simples e não precisa de mais linhas: ou há referendo ou não há referendo.

  • Estou rendido às virtudes da democracia representativa. (Se não acreditam nestas virtudes, ouçam os foruns da TSF…)
    Esta minha rendição é tardia -nem vos digo por onde andei! - e reconciliou-me com o Jorges Luis Borges que sempre disse que isto de democracia era uma superstição baseada na estatística, e de alguma forma com o Robert Heilein da FC que achava que uma soma de zeros daria sempre zero como resultado.
    Viva a democracia representativa, abaixo os referendos! (mesmo quando os nossos representantes não são de grande qualidade…)

  • Paulo,

    Na minha opinião, este circo não passa de uma palhaçada (passe o pleonasmo). Os signatários dessa petição não indicam motivos porque se calhar nem eles sabem porque é que alguém deve assinar uma petição daquele género.
    Aquilo que querem é uma festa de eleições não um debate ideológico.

  • Acho que há aqui algum “equívoco”.
    O texto a que se refere existe, em Inglês, em Francês e em Alemão, pelo menos. Desculpar-me-ão por não ter tempo nem pachorra para conferir todas as outras Línguas, no mesmo particular. De facto, não estão lá as versões em Português e em Castelhano, se calhar como outras.
    Mas terá sido certamente por não ter havido tempo para arranjar tradutores (ou carcanhol para lhes pagar) que (ainda, presumo) não existem todas as versões.
    “Cheque em branco”? Não me parece. Passar em branco, talvez.

  • Paulo Pinto Mascarenhas
    December 12th, 2007 at 18:32

    JPG, não entrou à primeira, porque o Word Press confunde linques com spam. Eu sei que nas versões em inglês ou noutras línguas existe uma breve explicação, dado por eurodeputados verdes, entre outros. Mas o que se trata aqui é de esclarecer, não é? Em português, talvez fosse mais indicado para os portugueses que se convidam a assinar, não?

  • Vendo melhor (apenas tinha lido a versão em Inglês, antes de assinar), os textos não estão por Língua, mas por país; e no texto de cada país, quem escreve são os respectivos deputados europeus. Não há traduções.
    Portanto, não existe versão portuguesa (ou espanhola) porque, das duas uma: ou os deputados dos países ibéricos não estão de acordo com o referendo, ou - o que me parece muito mais provável - estarão demasiadamente ocupados a jogar seu golf ou seu game-boy.

  • O apelo é simplesmente a pedir a realização do referendo. Precisas de mais? Quanto ao facto de ser constituição ou tratado, bem sabes que o tratado corresponde a 95% da “extinta” constituição, sendo a actual nomenclatura a forma encontrada para não submeter a referendo o texto acordado pelos 27.
    Abraço

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