Thursday, December 13th, 2007...16:16

O Khomeiny e o Pat não estão sózinhos

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Num dos últimos folhetos promocionais da igreja católica com o título Spe Salvi (o departamento de marketing da Sonae devia pensar nisto dos títulos, isto do folheto do Continente ter sempre o mesmo título é capaz de não ser boa ideia e esta rapaziada da igreja já anda nisto há muito tempo) o CEO Bento XVI insiste na velha questão Karamazoviana de num mundo sem deus tudo ser permitido.

Confesso que quando leio estes disparates fico sempre com a sensação de que esta gente escreve para ela própria, ou seja, não fosse deus e eles seriam ainda piores do que aquilo que são.

Gostei especialmente da parte sobre a Revolução Francesa - esse marco da vitória do mal – e das reflexões sobre a liberdade e progresso.

O Pat Robertson ainda vai parecer um moderado ao lado deste senhor.

10 Comments

  • Ó Pedro,

    Escrevo sobre disparates - os teus - depois do nosso almoço. Antes, fico calado.

    Abraço,

    Paulo Tunhas

  • Espero que a sobremesa seja uma tarte de chazinho verde.:)

    Gostei deste post. Gostei mesmo!

  • Ou a velha questao Nietzschiana, que gostou da frase. Nao consta que Nietzsche fosse um fanatico religioso e a questao adquiriu pedigree filosofico. Tambem temos de ler o Henrique Raposo sobre o seu baptismo, como se alguem se interessasse pela sua vida privada. Hoje em dia ser ateu significa sobretudo que se pode ser livremente chato em circulos sociais. Onde estao as piadas? Esta do Continente? Mas pedir a um chato que tenha piada e injusto, claro.

  • Chiça, um post em que a profundidade hermenêutica é directamente proporcional ao domínio da ortografia e da sintaxe. Enfim, acontece.

  • Pedro Marques Lopes
    December 13th, 2007 at 17:03

    Desculpe lá Weibe, ainda não comprei o livro dos malucos do riso. Depois do natal isto melhora

  • Felizmente que temos um Pedro Marques Lopes para nos apontar O caminho. Afinal sempre temos salvação!

  • ” folhetos promocionais da igreja católica”

    enfim, o que se ha-de fazer quando o respeito não mora por estes lados…

  • 1. Isto é para quem tem dúvidas que o que esses senhores queriam era monarquia absoluta, religião de Estado e ausência de liberdade religiosa.

    2. Já cá faltava o comentário do respeito. É uma acção promocional como outra qualquer. E legítima. Claro que se fosse de uma associação qualquer já não era falta de respeito…

  • Ó PML, sei que o assunto é complexo mas até eu, um incréu incorrigível, noto que as sociedades que baniram deus produziram os maiores morticínios da espécie.

    Sim, em nome de Deus tb se mata que se farta mas parece que nenhuma sociedade logrou banir a ideia de deus.
    E entre um deus simpáticozinho, de túnica e com ligação directa ao utente, e os deuses profanos criados expressamente pelos regimes ditos “sem deus”, parece que o 1º ganha aos pontos.
    Que diabo, na Coreia do Norte, o deus zuche é um tipo ridículo e mauzinho, empoleirado em saltos altos e que larga esquichos missilísticos quando está irritado.
    Em Moscovo ajoelhava-se e rezava-se perante os santinhos da causa.
    Che Guevara tem um altar enorme em Cuba.

    Você, eu, o Harris, e mais alguns, parece que não precisamos de Deus ( a mim basta-me um bom tinto para satisfazer a sede de divino), mas aí fora, a maiorias das pessoas necessita dele.

    Que é que o PML lhes dá ?
    A História? A Razão?

    Qual? A sua?
    E porque não um deus simpático e consolador?

    Acha mesmo que o facto de todos os grupos humanos terem desenvolvido visões religiosas , é apenas uma coincidência?
    Mas não está a ver que o sapiens precisa de acreditar em algo?
    Não entende que é o único animal que tem a consciência da morte e da sua finitude?

  • Sinceramente, não percebo porque é que qualifica de disparates aquilo que se diz na encíclica. A condenação da Revolução Francesa não é uma novidade introduzida pelo Papa. Não sei quais serão as suas referências ao nível da teoria política, mas presumo que, quanto mais não seja por escrever neste espaço, Burke seja uma delas, e provavelmente foi ele o primeiro pensador a condenar a Revolução de 1789.
    Para além disso, na minha opinião é preciso saber pensar no domínio da linguagem abstracta da filosofia política e da teologia. Só assim se pode compreender a reflexão sobre a modernidade e os seus instrumentos conceptuais como a razão científica, a técnica ou o progresso.
    reduzir reflexões filosóficas desta amplitude, independentemente de se concordar ou não com elas, à linguagem e à praxis do conflito político é um exercício superficial de caricatura e não contribui em nada para a discussão.

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