Monday, December 17th, 2007...10:44

Cara ou coroa

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A semana passada, o Economist explicava como a produção mundial de milho é insuficiente para as actuais necessidades. Aparentemente, temos uma escolha difícil pela frente: ou produzimos etanol, ou damos de comer a quem tem fome. Ou seja: ou salvamos o planeta, pelo uso de combustíveis verdes, ou negamos o cereal a quem, pela maldita globalização, finalmente tem dinheiro para o comprar. A moda ocidental do aquecimento global começa a afectar o Terceiro Mundo, e da pior maneira. No extremo, obriga a escolher entre o bem de todos e o sacrifício de alguns. Dir-me-ão os advogados da causa ambiental que quem sofrerá mais com o aquecimento global serão os países do Sul, em visões verdadeiramente apocalípticas. Mesmo sendo verdade, é legítimo que estes se interroguem sobre a sua condenação presente à pobreza, em nome de um hipotético futuro, e sugiram que encontremos outras alternativas para o nosso problema energético.

3 Comments

  • Cara Margarida Craveiro,

    Os combustíveis “verdes” são uma burrice - e o termo é este - de todo o tamanho. Um combustível verde (e se se excluir os passos de produção / refinação) produz tanto CO2 como os combustíveis normais. Se se entra em linha de conta com a produção e usando o milho como matéria prima, o saldo é ainda mais negativo, com o bioetanol a ser mais poluente que os combustíveis tradicionais.

    É verdade que, no caso da cana de açucar, o bioetanol é uma boa opção, mas ao “culpado do costume” interessa-lhe mais subsidiar o milho do “Midwest” que importar etanol do Brasil. Por mais que custe a muito boa gente, os EUA têm desempenhado nesta coisa das alterações climáticas o papel de mau da fita (agora a China e a Índia parece que querem ficar com o “oscar” de actores principais…): ao tentar passar uma imagem “verde”, foi pior a emenda que o soneto.

    Na realidade o consumidor não é burro e escolhe a opção ecologicamente melhor se lhe for dada a hipótese… basta ver o sucesso que carros com o Toyota Prius têm nos “Estates”. Mas tal só é possível se forem efectivamente implementadas políticas não-subsidiárias da indústria, quer de automóveis, quer de combustíveis, como infelizmente tem sido o caso.

    Ao contrário do que se diz noutras paragens (e às vezes nestas), a redução das emissões acaba por benificiar a própria indústria pois resulta, na maioria dos casos, numa optimização de processos, com redução de consumos energéticos. É óbvio que os investimentos são caros, mas, e voltando aos automóveis, quando os fabricantes europeus e asiáticos foram obrigados a reformular os seus carros, de forma a optimizar o consumo de combustível para a) lidar com os preços altos e b) evitar os impostos sobre as altas cilindradas, também passaram um mau bocado. No entanto, e passados alguns anos, agora estão bem de saúde enquanto os fabricantes americanos se afundaram e, ao que parece, só não de vez pois têm sido altamente subsídiados.

  • Cara Margarida Craveiro,

    há décadas que os povos do Terceiro Mundo são prejudicados pelos meninos (e senhores, claro) bem intencionados dos do Primeiro: começa pelas carradas de dinheiro que lhes démos depois das independências - que só serviram para alimentar as cleptocracias em que (mais do que previsivelmente) se transformaram - continua pelos tão perniciosos paternalismos das organizações “humanitárias” ou pela recusa de transgénicos em África (entre muitas outras rotundas idiotices) e acaba, por agora, nessoutra crendice colectiva do aquecimento global. Tem alguma dúvida que são eles quem vai pagar as favas da nossa má consciência? Não tenha…

  • […] Cara ou coroa. Por Ana Margarida Craveiro. A semana passada, o Economist explicava como a produção mundial de milho é insuficiente para as actuais necessidades. Aparentemente, temos uma escolha difícil pela frente: ou produzimos etanol, ou damos de comer a quem tem fome. Ou seja: ou salvamos o planeta, pelo uso de combustíveis verdes, ou negamos o cereal a quem, pela maldita globalização, finalmente tem dinheiro para o comprar. […]

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