Tuesday, December 18th, 2007...19:27
Obrigado
Confesso que ainda não percebi o que meia-dúzia de pessoas querem dizer quando dizem que eu sou da direita de que a esquerda gosta ou que eu quero agradar à esquerda. Não é que este género de disparates me preocupe mas, claro, e para ser franco, tem dias que penso nisso.
Como não conheço o senhor ou a senhora esquerda presumo que se referem a pessoas que são de esquerda. É verdade, de facto, existem pessoas que são de esquerda a quem me esforço por agradar: são os meus amigos. O mesmo posso dizer dos meus amigos de direita, dos católicos, dos ateus, dos gays, dos pretos, dos do Sporting e até dos do Benfica. Sou um homem de muita sorte, tenho alguns amigos de verdade, daqueles que vêem em mim - passe a imodéstia - mais do que um gajo de direita, do FC Porto, de um tripeiro emigrado, de um ateu, de um abortista etc. etc. etc.: acho que vêem em mim aquilo que eu vejo neles: gente boa porque quem tenho muito carinho.
Neles todos vejo respeito pelas minhas convicções e valores e eu não as mudo por eles. Mas, claro está, que todos eles fazem-me pensar e contribuem para que ponha em causa aquilo em que acredito - e do lado deles sinto a mesmíssima coisa, senão não eram meus amigos.
Sempre pensei que isso fosse uma coisa boa e, já que agora falo nisso, continuo a pensar.
Assim sendo, se calhar não é um disparate: como dizia em cima, é um elogio. Desde já, obrigado.

36 Comments
December 18th, 2007 at 19:39
PML, “normalmente” um homem de direita não é ateu, abortista, et, etc.., deve ser por isso.
December 18th, 2007 at 20:08
Alice, já Lewis Carrol te deixou. E agora,
agora és tu quem corre, a que indaga
debaixo de uma pedra. Há manchas
e limites torcidos. Há outra imagem e outra,
e há outro espelho e rostos e bonecas
recitando uma história de bêbados.
Domingo. Dominó. Domine. Deus.
- Dei o passo à frente e agora
já está
dado
à direita à direita à direita
à esquerda à esquerda à esquerda
à direita à direita à direita
à esquerda à esquerda à esquerda
Alice, Alice
já Lewis Carroll te deixou.
(adaptação livre de Angel Escobar Varela)
December 18th, 2007 at 20:28
Caro Faria,
Agradecia que me indicasse o horário do estabelecimento onde passa certificados de direitismo.
Deixe-me ver se entendo: uma pessoa de direita não pode ser nem ateia nem defensora do aborto, é isso?
Santa estupidez
December 18th, 2007 at 21:38
É isso mesmo o que o caro comentador Faria disse, subscrevo-o inteiramente.
December 18th, 2007 at 21:43
Caro Pedro,
Pode ser estupidez, que o é, mas na minha terra e arredores são quase todos assim.
December 18th, 2007 at 22:00
A Direita do Aborto e a Direita dos valores cristãos são incompativeis!
é tudo uma questão de valores!
December 18th, 2007 at 22:13
O que é isso da Direita dos valores cristãos, tric? para mim os valores cristãos não são - ou não deviam ser - misturáveis com a política. Cristo é de esquerda ou de direita? E Deus? Não se pode pedir ao Islão que separe a religião do Estado e depois fazer o mesmo que eles.
Chega de confusões: as convicções religiosas são pessoais e íntimas, não tem de ser permanentemente trazidas para a praça pública. Ainda que eu acredite em Deus não posso em democracia impor as minhas convicções às dos outros.
December 18th, 2007 at 22:52
“Chega de confusões: as convicções religiosas são pessoais e íntimas, não tem de ser permanentemente trazidas para a praça pública. Ainda que eu acredite em Deus não posso em democracia impor as minhas convicções às dos outros.”
mas posso defender em que tipo de sociadade de valores quero que os meus filhos vivam e sejam educados!
certamente não foram os cristãos que levantaram a bandeira do Aborto!
December 18th, 2007 at 22:56
De facto caro PPM concordo que Cristo não é de esquerda ou de direita, e na Cruz abraçou a humanidade quer com o Seu braço direito quer com o esquerdo.
Mas, considero-me de “Direita”, precisamente porque aqueles que são ou querem ser de Deus se sentarão à Sua Direita, e a Bíblia é muito clara!
Ou seja, neste sentido um comunista crente, por mais progressista que seja ( por ex. Carlos do Carmo) está mais à “direita” do que um social democrata ou pê ene erre ateu, como há muitos.
Quanto ao mais:
1) A honestidade, o bom senso,tal como os erros (ortográficos e não só), não é de esquerda ou direita, e claro que há gente honesta em todos os partidos e em todos os regimes, incluindo as chamadas “ditaduras” ( nomeadamente as piores, que o são mas fazem tudo para se disfarçar e parecer supostas “democracias” !)
2) os diferentes sentidos políticos da palavra Direita ( desde a criação do termo na Rev. Francesa) vão variando conforme os tempos, temas, os contextos, e actualmente as modas mediáticas, que têm que arranjar assunto para “encher” páginas interiores e minutos de emissão, para assim poder dar para 1 ou 1h30 de “palha” e para assim poder dar para facturar 3 ou 4 intervalos de publicidade…
December 18th, 2007 at 23:26
Gostei muito da parte “a bíblia é muito clara”. Ó Carlos get a life
December 18th, 2007 at 23:40
O Carlos do site deleted quando fala de erros ortográficos, está a falar dos seus e a fazer mea culpa? A Bíblia é tudo menos clara e por isso as múltiplas interpretações e as inúmeras religiões que dela nasceram. Essa de se sentarem à direita ter conotação política só por piada, mas de mau gosto para a própria religião.
December 19th, 2007 at 0:06
A haver erro ( não é meu, pese embora tenha e dê muitos, lembro-me sempre de ler no ISEG a frase, esculpida em pedra, do B.J. Caraça “se não reeio o erro é porque estou sempre disposto a corrigi-lo”) aqui só se for de interpretação e não é meu, o “deleted” não fui eu que escrevi, creio que é o Worpress que insere automaticamente a quem não indica site.
A Bíblia nomeadamente no Novo Testamento fala claramente e por diversas vezes daqueles que se “sentarão à minha Direita…”. É só levantar da cadeira do computador e irem aí a uma estante e pegar na Bíblia, ou então fazerem um googling biblical search…
December 19th, 2007 at 0:07
a Direita portuguesa defende uma sociadade laica , como a Esquerda , ou cristã para Portugal ? ou divide-se nesta fundamental questão, coisa que não acontece à esquerda ?
December 19th, 2007 at 0:08
Comentário dirigido a Henrique Raposo, o senhor que afirma que Portugal não tem uma cultura política.
Vivemos num vazio (político) cultural?
E, pasme-se, a existência de especialistas é o facto que demonstra a inexistência de uma cultura política!!!!? É caso para dizer que a montanha pariu um ratinho cor de rosa.
As minhas desculpas pela intromissão. Mas o post abaixo merece umas respostas. A minha opinião é simplesmente esta: em Portugal, é muito raro termos o privilégio de ouvir especialistas. Os especialistas que aparecem nos media tendem a ser especialistas em tudo e mais alguma coisa (Jack of all trades, master of none). Ou seja, confunde-se o homem culto de lettres (como Pacheco Pereira etc) com o especialista. Não tenho nada contra as pessoas cultas. Absolutamente nada. No mundo Anglo-Saxónico sente-se a falta destes cultos interpretes comunitários, fluentes em diversos vocabulários filosóficos e mestres na comunicação etc. Mas ninguém sonharia convidar o George Stein ou o Simon Blackburn para comentar a política da União Europeia, ou o médio oriente. Um especialista é alguém que se dedica ao estudo exaustivo e sistemático de um determinado domínio do conhecimento. Tem que ler TUDO o que é publicado acerca do assunto que lhe interessa e estar ao corrente de todos os desenvolvimentos empíricos relevantes etc. Tarefa árdua e por vezes ingrata. Os media não gostam dos especialistas. Preferem os hommes de lettres por razões que se prendem, suponho eu, com os seus talentos mediáticos (comunicam muito bem, de forma fluente, por vezes obliterando distinções e dimensões que são essenciais) Tudo em nome da comunicação.
O Professor Adriano Moreira é um homme de lettres e um especialista (descolonização, política estrangeira portuguesa, etc). Estes senhores são cada vez mais raros.
December 19th, 2007 at 2:46
errata: George Steiner
December 19th, 2007 at 3:58
Ezequiel, penso que não compreendeu bem o que Henrique Raposo quis dizer (obviamente que poderei estar errado na minha interpretação e, por isso peço desculpa a HR). O problema é que em Portugal, voltando ao exemplo que dá (que não é o melhor), não se vai buscar o especialista na política da UE ou do MO para comentar tal como o Ezequiel, e bem,defende. Faz-se uma entrevista ao Ministro dos Negócios Estrangeiros ou a alguém que decerto estará demasiado envolvido no problema para fazer um comentário isento. Ou ao bastonário dos Advogados para comentar uma qualquer polémica na OA. E é claro que ele só dirá o que lhe interessa. E esse é o poblema.
December 19th, 2007 at 4:50
Se o interpretei mal, as minhas sinceras desculpas. Vou reler o texto.
December 19th, 2007 at 5:05
O texto é ambivalente e contraditório.
No entanto, reconheço que a minha interpretação da intenção do autor não foi a mais correcta.
Somos nós que organizamos as coisas, até certo ponto. Há uns tempos atrás, dei boleia a um lobbyist da UE. Ele disse-me uma coisa que nunca esquecerei. Dos conceitos gerais para a política (aplicada) vai uma grande distância: a interpretação pragmática de grandes propósitos, o que é que estes significam em termos concretos, é uma actividade pelo menos tão criativa como a própria formulação de conceitos etc. É aqui, neste interstício, que os especialistas trabalham. A critica do sistema (seja ele qual for, justiça etc) é mais fácil do que a organização do sistema. Supor que nos temos que possuir ou que possuimos (falo por mim) os conhecimentos necessários para bla bla bla sobre a organização sistémica da justiça parece-me um tanto ou quanto petulante. É por esta razão que temos um parlamento que deveria contratar especialistas para nos explicar, tintin por tintin, tudo o que se está a passar. Especialistas em tradução, por assim dizer. É um assunto delicado.
As minhas desculpas ao Sr. Henrique Raposo se porventura o interpretei mal.
Living and learning…
bom dia!
ezequiel
December 19th, 2007 at 12:48
Há coisas que não se explicam, sentem-se e, porque se sentem, vivem-se - bem, muito bem. Racionalizar os sentimentos é, felizmente, uma impossibilidade. Obrigada por existires, Pedro.
December 19th, 2007 at 13:28
Humm, será que este post se deve ao que eu escrevi no Farmácia Central sobre a “esquerda amiga do mercado” ou a “nova direita liberal”? Não sei, que não havia link e eu nunca chamei abortista a ninguém (nem em post, nem em comentários a posts, nem, sequer, em conversas públicas ou privadas). Mas, caso tenha contribuido de alguma forma para este post (aliás, bonito), vou tentar esclarecer o que disse, que pelos vistos da primeira vez não se percebeu bem.
O meu problema com esta “direita” não é a defesa de causas como a legalização do aborto, da eutanásia e do casamento gay (se teve curiosidade de ir mais abaixo lá no Farmácia, pode ter visto que até concordo com algumas destas soluções). O meu problema é que estas chamadas questões fracturantes sejam a bandeira para a “nova direita liberal” e sirvam de bitola para decidir quem é liberal ou quem é conservador (que deve ser exposto, denunciado, abandonado fora das muralhas da cidade às intempéries e às feras). O meu problema é que esta “nova direita liberal” - e a expressão é do CAA - não consegue suportar a parte da direita que não concorda com a cartilha fracturante nem a considera merecedora de respeito básico. O meu problema é que esta direita revele mais afinidades com a esquerda do que com a direita liberal no plano económico e conservadora no plano dos costumes. O meu problema, finalmente, é que esta direita é tão moralizadora como a extrema esquerda: não basta legalizar o aborto,…; tem também que doutrinar as massas nesses valores; e quem não aceitar estes valores ou teimar em continuar a seguir os ensinamentos religiosos deve ser exposto, denunciado, etc., até desistir e aceitar a Luz.
Referi no post o Tiago Mendes e o CAA, e ambos revelaram por si próprios a vontade de que esta distinção entre direita existisse e fosse reconhecida, tal como o desgosto que sentiam pela “outra” direita.
Coloquei lá o Pedro - assumindo que estava a especular - porque há uns meses conversámos aqui sobre a sua convicção de que a minha liberdade de, caso o meu filho estude na escola pública, decidir se ele devia ter aulas de religião ou não devia ser-me retirada, tudo porque para o Pedro a Refrige e a Igreja Católica são equivalentes. (O que de resto é legítimo, o que não é legítimo é que me imponha esta equivalência.) Também tenho lido alguns post seus com frases do género “quem acredita que cristo andou sobre as águas”; parece-me haver aqui alguma vontade de mostrar ao mundo, de forma a não restarem dúvidas, que as capacidades intelectuais dos católicos são parcas e qualquer pessoa bem informada deve desconfiar delas; isto além de uma falta de respeito mínimo para com as convicções alheias, associado curiosamente a uma profundíssima ignorância sobre aquilo em que acredita um cristão.
Mas se o Pedro não faz parte desta “nova direita liberal” que descrevem o CAA e o TM, basta dizer que eu faço uma errata ao meu post. E fico muito contente. Pelo Pedro.
December 19th, 2007 at 13:59
S0bre direita e direitas, muito se pode escrever e distinguir, mas perder tempo com isso é como fazer auto fellacios ou cuninlingus.
Simplifiquemos: direita é tudo o que a esquerda não é.
E o que é a esquerda?
Há 50 anos toda a gente achava que o socialismo era a receita do futuro.
Queria a “igualdade” e para tal necessitava de homens sem individualidade.
Fallhou, entre outras coisas porque o sacana do “sapiens” não quer saber de colmeias e não amocha nem com cenouras, nem com Gulags, Killing Fields , Treblinkas, laogais, etc.
Quando o prédio veio abaixo, a esquerda, que construíra uma boa parte dele na crença simplória de que a economia planificada era superior à economia livre, que o Estado geria dinheiros e projectos, de forma mais competente do que os cúpidos privados, viu-se de repente órfã, sem Sol do Mundo, sem chão e sem tecto, sem alternativa e discurso próprio nas áreas económicas, sociais e politicas, à mercê da galhofa do pagode que nestas coisas não perdoa.
Perante a falência do modelo que incensou ao longo do século XX, uma parte da esquerda livrou-se do fardo do marxismo, reciclou o discurso e, à falta de melhor, defende hoje o monetarismo e as ideias fundamentais do liberalismo com o mesmo fervor com que há 30 anos estatizava e nacionalizava.
Mas, é claro, com “preocupações sociais” que ninguém sabe bem o que são, mas ficam sempre bem na língua de pau da narrativa política.
Outra parte, sem saber para onde se havia de virar, especializou-se no “ser do contra”. Não tem existência própria, é um parasita, que existe em função de outrem.
Sem modelos a propor, esta esquerda refugiou-se na temática interna do “anti-fascismo” e dos anti-valores, e na temática externa “antiamericana”, “anti-sionista”, ecofascista, anti-liberal e anti-globalização, babando-se nos chavões do relativismo cultural e na auto-flagelante “culpa do homem branco”.
Hoje a esquerda é isto…uma montanha de vacuidades plasmadas no marxismo cultural e a total falta de modelos.
José Fernandes Fafe, um homem de esquerda durante toda a sua vida, meses antes da queda do Muro reconhecia o fim inevitável do welfare do tipo nórdico e o esgotar do keynesianismo. A idade torna lúcidas as pessoas inteligentes….
Hoje, a retórica de alguma esquerda europeia repimpa-se na “defesa do modelo social europeu”.
Que não é modelo para ninguém e muito menos “social”, quando as taxas de desemprego são altíssimas e a criação de riqueza rasteja em valores deprimentes.
No fundo é só retórica populista… dizer às pessoas aquilo que elas gostam de ouvir.
Por outro lado, uma abordagem da “esquerda”, não dispensa algumas referências psicológicas, ainda que de cordel.
Para além do típico esquerdista floribélico que se passeia, furioso e pateta, pelos nossos espaços públicos, há pessoas ditas “de esquerda” que não o são por terem estagnado na idade da borbulha, por revolta contra o princípio da autoridade (o Pai) ou até pelo infantilismo medroso e merdoso, que leva os medíocres a desejar que o Estado tome conta deles.
São a maioria, mas não são todos.
Há gente que se diz “de esquerda” porque acha sinceramente que assim é que é pelos pobres, pelos oprimidos, pela justiça, pelas andorinhas e pelas ervinhas.
Esta gente não se pode detestar, apenas deplorar. São pessoas bem intencionadas, mas que foram deserdadas do conforto das religiões.
E eu, que não sou crente, dou por mim a apontar-lhes caminhos mais seguro e reconfortantes, como por exemplo, o regresso às doutrinas sociais das igrejas cristãs.
December 19th, 2007 at 14:28
Este movimento tambem anda de mãos dadas com a esquerda e a «esquerda amiga do mercado»
“Fica evidente, portanto, que o movimento homossexual almeja, na realidade, a imposição de uma agenda política de hegemonia, inclusive sobre os princípios tradicionais sobre os quais as religiões se constituem. Ninguém deve obrigar uma pessoa a deixar de ser homossexual; mas tampouco está se obrigando essa pessoa a professar determinado credo religioso. Quem segue uma religião deve estar de acordo com os seus princípios. Não é a religião que deve se adaptar às preferências individuais e muito menos às exigências de um movimento político que, sob um falso discurso de tolerância, esconde na verdade uma ideologia perversa e totalitária.”
http://www.faroldademocracia.org/temas_det.asp?id_tema=17
December 19th, 2007 at 15:01
Maria Marques
December 19th, 2007 at 13:28
mt bem
December 19th, 2007 at 16:38
“O meu problema é que estas chamadas questões fracturantes sejam a bandeira para a “nova direita liberal” e sirvam de bitola para decidir quem é liberal ou quem é conservador (que deve ser exposto, denunciado, abandonado fora das muralhas da cidade às intempéries e às feras).”
Escreve a Maria João Marques e eu concordo, porque também é um problema para mim. Mas não me parece que o Pedro faça bitolas desse género ou entre em competições sobre quem é o liberal puro e verdadeiro - e quem não o é. Uma coisa é a provocação que faz parte da polémica que se deseja, outra é impor os nossos valores e as nossas opiniões aos outros.
December 19th, 2007 at 17:27
A Maria Marques foca, pertinentemente , um ponto importantíssimo, a arrogância, superioridade e até raiva, com que o PML, o TM e o CAA falam dos cristão é reveladora do que defendem. Para eles, nós os cristão somos seres que ainda não atingimos a sua superioridade intelectual. O problema é que a maioria dos cristãos vivem bem com isso (vive em paz), o que só os enerva ainda mais…o que pensando bem torna-se num paradoxo intelectual…Não merece muito a pena explicar o porquê disto porque me parece obvio, alias o comentário “Get a Life…” demonstra onde quero chegar.
Claro que não há uma definição clara para direita e esquerda, mas há valores que a direita normalmente defende (por um conjunto de razões que não vale a pena ser aqui dita) e outros que a esquerda defende, e o PML muitas vezes está do lado da esquerda. É simples.
December 19th, 2007 at 17:32
Antes de mais, desculpe o meu “português” do ultimo texto.
kosamet, falar de produtividade?! Agora é que estragou a conversa toda..Isso não interessa nada…O importante é que os salários subam…já agora mais formações pagas pelos “capitalistas”… Depois a estrutura de custos aumenta, há empresas na falência mas não se preocupe que a culpa e desses mesmos capitalistas…
December 19th, 2007 at 17:33
Igorem o meu ultimo comentário…Várias blogues abertos..
December 19th, 2007 at 19:40
Maria,
Em primeiro lugar, o post que escrevi não tinha relação rigorosamente nenhuma com o que escreveu. Mais, se tivesse, não tenha dúvidas que o teria citado. Li-o agora e, como calculará, não gostei, mas isso agora não vem a propósito.
Apesar de constatar que lê o que escrevo sobre religião, reparo que não tem a mesma paciência para ler o que escrevo sobre outros assuntos. Se tivesse saberia que fujo o mais que posso de rótulos do género “direita liberal” e outros apesar, de claro, já os ter escrito. Preocupo-me com o que as pessoas vão defendendo e limito-me a concordar ou não com elas. De toda a forma choca-me menos que o CAA escreva sobre o que deve ser (eu não o escreveria, porém) a direita liberal e quem é ou não é dessa direita do que ver pessoas que escrevem que há questões a que chama fracturantes que não são merecedoras de “respeito básico”. Concluo que essas questões que enumera e que eu acho importantes não são merecedoras desse respeito básico. Eu não desrespeitaria dessa maneira as suas opiniões. Também registo que me acha profundamente ignorante sobre as convicções dos cristãos (eu também não diria o mesmo sobre nada do que pensa ou deixa de pensar). Feitios.
Não tenho mandato do CAA nem de ninguém, mas dizer que em questões económicas e de mercado ele tem posições de esquerda é, no mínimo, injusto. Ainda para mais de uma pessoa que acha que o Estado deve, pelo menos, ceder espaço a uma religião para que ela publicite as suas ideias. O Estado quando nos ajuda é bom, não é?
O que a Maria não parece perceber é que no seu afã de rejeitar rotulagens acaba por fazer exactamente o mesmo quando diz que essa direita é “tão moralizadora como a extrema-esquerda” ou quando refere que a mesma direita quer doutrinar as massas. Não quer a sua religião doutrinar as massas? Ou a sua pode e os outros movimentos não podem? Como sabe a tolerância na sua religião é muito recente.
Não precisa de colocar errata nenhuma, pelo contrário. Lamento que não fique contente por mim. É a vida.
December 19th, 2007 at 23:23
Pedro, mais alguns esclarecimentos.
Leio sobre tudo o que escreve e já o linquei no Fármácia sobre outros assuntos.
Entendo que a frase estava confusa, mas “nem a considera merecedora de respeito básico” referia-se à direita “não-liberal” (pelos “liberais”) e não à própria cartilha fracturante (pelos “não-liberais”).
Não entendi o que tem a minha religião a ver com esta questão da “nova direita liberal”, mas noto (com surpresa) que compara o seu fervor “fracturante” a uma religião. Não esperava tanta candura.
E não, a tolerância na minha religião não é muito recente, existe desde que foi criada. Estava incluída num pacote que se chamava “amor ao próximo”.
Poderia esclarecer mais, mas como afinal não escreveu sobre o que eu escrevi, não interessa.
December 19th, 2007 at 23:51
Apesar da minha profundíssima ignorância sobre aquilo em que acredita um cristão, da parte do amor ao próximo ainda me lembro. Dessa e de muitas outras mais. Pena é que sejam as outras mais as que alguns cristãos vão revelando na blogosfera e noutros locais.
Se não acha que escrevi sobre aquilo que escreveu: tem razão, não interessa. Nós, os cândidos, somos assim.
December 19th, 2007 at 23:52
Receba os meus cumprimentos, Maria
December 20th, 2007 at 5:49
O Natal está mesmo aí.
As confissões também, mas sem a oprah. Who needs oprah when we have cyberspace.
Deus, será de esquerda ou de direita. uuummm
A foca da Maria Marques.(será vegetariana, a foca?)
As questões fracturantes como bandeira da direita liberal.
New year`s resolution: I spend too much time here, in this no man`s land. O pouco tempo que me resta deve ser passado no mundo, a fazer coisas, a brincar às apanhadas (com a darling), pescando, coçando os tomates, cozinhando, andando de bicicleta…. e lendo tanta coisinha boa que ainda não li.
Despeço-me de todos Vós. Um feliz Natal cheio de tubarans, de heideggers pernetas, de Deuses políticos e de valores (éticos, é claro)
Há poucos momentos, assim de repente, lembrei-me deste artigo que li há muito. I am such an idiot! Há coisas melhores para fazer na vida.
http://socrates.berkeley.edu/~hdreyfus/html/paper_kierkegaard.html
December 20th, 2007 at 14:05
Ó meu Deus, Pedro, é melhor parar de comentá-lo. Ou o meu português é muito confuso ou o Pedro está de pé atrás comigo (ou os dois). O Pedro, no seu post, não escreveu sobre o que eu escrevi. Ou seja, o seu post não era sobre o meu post, como de início me pareceu. E por isso não me parece muito lógico continuar à exaustão nesta questão.
E peço-lhe humildemente perdão, em meu nome e de todos os cristãos da blogosfera, por não sermos puros e impolutos como os que já conseguiram descobri que afinal Deus não existe.
Tenha um feliz Natal. (Atrevo-me a presumir, pelo que escreveu na última Atlântico, que há festa familiar, e isso mesmo sem significado religioso já é alguma coisa).
December 20th, 2007 at 14:38
Ó Maria acredite que não estou de pé atrás consigo. Era o que mais faltava. Eu estou convencido que lhe respondi e você acha que não, tudo bem.
De onde é que você tirou a ideia de que este ateu se considera puro e impoluto? Creia que não tenho essa ideia de mim próprio, antes pelo contrário.
Feliz natal para si também. Há festa familiar, claro está e da rija. Com direito a padre (o meu querido amigo Padre Bernardo Xavier que gere, para mim, a mais bela igreja de Lisboa ali em Santa Catarina e outra também simpática no Largo de São Paulo) à mesa e discussões habituais sobre tudo e mais alguma coisa. Acredito profundamente na mais fantástica instituição jamais criada: a familia.
December 20th, 2007 at 14:47
Ah, fico muito contente que não seja puro e impoluto. Essas pessoas são insuportáveis!
December 20th, 2007 at 14:54
Tambem já o retirei - apesar de não querer - do grupo da “esquerda amiga do mercado”, tal como ao Henrique Raposo. De facto não tenho que especular sobre as outras pessoas. Espero que me desculpe (e isto sem qualquer ironia).
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