Tuesday, December 18th, 2007...18:27
Os especialistas
Lord Fato, vulgo Pedro Marques Lopes, tocou numa das feridas – bem abertas – da nossa cultura política. Ou melhor, nós não temos cultura política. Temos um debate dividido entre especialistas. Nunca nada é político. Tudo é sempre técnico, logo, científico, logo, eu é que sou o presidente da junta.
Fala-se da educação. Quem é que os jornalistas vão buscar? Os representantes sindicais das diversas corporações do ensino. E é assim ad eternum. Nunca se coloca elementos exteriores ao assunto em questão.
Mas o meu preferido é a justiça. Quando se fala deste problema – o maior do país – só se ouvem advogados, sindicalistas não sei se quê, o sindicalista dos juízes, etc. Ou seja, vamos ouvir os maiores beneficiários do caos em que se encontra a justiça. Quem não quer reformar a justiça é precisamente quem vive bem com ela assim: quem nela trabalha. Os advogado ou juíz, como qualquer outro homem, não é um anjo, logo, requer controlos em cima dele. Em Portugal, ninguém controla a Justiça. O Ministro da Justiça é mesmo o ministro sombra.
Há ainda uma coisa que as pessoas não entendem em Portugal: quem organiza a justiça é o poder democrático, é o espaço público, somos nós, e não os especialistas. Quem faz as leis somos nós. Quem trabalha na justiça só tem de aplicá-las, e não tem de meter o bedelho na formulação das leis, e nem sequer devia meter o dedo na discussão sobre a organização interna da justiça. Isso cabe aos representantes eleitos. Mas em Portugal um político a dizer que é preciso meter a justiça na ordem é logo «um fascista», um tipo que quer «regressar ao antigamente».

Comments are closed.