Wednesday, December 26th, 2007...18:15
Uma coisa e a outra - e o contrário de ambas
A propósito da entrevista ao “Expresso“, registou-se o entusiasmo de alguns liberais da blogosfera com o discurso do presidente do PSD. Custa-me a acreditar que tenha a ver com uma solidariedade regionalista - até porque terão sempre de retirar a expressão “liberais” utilizada em tempos de modo depreciativo pelo próprio Luís Filipe Menezes contra os “sulistas e elitistas”. Ainda assim percebo que se aprecie a boutade fanfarrona do “desmantelo o Estado em seis meses”. Ou o entusiamo com as promessas das privatizações. Só que este é o mesmo homem que no mesmo dia exigiu a nomeação do social-democrata Miguel Cadilhe para a Caixa Geral de Depósitos, considerada como uma espécie de compensação para o maior partido da oposição. Não é preciso aliás googlar muito para se perceber também que este é o mesmo homem que pediu uma série de acordos parlamentares alargados - ou pactos de regime - com o PS para algumas das áreas que agora afirma querer privatizar. De resto, a entrevista ao “Expresso”, desde logo quando comenta o artigo de Rui Ramos no “Público” - O Tubarão -, é toda ela um exercício de autovitimização choramingona. Menezes não muda nem poderá jamais mudar enquanto não perceber que um político é apenas vítima de si próprio, prisioneiro das palavras e das promessas que vai proferindo ao sabor da onda e do momento.


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