Friday, January 4th, 2008...12:47

Pergunta a ser respondida em 2008 [ou talvez não]

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Poderá um liberal que acredite em Deus e que tente na sua vida quotidiana seguir os exemplos de bondade, compaixão, amor fraterno, ser discriminatório, segregador, intolerante e indiferente à dor alheia?

17 Comments

  • Claro que sim.
    Se tiver fé, reconhecerá que é um pecador.

  • “Se tiver fé, reconhecerá que é um pecador”

    Gabriel e não deverá agir de forma a evitar esse pecado no futuro?

    Apenas a fé o salvará??

  • aLaíde Costa

    posso considerar a morte de um ” feto” como sendo discriminatório ,uma questão de intolerância e de indeferença à dor alheia (”feto”) ?

    “feto”= criança que se encontra ainda na barriga da mãe

  • 1. A discriminação em liberdade não prejudica ninguém. Discrimina na sua propriedade e nos seus contratos. Pode assim discriminar, por exemplo, contra ciganos no sentido em que não os convida para trabalhar lá na quinta.

    O problema é uma pessoa discriminatória num Estado social-democrata. Começa logo a discriminar contra fumadores invadindo a propriedade privada de terceiros.

    2. Segregador: A segregação em princípio, é um acto de discriminação utilizando o poder do Estado, impondo discriminação por via legislativa na propriedade dos outros…por exemplo…a segregação dos fumadores.

    Um Liberal não pode fazer isso.

    3. Intolerante = discriminação = Sim
    Indiferente = Sim

    E os outros são livres de discriminar contra tal pessoa.

  • Essa pergunta deve ser respondida também pelos que não acreditam em Deus, liberais ou não, penso eu de que.

  • Sim, já agora, o aborto é de facto um acto de discriminação pela mãe ao expulsar o feto da sua propriedade (corpo).

    Interesssante é que em geral os seus defensores são tudo menos liberais (no sentido, que não vêm a propriedade como uma soberania individual que confere o direito a discriminar…só no aborto e logo no aborto!).

  • Carlos, há uma premissa que estás a ignorar, e que neste caso é fundamental: “um liberal que acredite em Deus e que tente na sua vida quotidiana seguir os exemplos de bondade, compaixão, amor fraterno”!

    creio que esta condição, poderá alterar um pouco as conclusões. A menos que se assuma que esse indivíduo vive a sua fé à “letra da lei religiosa”, tendo uma vida espiritual e humana vazia.

    Quanto à questão do aborto, devo dizer que para mim não é relevante. Ou menor, não a coloquei nesta equação. Quando falo em dor alheia, em sofrimento, refiro-me a indivíduos nascidos.

    Quanto ao Estado, eu não o chamei para aqui! Estou simplesmente a questionar[-me] sobre a integridade moral de um individuo que sendo liberal e crente em Deus, é humanamente vazio!

  • Esta Alaíde é um bocadinho bronca, não é?

  • Caro Tiago Mendes,

    “Poderá um liberal que acredite em Deus e que tente na sua vida quotidiana seguir os exemplos de bondade, compaixão, amor fraterno, ser discriminatório, segregador, intolerante e indiferente à dor alheia?”

    Poder até pode, mas não estará a ser muito coerente.
    Como crente em Deus e seguidor de todos os bons exemplos que citas não pode ser discriminatório, segregador, intolerante e indiferente à dor alheia. Como liberal, deverá respeitar o direito de outros a sê-lo, ainda que podendo, obviamente, criticar esse tipo de atitudes.
    Um exemplo muito concreto: um liberal cristão não estará a ser incoerente se aceitar que a lei permita a criação de bares onde não possam entrar negros (como liberal não quererá que o estado esteja ao serviço dos seus valores morais), enquanto que o próprio respeita todas as pessoas independentemente da sua raça (valor cristão).

  • Alaíde,

    O facto de estares a colocar um liberal no centro da questão - e não um qualquer crente - parece presumir que a pergunta será antes qualquer coisa como “Poderá um liberal que acredite em Deus e que tente na sua vida quotidiana seguir os exemplos de bondade, compaixão, amor fraterno, aceitar que o Estado permita atitudes privadas de teor discriminatório, segregador, intolerante e indiferente à dor alheia?”

    De facto, o liberal só pode ter sido aqui chamado à questão se estiver em causa o papel do Estado, assunto no qual o liberal se demarca dos demais.

    Se assim for, acho que um liberal não pode senão aceitar tal permissão. Deve, aliás, bater-se por ela. O que não equivale a dizer que defenda atitudes estaduais de teor discriminatório, segregador, intolerante e indiferente à dor alheia. O que igualmente não equivale a dizer que promove, na sua própria existência, atitudes de teor discriminatório, segregador, intolerante e indiferente à dor alheia.

    Se a pergunta tiver sido precisamente colocada, se efectivamente quiseste perguntar textualmente o que perguntaste, não percebo o que tem o liberal a ver com o assunto. Presumo que a pergunta se aplica a qualquer crente. E a resposta é evidente. Nenhum crente poderá ser coerente se, sem arrependimento, tomar atitudes de teor discriminatório, segregador, intolerante e indiferente à dor alheia.

    Um beijinho e bom 2008
    a.

  • bom adolfo! se calhar eu não formulei a questão da forma mais correcta e que corresponda à minha dúvida. O facto, é que eu, infelizmente, não tenho o melhor traquejo linguistico.

    mas encarando o liberalismo como conjunto de “normas” de acção individual, e a crença em Deus sujeitar a determinados parametros de acção perante o próximo; não deverá um determinado indivíduo que siga as normas de conduta quer do liberalismo, quer da crença em Deus, agir, sempre que possível, de forma a “cumprir” [leia-se o cumprir como uma vontade e não uma obrigação imposta externamente] os preceitos de ambas inflencias, simultaneamente?

    “Nenhum crente poderá ser coerente se, sem arrependimento, tomar atitudes de teor discriminatório, segregador, intolerante e indiferente à dor alheia.”

    então, adolfo, na tua opinião, um crente que tenha acções segregadoras e intolerantes, não poderá ser um verdadeiro crente de espírito? É apenas um crente de forma? ainda que sustente as suas acções no suposto liberalismo que acolhe como forma de agir?

    bom ano para ti tb adolfo ;)

  • Filipe Abrantes
    January 4th, 2008 at 16:37

    “Quanto ao Estado, eu não o chamei para aqui! Estou simplesmente a questionar[-me] sobre a integridade moral de um individuo que sendo liberal e crente em Deus, é humanamente vazio!”

    Como se o Estado fosse um elemento irrelevante nestas questões…pelo contrário.

  • Alaíde,

    Perguntaste sobre a coerência de um crente e não sobre a verdade da sua crença, de que agora pareces falar.

    Sobre a primeira posso opinar. Isto é, posso emitir opiniões sobre se aquilo que alguém está a fazer ou a dizer é ou não, de acordo com os meus padrões, coerente com a doutrina que diz professar.

    E nesse sentido, considero que um liberal e católico deve defender a possibilidade de discrminação privada enquanto forma de organização estadual com a mesma determinação que defende e professa, na sua existência, as crenças que tiver.

    Sobre a segunda deixo para o julgamento final. Não me considero capaz, e duvido que alguém de facto o seja, para poder determinar, com precisão e rigor, se as acções segregadoras e intolerantes praticadas por crentes desmentem ou não, na sua radical natureza, a sua crença.

    Só Deus saberá dizer que os meus actos estão ou não vestidos de pecado ou se, ainda que desconformes, foram motivados e provocados por circunstâncias atenuantes ou desculpabilizantes.

    Confesso que tenho alguma alergia a julgamentos morais feitos sobre os outros. Eles vêm muitas vezes dos crentes, é verdade. Mas vêm também, não menos vezes, dos não crentes que vêem nessa circunstância uma norma habilitante para perorar sobre os outros.

  • Já te mando uma receitazita cheia de congelados. A ver se a escrevo este fds!

  • «mas encarando o liberalismo como conjunto de “normas” de acção individual»

    a aLaíde pode evidentemente encarar o liberalismo como sendo isso, mas na minha opinião, não o é.

    «Normas» de acção social» é mais uma moral, coisa que o liberalismo não é.

    «a crença em Deus sujeitar a determinados parametros de acção perante o próximo», também não é líquido que seja assim, pelo menos sempre.

  • «Gabriel e não deverá agir de forma a evitar esse pecado no futuro?»

    depende do que ele queira para si próprio.
    O termo «deverá» creio ser excessiva, por implicar um julgamento, que deve caber apenas ao próprio.

    «Apenas a fé o salvará??»

    resposta impossível, pois que falta a definição de «salvação» e mesmo saber se tal será «suficiente» dependerá de que «fé» se trate.

  • Penso que a questão da aL é “pode um liberal que acredite em Deus e que tente na sua vida quotidiana seguir os exemplos de bondade, compaixão, amor fraterno ser, na sua vida privada, discriminatório, segregador, intolerante e indiferente à dor alheia?”

    Já agora, com “acredite em Deus”, imagino que ela queira dizer “acredite no Deus de Abraão, que Jesus Cristo é o seu filho e que o Novo Testamento reflecte a sua palavra”.

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