Friday, January 4th, 2008...12:47
Pergunta a ser respondida em 2008 [ou talvez não]
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Poderá um liberal que acredite em Deus e que tente na sua vida quotidiana seguir os exemplos de bondade, compaixão, amor fraterno, ser discriminatório, segregador, intolerante e indiferente à dor alheia?

17 Comments
January 4th, 2008 at 12:59
Claro que sim.
Se tiver fé, reconhecerá que é um pecador.
January 4th, 2008 at 13:03
“Se tiver fé, reconhecerá que é um pecador”
Gabriel e não deverá agir de forma a evitar esse pecado no futuro?
Apenas a fé o salvará??
January 4th, 2008 at 13:10
aLaíde Costa
posso considerar a morte de um ” feto” como sendo discriminatório ,uma questão de intolerância e de indeferença à dor alheia (”feto”) ?
“feto”= criança que se encontra ainda na barriga da mãe
January 4th, 2008 at 13:20
1. A discriminação em liberdade não prejudica ninguém. Discrimina na sua propriedade e nos seus contratos. Pode assim discriminar, por exemplo, contra ciganos no sentido em que não os convida para trabalhar lá na quinta.
O problema é uma pessoa discriminatória num Estado social-democrata. Começa logo a discriminar contra fumadores invadindo a propriedade privada de terceiros.
2. Segregador: A segregação em princípio, é um acto de discriminação utilizando o poder do Estado, impondo discriminação por via legislativa na propriedade dos outros…por exemplo…a segregação dos fumadores.
Um Liberal não pode fazer isso.
3. Intolerante = discriminação = Sim
Indiferente = Sim
E os outros são livres de discriminar contra tal pessoa.
January 4th, 2008 at 13:21
Essa pergunta deve ser respondida também pelos que não acreditam em Deus, liberais ou não, penso eu de que.
January 4th, 2008 at 13:24
Sim, já agora, o aborto é de facto um acto de discriminação pela mãe ao expulsar o feto da sua propriedade (corpo).
Interesssante é que em geral os seus defensores são tudo menos liberais (no sentido, que não vêm a propriedade como uma soberania individual que confere o direito a discriminar…só no aborto e logo no aborto!).
January 4th, 2008 at 13:36
Carlos, há uma premissa que estás a ignorar, e que neste caso é fundamental: “um liberal que acredite em Deus e que tente na sua vida quotidiana seguir os exemplos de bondade, compaixão, amor fraterno”!
creio que esta condição, poderá alterar um pouco as conclusões. A menos que se assuma que esse indivíduo vive a sua fé à “letra da lei religiosa”, tendo uma vida espiritual e humana vazia.
Quanto à questão do aborto, devo dizer que para mim não é relevante. Ou menor, não a coloquei nesta equação. Quando falo em dor alheia, em sofrimento, refiro-me a indivíduos nascidos.
Quanto ao Estado, eu não o chamei para aqui! Estou simplesmente a questionar[-me] sobre a integridade moral de um individuo que sendo liberal e crente em Deus, é humanamente vazio!
January 4th, 2008 at 13:37
Esta Alaíde é um bocadinho bronca, não é?
January 4th, 2008 at 14:25
Caro Tiago Mendes,
“Poderá um liberal que acredite em Deus e que tente na sua vida quotidiana seguir os exemplos de bondade, compaixão, amor fraterno, ser discriminatório, segregador, intolerante e indiferente à dor alheia?”
Poder até pode, mas não estará a ser muito coerente.
Como crente em Deus e seguidor de todos os bons exemplos que citas não pode ser discriminatório, segregador, intolerante e indiferente à dor alheia. Como liberal, deverá respeitar o direito de outros a sê-lo, ainda que podendo, obviamente, criticar esse tipo de atitudes.
Um exemplo muito concreto: um liberal cristão não estará a ser incoerente se aceitar que a lei permita a criação de bares onde não possam entrar negros (como liberal não quererá que o estado esteja ao serviço dos seus valores morais), enquanto que o próprio respeita todas as pessoas independentemente da sua raça (valor cristão).
January 4th, 2008 at 14:56
Alaíde,
O facto de estares a colocar um liberal no centro da questão - e não um qualquer crente - parece presumir que a pergunta será antes qualquer coisa como “Poderá um liberal que acredite em Deus e que tente na sua vida quotidiana seguir os exemplos de bondade, compaixão, amor fraterno, aceitar que o Estado permita atitudes privadas de teor discriminatório, segregador, intolerante e indiferente à dor alheia?”
De facto, o liberal só pode ter sido aqui chamado à questão se estiver em causa o papel do Estado, assunto no qual o liberal se demarca dos demais.
Se assim for, acho que um liberal não pode senão aceitar tal permissão. Deve, aliás, bater-se por ela. O que não equivale a dizer que defenda atitudes estaduais de teor discriminatório, segregador, intolerante e indiferente à dor alheia. O que igualmente não equivale a dizer que promove, na sua própria existência, atitudes de teor discriminatório, segregador, intolerante e indiferente à dor alheia.
Se a pergunta tiver sido precisamente colocada, se efectivamente quiseste perguntar textualmente o que perguntaste, não percebo o que tem o liberal a ver com o assunto. Presumo que a pergunta se aplica a qualquer crente. E a resposta é evidente. Nenhum crente poderá ser coerente se, sem arrependimento, tomar atitudes de teor discriminatório, segregador, intolerante e indiferente à dor alheia.
Um beijinho e bom 2008
a.
January 4th, 2008 at 15:55
bom adolfo! se calhar eu não formulei a questão da forma mais correcta e que corresponda à minha dúvida. O facto, é que eu, infelizmente, não tenho o melhor traquejo linguistico.
mas encarando o liberalismo como conjunto de “normas” de acção individual, e a crença em Deus sujeitar a determinados parametros de acção perante o próximo; não deverá um determinado indivíduo que siga as normas de conduta quer do liberalismo, quer da crença em Deus, agir, sempre que possível, de forma a “cumprir” [leia-se o cumprir como uma vontade e não uma obrigação imposta externamente] os preceitos de ambas inflencias, simultaneamente?
“Nenhum crente poderá ser coerente se, sem arrependimento, tomar atitudes de teor discriminatório, segregador, intolerante e indiferente à dor alheia.”
então, adolfo, na tua opinião, um crente que tenha acções segregadoras e intolerantes, não poderá ser um verdadeiro crente de espírito? É apenas um crente de forma? ainda que sustente as suas acções no suposto liberalismo que acolhe como forma de agir?
bom ano para ti tb adolfo
January 4th, 2008 at 16:37
“Quanto ao Estado, eu não o chamei para aqui! Estou simplesmente a questionar[-me] sobre a integridade moral de um individuo que sendo liberal e crente em Deus, é humanamente vazio!”
Como se o Estado fosse um elemento irrelevante nestas questões…pelo contrário.
January 4th, 2008 at 17:15
Alaíde,
Perguntaste sobre a coerência de um crente e não sobre a verdade da sua crença, de que agora pareces falar.
Sobre a primeira posso opinar. Isto é, posso emitir opiniões sobre se aquilo que alguém está a fazer ou a dizer é ou não, de acordo com os meus padrões, coerente com a doutrina que diz professar.
E nesse sentido, considero que um liberal e católico deve defender a possibilidade de discrminação privada enquanto forma de organização estadual com a mesma determinação que defende e professa, na sua existência, as crenças que tiver.
Sobre a segunda deixo para o julgamento final. Não me considero capaz, e duvido que alguém de facto o seja, para poder determinar, com precisão e rigor, se as acções segregadoras e intolerantes praticadas por crentes desmentem ou não, na sua radical natureza, a sua crença.
Só Deus saberá dizer que os meus actos estão ou não vestidos de pecado ou se, ainda que desconformes, foram motivados e provocados por circunstâncias atenuantes ou desculpabilizantes.
Confesso que tenho alguma alergia a julgamentos morais feitos sobre os outros. Eles vêm muitas vezes dos crentes, é verdade. Mas vêm também, não menos vezes, dos não crentes que vêem nessa circunstância uma norma habilitante para perorar sobre os outros.
January 4th, 2008 at 17:16
Já te mando uma receitazita cheia de congelados. A ver se a escrevo este fds!
January 4th, 2008 at 18:00
«mas encarando o liberalismo como conjunto de “normas” de acção individual»
a aLaíde pode evidentemente encarar o liberalismo como sendo isso, mas na minha opinião, não o é.
«Normas» de acção social» é mais uma moral, coisa que o liberalismo não é.
«a crença em Deus sujeitar a determinados parametros de acção perante o próximo», também não é líquido que seja assim, pelo menos sempre.
January 4th, 2008 at 18:06
«Gabriel e não deverá agir de forma a evitar esse pecado no futuro?»
depende do que ele queira para si próprio.
O termo «deverá» creio ser excessiva, por implicar um julgamento, que deve caber apenas ao próprio.
«Apenas a fé o salvará??»
resposta impossível, pois que falta a definição de «salvação» e mesmo saber se tal será «suficiente» dependerá de que «fé» se trate.
January 4th, 2008 at 19:42
Penso que a questão da aL é “pode um liberal que acredite em Deus e que tente na sua vida quotidiana seguir os exemplos de bondade, compaixão, amor fraterno ser, na sua vida privada, discriminatório, segregador, intolerante e indiferente à dor alheia?”
Já agora, com “acredite em Deus”, imagino que ela queira dizer “acredite no Deus de Abraão, que Jesus Cristo é o seu filho e que o Novo Testamento reflecte a sua palavra”.
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