Monday, January 14th, 2008...11:02

Mudar de vez

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O primeiro-ministro anunciou o novo aeroporto em Alcochete. O que responde o PSD? Apenas que a escolha é um recuo do governo em detrimento à Ota. Ou seja: não há oposição. E não há oposição porque se o governo tivesse escolhido a Ota ao invés de Alcochete, os sociais-democratas andariam entretidos a criticar a arrogância socialista, a falta de diálogo e a inquirir porque se escolheu aquele local e não outro. Assim, como foi o contrário, o PSD fala das hesitações de Sócrates, deste ter mudar de opinião e por aí fora.

Não há oposição, porque não há diferença. Não há uma outra visão do Estado. Não há outra forma de encarar a vida neste país. São todos farinha do mesmo saco. Os de rosa dizem-se socialistas; os laranjas, sociais-democratas.

É com este bloco central que é necessário romper, para que haja uma alternativa, não de uma mera troca de lugares, mas de uma efectiva mudança de políticas. Para que se respire política é necessário que um partido critique o dinheiro que vai ser gasto neste novo aeroporto, nos novos acessos, na nova ponte sobre o Tejo, que afirme que o desenvolvimento não se faz através de investimentos públicos, que exigem mais e mais impostos, mas com contenção orçamental que permita os particulares fazerem os seus investimentos.

Portugal não se desenvolve com obras públicas. Estas não são o motor, mas o fruto da riqueza do país. Enquanto o PSD não disser coisas tão simples quanto esta, Sócrates pode ser primeiro-ministro o tempo que quiser, pode não cumprir promessas eleitorais e preferir fazer a vontade dos líderes europeus a ouvir o eleitorado português.

18 Comments

  • “É com este bloco central que é necessário romper, […] é necessário que um partido critique o dinheiro”

    Se o AAA deseja tal partido, crie-o. Não espere que o PSD cumpra tal função. Não espere que o PSD seja aquilo que não é nem nunca foi nem nunca quis ser. Se o AAA está descontente com os partidos políticos existentes, crie um novo. Não peça aos partidos existentes que deixem de ser aquilo que, legitimamente, são.

  • António Carlos
    January 14th, 2008 at 11:48

    Concordo com Luís Lavoura.
    Porque será que da blogosfera “liberal” resulta apenas a crítica e a proposta isolada, e nunca um projecto construtivo de uma alternativa ao “bloco central”?
    O que falta afinal para a constituição em Portugal de um “Partido Liberal”?
    Tenho ideia de ter lido num dos blogs “liberais” que a própria ideia de liberalismo (segundo a visão do autor, que não me recordo quem era) era contrária à formação de um partido político. Que dizer então do apoio entusiasta a Ron Paul por grande parte dos bloggers liberais?

  • Óptimo post

  • Muito bom.

  • Caro Luís Lavoura,

    Infelizmente, não é fácil fazer um partido. Também não pretendo que o PSD seja liberal. Apenas que se liberalize.

    Caro António Carlos,

    ‘O que falta afinal para a constituição em Portugal de um “Partido Liberal”?’

    Faltam eleitores liberais.

  • António Carlos
    January 14th, 2008 at 14:02

    Caro André Abrantes Amaral,
    “Faltam eleitores liberais.”
    Não será este um caso do ovo e da galinha, ou seja, não é uma das funções dos partidos políticos a formação política dos cidadãos, o incentivo à participação, a discussão na esfera pública? Será que os partidos políticos só têm razão de existir na medida em que num determinado momento têm eleitores? É essa a função principal de um partido político, ganhar eleições? E já agora, passando de partidos políticos para candidatos, como explicar então todo o entusiasmo da blogosfera liberal por Ron Paul, um candidato que manifestamente não tem condições para ganhar?

  • […] 14, 2008 É mesmo isto… Posted by Carmex under Anti-histamínicos   André Abrantes Amaral no Blogue Atlântico: Mudar de Vez […]

  • António Carlos
    January 14th, 2008 at 14:06

    Já agora outra achega. Quando intitula o seu post “Mudar de vez” está a apelar a uma mudança dos partidos políticos (nomeadamente PSD e CDS/PP)? Acha mesmo que isso é possível? Penso que para o seu apelo ser consequente então terá necessariamento de passar pelo apelo à criação de um novo partido.

  • AAA, mas o PSD diz ser um partido “social-democrata” e, que eu saiba, os liberais fazem gala em se demarcar de, e em se opôr à, social-democracia. Logo, um partido social-democrata não pode ser liberal. Ou é liberal, ou é social-democrata. Não é?

    Por outro lado, você diz que faltam eleitores liberais. Muito bem, então isso fornece uma ótima justificação para o PSD não se “liberalizar”. Porque, se o PSD se “liberalizasse”, perderia eleitores, dado não haver eleitores liberais. Portanto, não peça ao PSD que se suicide “liberalizando-se”.

    Em suma: eu sei muito bem que é muito difícil em Portugal formar um partido, sobretudo quando, como você diz, não há eleitores. Mas é essa mesma a sua obrigação: formar um partido que defenda as suas convicções. Em vez de andar a tentar que um partido de outra côr política (a social-democracia) se suicide indo para um campo político no qual não há eleitores.

    (Nota: em quase todos os países da Europa há partidos liberais, e em geral esses partidos não têm mais do que 10% dos votos. Há poucos eleitores liberais, não só em Portugal mas em toda a Europa.)

  • -Caro André, poderá ser necessário um novo partido, mas julgo que até poderiamos resolver o problema com os actuais, volto a insistir nos circulos uninominais, ainda agora a propósito do referendo percebeu-se existirem no PS, vozes dissonantes, no PSD tal prova é dada diariamente, com a introdução destes circulos, que verdadeiramente não interessam quer a PS, quer a PSD, porque entendem como seus os lugares, impondo frequentemente disciplina partidária, não me custa acreditar que com tal legitimidade, surgiriam mais vozes desalinhadas com as direções partidárias. Basta aliás, verificar nos países onde tal ocorre, que frequentemente os partidos não conseguem fazer o pleno dos seus parlamentares, já nem falo nos EUA, onde então, Democratas ou Republicanos conseguirem tal, seria uma proeza.

  • Ele haa frases que me fazem questionar o bom senso…

    “… que afirme que o desenvolvimento não se faz através de investimentos públicos, que exigem mais e mais impostos, mas com contenção orçamental que permita os particulares fazerem os seus investimentos…”

    “… Portugal não se desenvolve com obras públicas. Estas não são o motor, mas o fruto da riqueza do país…”

    Isto, para o autor, deve ser como debitar ditados populares…

  • Os neo-liberais são uns brincalhões. Um aeroporto feito à custa de capitais privados, só mesmo num país ainda mais distante do que somos. Que empresários estariam dispostos a isso, se todos os grandes empresários que temos são os primeiros a viver à custa do Estado? Não, o Menezes é mauzito mas não é tolo.

  • […] Chego do jantar (um carpaccio de garoupa, e um esparguete de ameijoas e alho, regado com um Chianti que nao estava nada mal - sem sobremesa, que estou de dieta) e leio que ee mesmo isto, vou ler entao pois… e saiem-me estas preciosidades de sabedoria que imagino, tencionam libertar a nossa sociedade da teia de falta de senso comum que a encarcera, e po-la de volta no caminho da prosperidade (este ee o contributo altruiista do Pacheco): […]

  • […] Chego do jantar (um carpaccio de garoupa, e um esparguete de ameijoas e alho, regado com um Chianti que nao estava nada mal - sem sobremesa, que estou de dieta) e leio que ee mesmo isto, vou ler entao pois… e saiem-me estas preciosidades de sabedoria que imagino, tencionam libertar a nossa sociedade da teia de falta de senso comum que a encarcera, e po-la de volta no caminho da prosperidade (este ee o contributo altruiista do Pacheco): […]

  • Perdoem o Panaxginseng, ele é um indefectível das ideias keynesianas mas até é bom rapaz.

  • […] Mudar de vez. Por André Abrantes Amaral. Para que se respire política é necessário que um partido critique o dinheiro que vai ser gasto neste novo aeroporto, nos novos acessos, na nova ponte sobre o Tejo, que afirme que o desenvolvimento não se faz através de investimentos públicos, que exigem mais e mais impostos, mas com contenção orçamental que permita os particulares fazerem os seus investimentos. […]

  • O que ee que o meu desabafo tem que ver com ideias Keynesianas… ai senhores…

  • […] leio o post de mais um pacheco, o mesmo por sinal que ontem inspirava a mais revolucionaaria teoria de crescimento moderno e que nos podia salvar do maras…, e fico […]

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