Thursday, January 17th, 2008...12:21
A fé jacobina

Uma mui tolerante universidade em Itália recusou receber Bento XVI, dizendo, claro, que o homem é o mal na terra. É incrível como dizer mal do Papa ainda garante boas carreiras na universidade europeia.
Uma coisa é discordar dos católicos, tal como se discorda de qualquer outra corrente. Os católicos são deste mundo, apesar de pensarem que têm acesso a outro mundo. São deste mundo e devemos criticá-los (ou apoiá-los) em casos concretos. Outra coisa, bem diferente, é fazer da Igreja católica o mal na terra; um mal de outro mundo que acabou de aterrar para atormentar os homens. Esta forma de hunting down a Igreja é uma forma de intolerância de outra religião: o laicismo ateu. Esta corrente retira aos católicos a sua dimensão terrena. Neste ateísmo mui tolerante, os católicos deixam de ser meros homens e passam a ser uma coisa não-humana, quase anti-natural, uma sarna que tem de ser expurgada. Este ateísmo mui humanista acaba por desumanizar os católicos que apenas fazem discursos (sendo que, ao mesmo tempo, arranja sempre tempo para desculpar o islamismo que mata gente com quem muda de camisa).
Às vezes, meio a brincar, digo que sou pagão. Não é por acaso. É uma forma de cavar uma saudável distância entre mim e estes jacobinos que têm sempre a tolerância na boca, mas que não se importariam de meter os católicos no campo pequeno. Não me sinto em casa com a fé católica (o monoteísmo, seja qual for, não é a minha almofada teológica), mas com os católicos ainda se consegue dialogar. E aprende-se qualquer coisa. Muito, aliás. Com esta fé jacobina, ao invés, é impossível dialogar. E nunca se aprende nada. Antes um bom Papa do que uma horda de Afonsos Costa. “Do mal, o menos”, como dizia o meu mui pagão avó Chico.

Comments are closed.