Thursday, January 17th, 2008...13:02

Tocqueville

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Por causa de uma encomenda vinda em boa hora, pus-me a reler Tocqueville. A Democracia na América, o Antigo Regime e os Souvenirs. E não há, de facto, ninguém como ele para lançar alguma luz no mundo em que vivemos. Está lá quase tudo. O diagnóstico da progressiva regimentação da vida privada e da concomitante perda de liberdade em benefício da uniformização dos costumes, a análise do advento da “política literária”, a inspecção da “paixão irreligiosa” e do seu “espírito de propaganda”, etc. E os Souvenirs – que narram as jornadas de 1848 e a sua breve passagem pelo ministério de Luís Napoleão – são uma obra-prima absoluta. No número de Dezembro, a Atlântico tinha uma série de conselhos para prendas de Natal. Ando muito arrependido de não ter sugerido os Souvenirs, tanto mais que há uma boa e barata edição de bolso em francês, com prefácio de Claude Lefort (Folio/Histoire).

4 Comments

  • […] Paulo Tunhas no blog da Revista Atlântico Por causa de uma encomenda vinda em boa hora, pus-me a reler Tocqueville. A Democracia na América, o Antigo Regime e os Souvenirs. E não há, de facto, ninguém como ele para lançar alguma luz no mundo em que vivemos. Está lá quase tudo. O diagnóstico da progressiva regimentação da vida privada e da concomitante perda de liberdade em benefício da uniformização dos costumes, a análise do advento da “política literária”, a inspecção da “paixão irreligiosa” e do seu “espírito de propaganda”, etc. […]

  • António Bastos
    January 17th, 2008 at 15:22

    Tocqueville é imenso, um colosso. Quando o lemos está lá tudo. O seu capitulo, no livro II “De la démocratie en Amérique, sobre o “despotismo democrático” é duma actualidade aterradora. As críticas que ele faz à centralização administrativa deveriam fazer pensar essses malditos eurocratas que nos querem reduzir à servidão, só que eles, naturalmente, nunca o leram nem lerão. Os 200 anos do seu falecimento, em Nice, não deram azo à mínima celebração oficial, nem mesmo em França, porque será? Tocqueville relê-se incansavelmente e com a mesma satisfação com que o lemos pela primeira vez. Bem haja pelo seu testemunho de leitura e por relembrar esse génio.

  • “As críticas que ele faz à centralização administrativa deveriam fazer pensar essses malditos eurocratas que nos querem reduzir à servidão(…)”

    A mesma centralização administrativa que se vive neste país.

  • […] São, sem qualquer dúvida. Mas são porque também são uma obra-prima literária. Economia e Sociedade, de Max Weber, também é uma obra-prima da sociologia e da ciência política. Mas é uma chatice pegada. Não é o caso dos Souvenirs. […]

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