Friday, January 18th, 2008...0:05
My name is Eça, Eça de Queiroz
Nada como ler quem admiramos a escrever sobre quem admiramos: Michael Wood dedica umas páginas da London Review of Books a uma nova tradução dos Maias em inglês. Sabe do que fala, inclusive até do português (língua e etc).
Vejam estas duas passagens. Depois de descrever o realismo visionário e irónico de Eça e de ilustrar com uma descrição do Tejo e dos delicados habitáculos de Carlos da Maia, avança Wood:
But this place also, we know as we think about the soft light and the silk-covered sofa, is likely to suffocate us, and perhaps Eça de Queirós could not have written his novels there. He suggests this discreetly by having a talented and witty man in the book fail to write anything at all in spite of his many projects, and by having his hero, the above-named Carlos, become a doctor who scarcely practises and a scientific experimenter who doesn’t experiment. But is the place to blame? Or is it an elegant and agreeable excuse for failure? Does it merely offer a temptation to fail? What is the relation between culture and climate, and between climate and human achievement? Is there a relation? These are the questions the descriptions implicitly ask and leave floating. Lisbon and Portugal imply or at least mirror the lives of (some of) their rich and self-indulgent citizens. Or is it the other way round?
Ainda andamos revoltos com as perguntas (ou será com as respostas?), mas o Tejo continua plácido a cintilar, indiferente aos porta-contentores vindos da China como antes aos vapores vindos da Inglaterra.
O esforço de Maria Filomena Mónica fazer Eça brilhar mais em língua inglesa parece, em todo o caso, ir dando folhas. E se não convém esperar demasiado, dar demasiada importância a feitos mundanos; apesar de tudo - caramba! - desenfastia um bocadinho do fado (e não falo só da música) e futebol (e não falo só do jogo) que tem dominado o tratamento em inglês de Portugal.
PS - Sobre Fátima talvez eu próprio venha a escrever qualquer-coisinha, um dia destes…

1 Comment
January 19th, 2008 at 17:19
Quantas perguntas se nos soltam com a leitura dos Maias? Quantas perguntas fazemos na leitura de qualquer livro de um autor português? Precisamos ler e compartilhar, ou melhor, fazer mais crítica literária.
Leave a Reply