Friday, January 25th, 2008...1:42

Não sejam animais

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ManifestoANIMAL.org :: Pelo Fim dos Crimes Sem Castigo :: Animal.org.pt

A ANIMAL, organização não-governamental de defesa dos direitos fundamentais dos animais não-humanos, requer, nos termos da Lei n.º 92/95, de 12 de Setembro, ao Governador Civil de Viseu, ao Director Regional de Agricultura e Pescas do Centro, aos Comandantes do Grupo Territorial e do Destacamento Territorial da GNR de Viseu e ao Presidente da Câmara Municipal de Vouzela que intervenham nos termos da lei impedindo a violentação de um gato nas festas de Carnaval da aldeia de Campia, em Vouzela

 

Depois de, desde o início desta semana, ter corrido na Internet uma denúncia pública de crueldade contra um gato referente às festividades de Carnaval que se farão em Campia, concelho de Vouzela, essa informação chegou à ANIMAL através de diversas pessoas. Essa denúncia chegou também a diversos órgãos de imprensa, entre os quais o “Jornal de Notícias”, que hoje publicou um artigo acerca dos mórbidos planos da Comissão de Festas de Campia para fazer aquilo que surge descrito abaixo, conforme publicado no “JN”:

 

«[…]no dia de carnaval, os organizadores “caçam” um gato na rua e metem-no num cântaro de barro, onde fica fechado até à hora da festa. Depois, no largo da aldeia, há um mastro forrado com palha, e o cântaro é elevado por cordas, até ao cimo do pau altaneiro. No fim do desfile do carnaval é lançado o fogo ao mastro, que queima a palha e depois a corda que segura o cântaro. O púcaro de barro cai e desfaz-se em mil cacos. É então que o gato, sentindo-se livre, corre desnorteado, tendo ainda à perna foliões mascarados que o perseguem, alguns de paus e tenazes na mão, tentando apanhá-lo.» (In “Jornal de Notícias”, edição de 23/01/2008,http://jn.sapo.pt/2008/01/23/norte/crueldade_gato_abre_polemica_campia.html).

 


O primeiro passo da ANIMAL foi contactar a Junta de Freguesia de Campia a respeito deste caso, donde um funcionário não só confirmou que estas aberrantes festividades estão a ser planeadas para decorrerem nestes moldes como também adiantou que, parecia-lhe, a prática acima descrita não careceria de licença e é lícita. Tal bastou para que a ANIMAL, diante desta confirmação, avance com o segundo passo, que será enviar imediatamente um ofício a todas as autoridades regionais e locais – Governador Civil de Viseu, Director Regional de Agricultura e Pescas do Centro, Comandantes do Grupo Territorial e do Destacamento Territorial da GNR de Viseu e Presidente da Câmara Municipal de Vouzela – com uma denúncia formal dos referidos planos para a prática de um acto que, além de tremendamente cruel, é ilícito, com uma exposição sobre a ilicitude de um acto desta natureza e o seu enquadramento legal (nomeadamente quanto às sanções legalmente previstas para o mesmo), e requerendo a estas mesmas autoridades que, nos termos do art.º 10.º da Lei n.º 92/95, de 12 de Setembro, e nos mais previstos nos Decretos-Lei n.º 276/2001, de 17 de Outubro, com as alterações que lhe foram introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 315/2003, de 17 de Dezembro, accionem os meios necessários para impedirem esta barbárie que está publicamente anunciada, havendo tempo mais do que suficiente para, com a antecedência necessária, as mesmas autoridades notificarem formalmente a Comissão de Festas de Campia e a Junta de Freguesia desta localidade de que devem abster-se de cometer os actos que publicamente confessam pretender praticar.

 

Pela parte da ANIMAL, há que salientar dois pontos essenciais quanto a este caso:

 

·         em resposta a várias pessoas que o contactaram, o Presidente da Câmara Municipal de Vouzela refere que não tem poder, autoridade ou meios para impedir esta prática – quando, na verdade, as câmaras municipais, os seus presidentes e os seus médicos veterinários municipais estão especificamente definidos nos diplomas acima referidos como autoridades competentes para garantir o cumprimento das normas previstas na legislação vigente de protecção dos animais que a Comissão de Festas de Campia quer infringir –, o que mais uma vez mostra como as autoridades legalmente competentes para impedirem a violência exercida contra animais ilicitamente em Portugal de um modo geral não intervêm e não a impedem, seja por não saberem que deveriam intervir, seja por não quererem saber que deveriam intervir;

 

·         de uma vez por todas, cabe à Assembleia da República estabelecer uma nova e forte lei de protecção dos animais, que, a bem dos animais do país, olhando para as suas necessidades de protecção legislativa do presente e do futuro, deve ser formulada como um Código de Protecção dos Animais nos termos propostos no “Manifesto ANIMAL – Proposta Orientadora para um Código de Protecção dos Animais”, que a ANIMAL está a defender junto do Parlamento (e a promover e defender todas as semanas nas ruas de Lisboa e do Porto), pedindo aos deputados e grupos parlamentares que a adoptem enquanto projecto-lei para uma nova lei de protecção dos animais e que a aprovem urgentemente e de forma firme, para que os animais de Portugal possam, finalmente, vir a ter a protecção legislativa que merecem e que lhes é indubitavelmente devida, e para que seja enviada uma forte mensagem, sob a forma de lei, de que a crueldade não é admitida e é legalmente tratada como crime, para, entre outros destinatários, quem em Portugal escolha festejar o Carnaval perseguindo um gato, mantendo-o preso num cântaro suspenso por cordas, aquecendo esse mesmo cântaro num fogo que deverá queimar também as cordas que o seguram, para que o mesmo caia e se parta, de modo a que o pobre gato possa – se ainda conseguir – fugir, e para depois perseguir ainda o mesmo gato com paus e tenazes, tentando apanhá-lo.

 

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20 Comments

  • -Essa práctica acho-a de facto absurda, mas estes srs da Animal são os mesmos que querem proibir corridas de touros, algo que enquanto aficcionado não posso aceitar, para mais sendo apreciador de corridas espanholas, com a morte do touro na arena, mas tenho de me deslocar a Espanha pagando impostos lá, para poder apreciar o espectáculo. Ah, e também tenho lá por casa uns casacos de pele genuina, logo estes srs consideram-me um criminoso.

  • Margarida Pereira
    January 25th, 2008 at 9:32

    Comecemos por ‘ainda por sensibilizar’. Nada de agressividades, porque, quantas coisas todos nós fazemos que aos olhos de outros são censuráveis, pecaminosas, ‘demoníacas’, até…
    O sofrimento de qualquer ser vivo deveria ser evitado e, quanto aos animais, dependentes dos humanos, a ser imprescindível (alimentação, p.ex.), deveria ser minimizado.
    Lembro muitas vezes as preces dos nativos à natureza (os ameríndios são os mais conhecidos) e o respeito pelos ‘irmãos’ animais que caçavam…
    Depois de sabermos o que os animais sofrem às mãos dos nossos semelhantes, não há desculpas.
    Espetar touros será assim tão ‘divertido’?…
    Ter animais de estimação ajuda-nos a compreender um mundo de ’sentimentos’ muito similar ao nosso, acredite…

  • Paulo, obrigada.

  • Com certeza que este acto é bárbaro. Não ponho isso em causa.
    Mas custa-me ver que por vezes, estes defensores acérrimos dos direitos dos animais, são a favor do aborto, por exemplo…

  • Pois. Não posso deixar de manifestar em primeiro lugar a minha repugnância com este tipo de atitudes, gentes (ou deverei antes dizer animais?) e tradições - mais parece que estamos num país de gente bárbara e sem a mínima noção de civismo - e, em segundo, a minha concordância com o/a PR: realmente, estas pessoas são, normal e incongruentemente, a favor do aborto… Estranho não?

  • Margarida Pereira
    January 25th, 2008 at 15:49

    A nota do ‘PR’ já alertava, mas a afirmação da ‘Papoila’: (…)” realmente, estas pessoas são, normal e incongruentemente, a favor”(…) é manifestamente excessivo.
    Que sabemos nós efectivamente do que pensam além da causa em que, neste caso, militam?
    Uma associação tem pessoas com todo o tipo de ideias e credos, sendo que o que as une - no caso, os animais - as congrega em determinado objectivo (defendê-los).
    O resto é misturar assuntos e minimizar determinadas acções com pressupostos vagos, infundados e preconceituosos. Cada coisa em seu lugar. Isto com todo o respeito, é claro. Mas as divagações podem ser delicadas.

  • Paulo Pinto Mascarenhas
    January 25th, 2008 at 15:51

    Esta questão nada tem a ver com o aborto - e não faço ideia o que “estas pessoas” pensam sobre o tema. Estamos a falar de animais selvaticamente maltratados em nome da tradição. Espero que este tipo de tradições seja erradicado.

  • Curioso, não tenho dúvida que a maneira como tratamos os nossos animais é revelador do nosso carácter e do nosso estado civilizacional.
    O gosto de alguns por tudo o que é medievo é, no entanto, conhecido.

  • Acho isto aterrador, mas não menos do que a lei de excepção que existe em Barrancos para um punhado de gente se divertir a torturar um animal que, mesmo sendo um touro, tem com certeza os mesmos direitos que um gato.

    Não é por os gatos serem animais de estimação e os touros nem por isso que merecem mais. Nem menos.

    Aliás, este é um país que em nome das tradições faz muita porcaria. Até põe crianças a fumar. Enfim…

  • Tirando o facto de todos concordarmos que há algumas tradições que precisam de alguma mudança (e não falo das touradas, que felizmente estão bem de saúde), a Animal enquanto filial da Peta e com a mesma postura radical tipo “verde eufémia” não tem credibilidade para acusar ninguém de maus tratos ou seja do que for…
    Sejamos francos, o objectivo último da animal é que sejamos todos vegetarianos, que não tenhamos animais de estimação e vivamos num mundo de plástico… não obrigado!!!

  • O aborto foi apenas um exemplo e não houve qualquer tentativa de generalização.
    Só acho que por vezes, estas entidades se preocupam mais com os animais do que com as pessoas.
    Defendem direitos dos animais, reconhecem-lhes dignidade. Mas em certas causas fracturantes, onde estão em causa direitos de pessoas, infelizmente não adoptam o mesmo critério.

  • Margarida Pereira
    January 25th, 2008 at 17:46

    Não pertenço à ‘Animal’, mas defendo igualmente os bichos (todos) sempre que tal se justifica.
    A generalização é uma tentação na qual se escorrega sem nos darmos conta…
    ‘estas entidades’ têm um objectivo - no caso, defender os animais, logo, não será da sua agenda outras campanhas, militâncias ou causas. Isto parece simples e claro.
    Era a mesma coisa que acusarmos a ‘Amnistia Internacional’ de não se levantar contra as touradas, o tiro aos pombos, os animais nos circos e o exemplo aqui, mobilizador desta amável troca de opiniões.
    Tudo práticas edificantes, como se percebe.
    Dá que pensar lembrarmos os tempos dos circos romanos. E outros semelhantes. ‘Tradições’, também, nessa altura…
    Haja esperança. “The times, they are changing…”

  • It’s a freakin’ cat, for Christ sake!

  • Faltou o “’s”.

  • Margarida Pereira
    January 25th, 2008 at 23:43

    É um símbolo.
    É importante.
    Tempos houve em que semelhante exclamação foi ouvida em relação a seres humanos.
    Sensibilizai-vos, ó gentes…

  • Ana Paula Miraldo
    January 26th, 2008 at 14:58

    And just because it’s a freaking cat deve ser permitido ser enclausurado num jarro e depois perseguido??? Porque não experimenta estar no lugar do gato??? Isto é, infelizmente, o reflexo da sociedade em que vivemos, tudo se pode fazer BECAUSE IT’S JUST A FREAKING CAT. É por esta razão que se assiste à violência generalizada na sociedade actual, não é incutido no ser humano a sentido de decência, de respeito que se estende ao meio ambiente e ao animais. Quanto mais evoluídos somos, mais ignorante me parece o ser humano.

  • “É um símbolo.”

    Não é nada, é um gato.

    “Porque não experimenta estar no lugar do gato??? ”

    Não sou um gato.

    “É por esta razão que se assiste à violência generalizada na sociedade actual”

    É, é.

    “Quanto mais evoluídos somos, mais ignorante me parece o ser humano.”

    De acordo.

  • […] a mim, querida colunista, parece-me um título muito bom, precisamente por ter direito a citação crítica no Bomba Inteligente. Há animais e animais, é […]

  • […] manifesto da Associação Animal: Não sejam animais. Posted by C. Alexandra Filed in Animais Tags: Animais, gatos, tradições, […]

  • Depois do seu post, da reflexão a que ele nos conduz e da leitura de todos estes comentários, só me resta reforçar o que já aqui foi dito no comentário mais curto e mais rico:
    “Obrigada”

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