Wednesday, February 6th, 2008...22:55
Ali Assessores Cor de Rosa e os 300 despachos de Telmo Correia
Perdi a pachorra para os comentários disparatados - e quase todos anónimos - que por estes dias têm sido escritos nas caixas deste blogue a propósito dos 300 despachos do então ministro do CDS, Telmo Correia. Este é o tipo de notícia que se tivesse saído n’ O Independente, como aconteceu diversas vezes em relação aos governos do PSD, do PS e do PSD/CDS, levantaria um coro de protestos, mas contra os jornais - tablóide populista era a mais comum - e contra os jornalistas que as publicavam. O Público, de certa maneira, por investigar alguns episódios rocambolescos do passado do primeiro-ministro Sócrates, está a ser alvo do mesmo tipo de campanha negativa. Já que não se pode desmentir as notícias, tenta-se difamar os mensageiros.
Tenho mais que fazer do que aturar comentadores anónimos, entre os quais sei que se contam alguns assessores do actual executivo - são aliás facilmente identificáveis. Porque enquanto fui adjunto de dois curtos governos durante cerca de um ano, sempre me identifiquei como tal e assinei as minhas opiniões com todas as letras do meu nome no blogue O Acidental, que então fundei. Mas não tenho idade nem paciência para lealdades orgânicas e sempre mantive a minha opinião a propósito deste tipo de incidentes, que mais do que outra coisa demonstram alguma inabilidade na gestão corrente ou mais simplesmente inexperiência política.
Quanto a recordistas nacionais de despachos e também de nomeações de última hora, incluindo noitadas épicas nas vésperas da tomada de posse de novos governos, recordo apenas alguns casos, desde logo o do último de António Guterres, de que era ministro do Ambiente, José Sócrates. São exemplos aleatórios recolhidos através do Google, mas qualquer Salema ou congénere poderá deslocar-se a uma hemeroteca e reviver o passado em S. Bento:
“A estatística revela que, proporcionalmente, os socialistas fizeram mais nomeações durante o seu período de governação de gestão. À data e em 124 dias, o PS assinou 195 despachos de nomeação para cargos de direcção ou de livre escolha e 135 para gabinetes.” (in Expresso)
“O governo de gestão de António Guterres fez centenas de nomeações entre Dezembro de 2001 e as eleições de Março de 2002, razão que levou Santana Lopes a pedir aos socialistas “juízo” antes de apontarem o dedo às nomeações deste executivo para cargos públicos.” (in SIC)
“O PS acusa o PSD de ter feito mais de duas mil nomeações para cargos públicos, o que a seu ver não pode ser pois o PSD tem um governo de gestão. Mas a memória do PS é curta, pois esquece-se de que o eng.º Guterres, depois de se demitir do cargo de primeiro-ministro, fez mais de 1500 nomeações para cargos públicos.” (in Correio da Manhã)
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1500 nomeações, leram bem. Mais 1200 do que os despachos nocturnos de Telmo.

10 Comments
February 6th, 2008 at 23:02
vitória de PPM por 1200 pontos.
February 6th, 2008 at 23:04
-Por vezes brinco com estes episódios, que na realidade nos devem é dar que pensar. Porque será que as assinaturas do Telmo Correia vieram a lume agora, que existiam por aí uns problemas com assinaturas do primeiro ministro? Quando Telmo foi candidato á CML, não seria mais oportuno visá-lo? Será estratégia, ou coincidência?
February 6th, 2008 at 23:07
Mas a questão é: se todos cometem crimes, o crime passa a ser legal?
E mais, regressando ao seu texto no “meia-hora”: a culpa é do Estado? A culpa é da lei?
Não é por gritar muito alto que perdeu a pachorra que ganha razão.
O meu filho de 9 anos também se desculpava sempre com os outros meninos ….
February 6th, 2008 at 23:17
Todo o poder corrompe. O poder absoluto corrompe absolutamente. Quer o linque, Salema? É de Lord Acton em carta ao Bispo M.Creighton. Descobre também no google. Mais alguma literatura: Se os homens fossem anjos: A ambição dos Federalistas era totalmente diferente. “Se os homens fossem anjos” — escreveu James Madison no Federalista 51, parecendo estar a responder a Rousseau –“os governos não seriam necessários. Se os anjos governassem os homens, não seriam necessários controlos externos nem internos sobre o governo.” Isto significa que não há poder político perfeito, não há paraíso terrestre.
Daí, Madison conclui que, “ao criar um governo administrado por homens sobre homens, a grande dificuldade reside nisto: primeiro, é preciso dar condições ao governo para controlar os governados; e, logo a seguir, obrigá-lo a controlar-se a si próprio”.
Posso dar-lhe mais alguma literatura para pesquisar por si próprio.
February 6th, 2008 at 23:35
Pois claro, com uma literaturazinha, um arrependimento e uma confissão, resolve-se tudo.
PPM: Não vem tudo no Google.
February 7th, 2008 at 0:07
Inabilidade na gestão e inexperiência política?
É que não é um caso!Portucale,submarinos,milhares de fotocópias (de que será…)casino…
Eu estive cinco anos em exercício,passaram doze anos desde que terminou o meu mandato,nunca fui chamado a lado nenhum, nem nunca foi colocada qualquer dúvida acerca das minhas decisões e isso não impediu que você inventasse inquéritos,investigações e que escrevesse estórias jornalísticas sobre mim durante tres semanas,sem nunca me ter contactado!
E agora é uma coisinha? Haja pudor!
Há actos que nos perseguem toda a vida!Quem diria que em apenas dois anos e meio ,feitos governo,estejam sujeitos a tantas dúvidas!
February 7th, 2008 at 0:09
Mas qual arrependimento e qual confissão, Duarte Salema? Convinha que olhasse primeiro para si e se identificasse aos leitores desta caixa. Talvez você é que precise de ser arrepender dos disparates que escreve. É verdade, não vem tudo, mas talvez vc pudesse aprender alguma coisa, rapidamente e sem maiores dificuldades.
February 7th, 2008 at 0:17
Caro Paulo,
ainda bem que referiu o caso do Dr. Telmo Correia neste blogue. Fica-lhe bem dar a mão à palmatória, apesar de notar o enorme esforço em branquear a comparando situações incomparáveis… mas adiante. Afinal quem não se sente não é filho de boa gente.
Fique bem.
February 7th, 2008 at 0:38
Luís Moreira, nada me persegue a mim. Se quer ir a tribunal, convoque-me que eu lá estarei. Perante os insultos e as calúnias que anda por aí a disseminar, qualquer dia sou que o levo a si a tribunal. Tenho algumas anotadas e lincadas.
João do Balde de Lixo, agora sou eu que estou a branquear? E as situações são incomparáveis? Porque será? Este é o meu último comentário porque esta conversa não tem qualquer interesse e já se percebeu a opinião de cada um, nomeadamente de pessoas a que não dou qualquer crédito, quanto mais para virem para aqui darem aulas de ética ou de moral. Passem bem com as vossas consciências que eu passo muito bem com a minha.
February 11th, 2008 at 9:42
[…] tinha escrito que os assessores governamentais também andam por aí na blogosfera, descendo até ao ridículo do insulto nas caixas de comentários. Sempre anónimos, como convém. […]