Monday, February 11th, 2008...22:13

Change

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Sempre gostei muito de ler os textos do André Abrantes Amaral, seja aqui neste blog como n’O Insurgente, mas devo dizer que a sua nova paixão política, um conto de fadas com um protagonista chamado Obama, deixa um pouco a desejar.

O HO já aqui desmontou muitas falsas ideias que andam ainda gravitam na cabeça de muitas pessoas sobre o candidato, mas o mais interessante no post do André foi a frase final: “Porque o que é preciso mesmo é mudança.” A palavrinha change, que já foi levada até à exaustão por Clinton em debates e anúncios e que Romney não se cansou de gritar pela Florida e na California, não é particularmente nova neste contexto de eleição presidencial. Obviamente, o estilo da próxima administração será claramente diferente da Administração Bush. Confesso a minha perplexidade ao ler comentários que sugerem que McCain será um paladino do actual status quo e que não irá assumir uma abordagem diferente. Ninguém se recorda de 2000? Aliás, se formos a ver as estatísticas dos votos de várias primárias, McCain consegue o voto dos que mais apoiam a actual estratégia no Iraque, bem como aqueles que se mostram muito descontentes com esta. Será que isto não é um indício de uma candidatura que promete mudar as coisas?

33 Comments

  • Por falar em “change”:

    http://marcambinder.theatlantic.com/archives/2008/02/the_dnc_v_john_mccain.php#more

    2002: “I believe that the sucess will be fairly easy”

    2006: The American People “where led to believe this could be some kind of day at the beach”

    Pois é…

  • jorge a.,

    Aconselho-o a ser um pouco mais desconfiado quanto às peças de propaganda produzidas pelo DNC. Ou pelo RNC, lá por isso. O melhor é ser muito céptico quanto a qualquer uma que coloque em contraste frases isoladas e descontextualizadas.

    http://www.factcheck.org/elections-2008/smear_or_be_smeared.html
    “The Democratic National Committee proposes to spend unlimited amounts of money to “tell the real story” about John McCain before Republicans can “start smearing” the eventual Democratic nominee. But the line of attack the Democrats outline to their potential donors in an e-mail contains some claims that are false or misleading.”

  • “The DNC plans “unlimited” spending against McCain; some of its claims are misleading.”

    “Some”, not all. No caso citado, McCain terá certamente muito que explicar-se (embora o video seja claramente pura propaganda).

    “O melhor é ser muito céptico quanto a qualquer uma que coloque em contraste frases isoladas e descontextualizadas.”

    Poderemos falar sobre o que McCain fez a Romney na campanha actual?

  • jorge a.

    Se acha que McCain tem alguma coisa que explicar sobre o seu posicionamento quanto à guerra do Iraque, não sei o que lhe diga…

    “Poderemos falar sobre o que McCain fez a Romney na campanha actual?”

    Acho que quer dizer “o que o Romney pré-campanha (ou o Romney de quando ainda não se sabia se a Surge do McCain iria funcionar) fez ao Romney da campanha”.

  • “Se acha que McCain tem alguma coisa que explicar sobre o seu posicionamento quanto à guerra do Iraque, não sei o que lhe diga…”

    Não é sobre o posicionamente, esse sempre foi claro. Mas sobre os objectivos, a progressão e os resultados da mesma.

  • “Mas sobre os objectivos, a progressão e os resultados da mesma.”

    1 - Afirmou sempre que a vitória militar sobre o aparelho militar do regime de Saddam seria fácil.
    2 - Discordou desde o início com a estratégia militar de Rumsfeld e de Bush para o day-after. Preconizou um aumento do número de tropas no terreno e uma nova estratégia de contra-insurgência.
    3 - Não alterou as posições mesmo quando estas se tornaram altamente impopulares (quer a crítica a Rumsfeld quanto tudo parecia correr bem, quer o apoio a Bush quando tudo parecia correr mal).
    4 - Quando a Casa Branca finalmente colocou em prática a sua estratégia, e numa altura em que quase todos davam o Iraque como um caso perdido, foi o mais forte e vocal apoiante do Gen. Petraeus.
    5 - “Al-Qaeda in Iraq faces an “extraordinary crisis”. Last year’s mass defection of ordinary Sunnis from al-Qaeda to the US military “created panic, fear and the unwillingness to fight”. The terrorist group’s security structure suffered “total collapse”.
    These are the words not of al-Qaeda’s enemies but of one of its own leaders in Anbar province — once the group’s stronghold. They were set down last summer in a 39-page letter seized during a US raid on an al-Qaeda base near Samarra in November. ”
    http://www.timesonline.co.uk/tol/news/world/iraq/article3346386.ece

  • “Afirmou sempre que a vitória militar sobre o aparelho militar do regime de Saddam seria fácil.”

    Mas ao mesmo tempo que afirmava isso, nunca disse que que após a derrota de Saddam viria o que veio. Ou seja, ele foi um dos que “led [the american people] to believe this could be some kind of day at the beach”

    Já agora - e porque o meu comentário sobre o assunto ficou pendente - na outra caixa de comentários quando diz sobre Obama:

    “Há dias ouvi-o a prometer habitações grátis para todos os veteranos. Sabe quantos veteranos existem nos EUA?”

    Está aqui a noticia:

    “The Illinois senator said he would introduce legislation that he calls Homes for Heroes, which would establish grant and voucher programs to encourage development of affordable housing targeted for veterans.

    “Veterans are far more likely to be homeless than nonveterans and part of it is because we’re not providing services to them as they transition out of the service,” Obama said in an interview Friday before a campaign rally. “Part of it is because there is just not enough affordable housing.”

    The Department of Veterans Affairs estimates that as many as 200,000 are living on the streets or in shelters and perhaps twice as many are homeless at some time in the course of a year.”

    Não me parece que a ideia seja tão má quanto o HO quer fazer passar. Já agora, sabe quanto custou e custa a guerra do Iraque ao contribuinte norte-americano? Como foi financiada? Consequências da forma de financiamento? Não tarda e estou a citar Ron Paul…

  • “Está aqui a noticia:”

    Deixe-me adivinhar: também “não tinha dado” por essa.

    É uma casinha para cada veterano e uma educação universitária “world-class” para cada americano.

    “Já agora, sabe quanto custou e custa a guerra do Iraque ao contribuinte norte-americano? Como foi financiada?”

    Sei isso tudo mas não tenho paciência para argumentos demagógicos do género “e o dinheiro que se gastou na guerra dava para pagar a conta da mercearia aos pobrezinhos”.

    Aliás, qual é afinal a posição do Obama quanto ao Iraque? Pelo que percebo, defende a retirada, mas reserva-se o direito de não a executar se for eleito presidente. Ou seja, retirará as tropas o mais depressa possível, excepto se isso acarretar consequências terríveis, caso em que já não defende a retirada, a mesma retirada que patrocina agora, mas que poderá não defender depois, principalmente se resultar em violência. Em suma, irá ordenar a retirada das tropas do Iraque excepto se não ordenar a retirada das tropas do Iraque.

  • Eh, eh, eh…..Obama confunde os restos das desbaratadas hostes neoconeiras… Não basta falar em “change”, isso todos podem fazer. É preciso ter credibilidade ao fazê-lo e aí não há spins que valham a qualquer politico lateiro. É preciso carisma. É preciso ser OBAMA, em suma. Ele NUNCA apoiou a criminosa cruzada no Iraque (1 milhão de mortos). Por isso tem autoridade moral. Prometeu que em 18 meses todas as forças US abandonarão o Iraque e que dialogará com o mundo islâmico. É isso que os americanos querem. Os dois triliões já estourados ou comprometidos com o fiasco iraquiano fazem muita falta à economia em pantanas. Porque os states JÁ NÃO são a grande potência que eram. Não têm mais soldados para enviar para a frente e os que lá estão estão atolados, representando um chumbo que puxa a economia americana para o abismo. O dólar está a ser destronado pelo EURO (Hurrah!) e só há um caminho para os cruzados que profanam terras islâmicas: OUT, pelo seu pé ou em bodybag…

    Neoconeiros, podem começar a saltar do Titanic bushista, já de popa na vertical. Bora, suas ratazanas… até a barraca OBAMA !

  • Caro HO,

    «««Sei isso tudo mas não tenho paciência para argumentos demagógicos do género “e o dinheiro que se gastou na guerra dava para pagar a conta da mercearia aos pobrezinhos”.»»»

    pois, mas não era por esse prisma que eu estava a abordar a questão, daí a referência a Ron Paul.

  • «««Deixe-me adivinhar: também “não tinha dado” por essa.

    É uma casinha para cada veterano e uma educação universitária “world-class” para cada americano.»»»

    Mas caro HO, eu não dúvido do socialismo de Obama, acho é que as ideias defendidas por Obama são menos malignas que as de Hillary Clinton. E acho que McCain, sobretudo com a sua defesa acérrima da guerra no Iraque, não é melhor. Depois acho que Obama vai para além das ideias que defende, representa algo de diferente na relação entre os cidadãos e a politica, e proporcionará uma alteração na forma como o mundo actualmente olha para a América - e isso faz toda a diferença.

    Também acho que por norma o partido republicano era dos dois partidos o mais isolacionista, a guerra do Iraque representou uma alteração de paradigma que não caiu bem ao partido. Com a escolha de McCain, os republicanos mostram que não perceberam o que se passou nos últimos anos.

  • “(Obama) proporcionará uma alteração na forma como o mundo actualmente olha para a América - e isso faz toda a diferença.”
    “Com a escolha de McCain, os republicanos mostram que não perceberam o que se passou nos últimos anos (Iraque)” - jorge a.

    Ora aqui está um comentador que percebe da poda…
    Bingo !

  • “proporcionará uma alteração na forma como o mundo actualmente olha para a América - e isso faz toda a diferença.”

    O jorge acredita mesmo nisso?
    É espantoso como as pessoas, mesmo as que parecem não ser completamente tolas, são dadas a acreditar em milagreiros que virão em dia de nevoeiro.

    O olhar antiamericano sobre a América, meu caro, não depende absolutamente nada do que a América faz, mas daquilo que é.

    Há toda uma vasta bibliografia sobre o tema.

    Eu, por mim, ainda me recordo da “melhoria” do olhar sobre a América, na era Carter.

    Os nossos inimigos olham-nos sempre melhor quando nos pomos de gatas.

  • E, na era Carter, a América era uma potência voluntariamente de gatas, gozada por todo o pagode e aplaudida pelos seus inimigos.

  • “O jorge acredita mesmo nisso?
    É espantoso como as pessoas, mesmo as que parecem não ser completamente tolas, são dadas a acreditar em milagreiros que virão em dia de nevoeiro.”

    Mas acha que a candidatura de Obama se resume à sua pessoa e às suas ideias? O próprio slogan da campanha de Obama, o “yes, we can”, sabe como foi traduzido pela campanha de Hillary? “yes, she can”. Acho que é fácil perceber que a existir milagreiros nesta campanha, não é propriamente Obama.

    “O olhar antiamericano sobre a América, meu caro, não depende absolutamente nada do que a América faz, mas daquilo que é.”

    O José Carmo acredita mesmo nisso?
    Acha mesmo que a guerra do Iraque não piorou a situação dos americanos aos olhos do mundo. É que a América faz e é muita coisa, e nem tudo o que faz e é, é bom.

    E depois Obama não representará só uma melhoria na forma como o mundo olha para a América, traduzirá também uma melhoria na forma como os americanos olham para a América.

  • “E, na era Carter, a América era uma potência voluntariamente de gatas, gozada por todo o pagode e aplaudida pelos seus inimigos.”

    Qual a sua descrição da américa actual de George W.Bush jr?

  • “Qual a sua descrição da américa actual de George W.Bush jr?”

    Lutando numa guerra que lhe foi declarada.

  • E, caro jorge, quando ao carácter do antiamericanismo, uma boa leitura introdutória, na qual são dissecados com brilhantismo os “argumentos” mais comuns ( incluindo esta sua crença de que tem a ver com as políticas), é “A obsessão antiamericana” de J. F Revel.

    Um bom livro, com um a análise profunda do problema, é “A Era americana” de Robert Lieber.

    Claro que se preferir alinhar pelas diatribes de Chomsky, nenhum argumento racional o demoverá.

    As paixões são cegas e as crenças que delas decorrem, inamovíveis.

  • “Qual a sua descrição da américa actual de George W.Bush jr?”

    O JC por compreensível pudor não responde..

    Mas respondo eu. A América do macaco Bush está de gatas, falida, impotente, a piar baixinho, e com os fundilhos mais arrebentados que o chapéu de um pobre…

    Todos montam essa rameira badalhoca, mesmo os maltrapilhos das grutas de Tora-bora, ou os cabeças de pano dos desertos iraquianos… Um espectáculo lastimoso. Mais baixo que isto não se pode descer. Obama vai por fim a esta descida aos infernos da abjecção neo-coneira.

  • “Mas caro HO, eu não dúvido do socialismo de Obama, acho é que as ideias defendidas por Obama são menos malignas que as de Hillary Clinton.”

    Percebo, mas porquê? Eu acho que a Clinton é, pelo menos, séria. Pode fazer promessas socialistas que, concretizadas, seriam catastróficas, mas, quando o faz, é concreta: explica que financiamentos aumentará, como, quanto, quando, em que programas. O Obama limita-se a falar de bilhões com uma prodigalidade estarrecedora, prometendo tudo a todos. É complicadíssimo construir um spend-o-meter para o Obama precisamente por causa disso. A meu ver, esta é uma forma completamente desonesta de fazer política - e também neste sentido, Obama representa o pior da política.

    No limite, concedo que para os contribuintes americanos, uma administração Clinton seria tão má como uma administração Obama - e estou a ser caridoso para este. Para o resto do mundo, e tendo em conta a realidade dos votos e das posições de cada um, Clinton seria, de muito longe, a menos má.

    ““Com a escolha de McCain, os republicanos mostram que não perceberam o que se passou nos últimos anos (Iraque)””

    Acho que demonstram perceber que ele sempre teve razão nas críticas que fez à condução da guerra. Mais do que isso, demonstram perceber o que se está a passar no Iraque agora.

  • “Aliás, qual é afinal a posição do Obama quanto ao Iraque? ”

    Mas ninguém responde a isto?

  • “Mas ninguém responde a isto?”

    Caro HO, você fez a pergunta e deu a resposta:

    “Aliás, qual é afinal a posição do Obama quanto ao Iraque? Pelo que percebo, defende a retirada, mas reserva-se o direito de não a executar se for eleito presidente. Ou seja, retirará as tropas o mais depressa possível, excepto se isso acarretar consequências terríveis.”

    A vantagem de Obama nesse campo sobre McCain não é o que defende agora - acho aliás que a retirada total dos soldados norte-americanos do terreno seria catastrófico, e Obama não o irá fazer. A diferença entre os dois está no inicio da guerra. Um apoiou e o outro foi contra - aliás a minha critica a McCain nem é tanto o facto de ter sido a favor da guerra, é o facto de hoje ainda continuar a assumir a guerra como a decisão correcta na altura. McCain enquanto presidente terá de lidar com uma situação que concordou desde o inicio, Obama terá de lidar com uma situação que nunca teria criado.

    No 60 minutos:

    “And you pull out according to that time table, regardless of the situation? Even if there’s serious sectarian violence?” Kroft asked.

    “No, I always reserve as commander in chief, the right to assess the situation,” Obama replied.

    Mas o debate sobre a guerra do iraque entre McCain e Obama a acontecer, será certamente interessante.

  • “Percebo, mas porquê? Eu acho que a Clinton é, pelo menos, séria. Pode fazer promessas socialistas que, concretizadas, seriam catastróficas, mas, quando o faz, é concreta: explica que financiamentos aumentará, como, quanto, quando, em que programas.”

    Vou recorrer ao The Daily Dish do Andrew Sullivan e do artigo de James Pethokoukis:

    Obama…is a plausible pragmatist. His domestic policy advisers are hardly a radical bunch. One economic adviser, Jeffrey Liebman of Harvard, has coauthored an interesting compromise plan on Social Security that would raise taxes a bit, extend the retirement age a bit, and put a bit of money into personal retirement accounts.

    Or look at Obama’s tax plan. In addition to new middle-class tax credits, it has a technocratic reform proposal that would make filing many tax returns easier by letting the Internal Revenue Service fill them out in advance. And the economist who devised the plan, the University of Chicago’s Austan Goolsbee, is no class warrior on taxes or China basher on trade. Don’t forget, too, that in his book The Audacity of Hope, Obama himself found a few kind words for President Reagan’s 1981 tax cuts, which slashed the top marginal rate to 50 percent from 70 percent, saying that the old sky-high rate did “distort investment decisions.” Sounds pretty pragmatic.

  • “A diferença entre os dois está no inicio da guerra”

    O passado, portanto!

    Acontece que mesmo quanto a isso, McCain esteve bem e Obama mal.
    Porque, como o HO já lhe explicou, a guerra foi um sucesso e a vitória esmagadora.
    O que não correu tão bem, não foi a guerra foi o pós-guerra, meu caro.

    Assim sendo, a ( na sua opinião) grande visão do Obama ( que, julgo eu, nem sequer era senador e por isso não tinha voto na matéria), reduz-se a nada.

    Aliás, recordo-me que eu próprio era contra a contratação do Berjecio.

    Sou um gajo de visão, mas ninguém me ouve…

  • Afinal parece que o Berjecio não foi contratado, mas sim o Berjessio.

    Houve aqui uma “change”, porque “yes, we can”.

    P.S. Quando vejo gente supostamente inteligente a recitar de forma babada, estribilhos pueris, lembro-me logo das ovelhas do Animal Farm.

  • jorge a.,

    Verifico com agrado que estamos de acordo quanto à posição do Obama sobre a guerra: ou retirará ou não retirará. Cumprirá um calendário ou não cumprirá um calendário. Depois de ser eleito, logo nos dirá. Ou então não diz. Ou seja, para já, não sabe. Ou, se sabe, não conta. Curiosamente, assaltam-me umas desconfortáveis reminiscências, umas ténues recordações de promessas feitas pelo Obama no sentido de uma retirada imediata e - certamente equívoco meu - até votos nesse sentido. Suponho que o slogan da “change” não é assim tão vazio quanto isso.

    “A diferença entre os dois está no inicio da guerra!”

    Ah, desculpe-me, julgava que Obama era o candidato do futuro. Afinal o essencial encontra-se há 6 anos atrás.

    “McCain nem é tanto o facto de ter sido a favor da guerra, é o facto de hoje ainda continuar a assumir a guerra como a decisão correcta na altura”

    Que quer, ainda há políticos capazes de cometer a idiotice de não reconhecer como boa uma tese com a qual não concordam - por muito popular que esta seja.

    “A vantagem de Obama nesse campo sobre McCain não é o que defende agora”

    Pois não, é o que vai defendendo, sem restrições cronológicas. Repare que ao EuroLiberal o Obama “prometeu que em 18 meses todas as forças US abandonarão o Iraque”, a alguém como eu promete que “não cumprirá um calendário de retirada”. A vantagem de Obama é que defende tudo e o seu contrário - esteve de acordo com Edwards, agora apresta-se a estar de acordo com McCain. No fundo, admiro-lhe a coerência: veja-se o pararelismo com a educação. Também aí ele promete uma maior aposta no ensino privado, mais fundos e mais qualidade no ensino público, melhores professores, mais professores, professores mais bem pagos, universidade para todos, acesso prioritário às universidades para os pobres, universidade de borla para os bons alunos, ensino gratuito para as minorias étnicas. Como? Simplesmente “porque podemos”. No Iraque, como na educação, Obama tem sempre qualquer coisa para cada um de nós: para o Euroliberal, tem a retirada programada e vai beber uns copos com os Mullah, para mim, não se compromete com calendários de retirada, para o Rumsfeld, vai bombardear o Paquistão e enviar tropas para o Sudão. Aquilo da “Hope” começa a fazer sentido: podemos ter sempre a esperança que, mais tarde ou mais cedo, o Obama concorde connosco.

    “Vou recorrer ao The Daily Dish do Andrew Sullivan e do artigo de James Pethokoukis:”

    Eu admito que o recurso a quasi-argumentos de autoridade seja, por vezes, inevitável, mas, no caso, confesso-me incapaz de compreender qual a relação dessas linhas do Pethokoukis e do hagiógrafo oficioso de Obama com aquilo que eu escrevi… Vamos ao concreto, para facilitar as coisas: o senador garantiu (sic) uma educação de topo (sic), do pré-escolar ao ensino universitário (sic), a cada americano (sic). Eu quero saber quais serão os custos disso e como será colocado em prática. Como compreenderá, a declaração de que umas frases de um livro de campanha têm uma sonoridade pragmática não me ajuda, . E quanto aos impostos, eu estou firmemente convencido que o Obama chegará a Novembro a defender uma baixa de impostos. Duvida? Tenha esperança.

    p.s. Entretanto, um reality-check: “The Wall Street Journal’s Steve Moore says Obama’s tax plan would add up to a 39.6 percent personal income tax, a 52.2 percent combined income and payroll tax, a 28 percent capital-gains tax, a 39.6 percent dividends tax, and a 55 percent estate tax.”

  • “Porque, como o HO já lhe explicou, a guerra foi um sucesso e a vitória esmagadora.”

    Mas qual foi o objectivo da guerra, explique-me lá?

    “O que não correu tão bem, não foi a guerra foi o pós-guerra, meu caro.”

    Mas acha que pode-se falar de pós-guerra a partir de quando? Do discurso do Bush no porta-aviões a congratular-se pela vitória norte-americana? Da descoberta de ADM? Ou do envio de mais soldados para lidar com uma situação de pós-guerra?

  • Caro José Carmo,

    “P.S. Quando vejo gente supostamente inteligente a recitar de forma babada, estribilhos pueris, lembro-me logo das ovelhas do Animal Farm.”

    Já que estamos numa de referências literárias, certamente já leu o Road to Serfdom do F.Hayek caro José Carmo. Não encontra alí nada de semelhante com o que Bush tem feito nos EUA? Nadinha de nada?

  • Bem, ó jorge, não tenho muito tempo para lhe explicar a diferença entre uma guerra e uma campanha de pacificação.

    Não sei, talvez o que se passou na Alemanha DEPOIS do fim da Guerra, o possa ajudar a perceber.
    Guerrilhas…ataques soldados americanos…atentados…
    Lembra-lhe alguma coisa?

    Na sua opinião, quando é que acabou a 2ª Guerra Mundial?

  • “certamente já leu o Road to Serfdom do F.Hayek caro José Carmo. Não encontra alí nada de semelhante com o que Bush tem feito nos EUA? ”

    Não sei se o jorge já leu a Constituição portuguesa …é que em estados de excepção ela prevê a instauração de uma ditadura temporária.
    Suspensão de direitos e liberdades, etc.

    Acha que o que se passou na América, não foi uma excepção?

    Bem…recordo-lhe que até o Nixon chegou a tabelar preços…..com mau resultado, diga-se, e o Roosevelt internou ums milhares de japoneses.

    Acha mal?

    Bem, imagine que um destes dias uma avião era desviado para o Estádio da Luz em dia de derby, e presuma o que se seguiria…

  • “Acha que o que se passou na América, não foi uma excepção?”

    É o perpetuar da excepção que é um problema.

  • HO,

    o seu comentário exige uma resposta mais detalhada, pelo que remeto para mais tarde - mas há certamente pontos de concordância entre a sua opinião e a minha (a mudança de Obama não advém das suas ideias, advém dos que o suportam). Só não concordo certamente na análise que parece fazer de McCain - tentarei explicar depois (mas acha mesmo que McCain tem um histórico limpo de mudança de posição sobre diversos assuntos?).

  • […] este ‘post’ para responder ao Bruno Gonçalves e, na medida do possível, ao leitor HO (um dos mais interessantes e oportunos comentadores da […]

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