Monday, February 11th, 2008...12:00

Um estilo de esperança

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O André Azevedo Alves pegou no que escrevi sobre a forma como Obama lida com o público e concluiu que tal pode ser perigoso. Embora concorde parcialmente com  o André Alves, julgo que devemos fazer algumas distinções.

Obama não é um político desconhecido, o seu programa eleitoral é do conhecimento público e não difere muito do de Hillary Clinton. Mais: Em alguns aspectos, como sejam na política de saúde, não está tão à esquerda quanto a ex-primeira dama. Embora não concorde com Obama e votasse McCain, ele não é um extremista, não é um comunista, não apela ao sentimento popular para impor uma ditadura. Não se propõe a nada que Hillary se recusasse fazer. Por que será então mais perigoso? Por que será Obama mais perigoso que Hillary se, com a eleição da mulher de Bill Clinton, os EUA seriam governados durante 28 anos consecutivos, por apenas duas famílias?

Só vejo uma razão. A forma como Obama faz política. Como ele toca no sentimento das pessoas. Fala com elas. Vamos ser sentimentais: Como apela ao que lhes vai na alma. Lhes fala ao coração. Os atinge, os cativa e os conquista.

Pode isto ser perigoso? Pode. Mas também pode ser um trunfo. E mais do que um trunfo, se trouxermos a técnica de Obama para Portugal, uma forma indispensável para mudar. Vivemos no fio da navalha. Todos os que não têm o privilégio do emprego certo no estado. Os que têm o seu negócio. Os que descontam para a Segurança Social, mesmo sabendo que nunca vão receber o quer que seja. Os que compram casa, porque a lei do arrendamento ainda não foi liberalizada. Os que têm pessoas a seu cargo e contam os tostões para pagarem os impostos e inúmeras outras contribuições ao estado. Os que vivem no interior e já não têm hospitais. Os que não conseguem pagar uma escola decente para os filhos. Todos os que o estado chula. Todos os que o estado abandona.

Para enfrentar estes problemas é preciso falar claro. Ser franco. Espontâneo. Desimpedido dos tiques da politiquice. É preciso fazer política. Ora, não podemos querer tudo isto e depois torcer o nariz a quem o faz. Queixar-nos que os cidadão se afastaram da política e criticar quem os cativa. Seja no estilo de Obama, ou no estilo de Ron Paul, que também apelou muito ao sentimento. Um estilo de esperança. Porque o que é preciso mesmo é mudança.

33 Comments

  • Bom post. Concordo.

    Vi o discurso de Obama que o André Amaral referiu. Parece-me que o homem é fabuloso, no estilo do dr Martin Luther King Jr. Nem mais, nem menos. O seu estilo é bom, tal como o estilo de Luther King o era. E não é por isso que Obama é perigoso. Luther King também discursava bem, e não era perigoso. Não é pelo facto de um homem discursar bem e fazer levantar as massas que ele é, automaticamente, perigoso.

    E, na bússola política que o PPM aqui nos apresentou, Obama aparece à direita, e mais liberal do que, Hillary Clinton. Logo, para o André Alves, deveria ser menos mau do que ela. Ou não?

  • “compram casa, porque a lei do arrendamento ainda não foi liberalizada”

    Disparate. Quem quer arrendar casa, não lhe faltam hipóteses. Há imensas casas para arrendar. Os preços são altos, mas nisso não há mistério nenhum: os preços de compra e venda também o são. O senhorio tem que realizar lucro!

    Se as pessoas hoje em dia não arrendam casas, não é por a lei do arrendamento não ter sido modificada, é simplesmente por os juros serem muito baixos.

    Se não acreditam em mim, comparem com a situação noutros países da Europa (Alemanha, França, etc). Lá, as pessoas hoje em dia também compram casa, apesar de as leis do arrendamento serem liberais. As pessoas compram casa em Portugal por exatamente a mesma razão do que na Alemanha: porque, com os juros tão baixos como estão, o podem fazer.

  • Hillary Clinton’s advisers in state of panic…

    http://www.telegraph.co.uk/news/main.jhtml?xml=/news/2008/02/09/wus509.xml

  • Paulo Pinto Mascarenhas
    February 11th, 2008 at 13:20

    Eu chamei-lhe compasso, LL - e mantenho porque é tão bom português como “bússola”. Compasso é uma palavra bem portuguesa, ainda que a sua invenção seja atribuída a Leonardo da Vinci.

  • Parabens pelo post.
    Obama é mudança e esperança. Era bom que os políticos cá, arrebatassem assim as multidões.
    É preciso dizer mais?

  • […] 11, 2008 Isso mesmo! Posted by hirudoid under Vitaminas   O André Abrantes Amaral dá-me uma ajuda naquilo que eu queria dizer quando escrevi […]

  • PPM, “compasso” é uma palavra bem portuguesa, tal como “compass” é uma palavra bem inglesa. Só que, têm significados totalmente diferentes, pelo que uma não é a tradução correta da outra. A palavra inglesa “compass” traduz-se em português por “bússola”. A palavra portuguesa “compasso” significa um instrumento de desenho.

  • André Azevedo Alves
    February 11th, 2008 at 15:26

    Bom post André.

    Estamos de acordo em quase tudo, excepto no (importante) pormenor do factor risco associado ao populismo (sem conotação necessariamente negativa) de Obama.

    Talvez eu esteja a subvalorizar o risco Hillary, mas creio que os anticorpos contra ela seriam uma espécie de seguro de vida para a liberdade nos EUA que não existirá com Obama…

  • “Obama não é um político desconhecido”

    No primeiro post desta série, o André linka um artigo sobre o Obama onde é apresentada uma mentira de dimensões cósmicas sobre o trabalho legislativo do senador, imputando-lhe a autoria de legislação para a qual ele não contribuiu - pelo contrário, foi um dos poucos senadores a votar contra. Duvido que o André soubesse isso. Aliás, o próprio Obama já publicitou como sua legislação que nem sequer existe.

    “Em alguns aspectos, como sejam na política de saúde, não está tão à esquerda quanto a ex-primeira dama.”

    Na maioria deles, está à esquerda de Clinton. Na política de saúde, enfim, é como discutir as vantagens e desvantagens do arsénio e da cicuta. Nem sequer há dinheiro para pagar os actuais programas, quanto mais os de Obama ou Clinton. A meu ver, a única diferença sensível é que a proposta de Clinton é mais evidente e, como tal, mais facilmente desmontável.

    “ele não é um extremista, não é um comunista, não apela ao sentimento popular para impor uma ditadura”

    Claro que não, mas que tem isso? Num discurso recente, o McCain explicou bem o que está em causa:
    “I know in this country our liberty will not be seized in a political revolution or by a totalitarian government. But, rather, as Burke warned, it can be “nibbled away, for expedience, and by parts.”"

    “Não se propõe a nada que Hillary se recusasse fazer”

    Falso. Sugiro, por exemplo, a leitura das respostas de ambos às questões colocadas pelo “Iowa Fair Trade Campaign”, um grupo de pressão anti-comércio livre. E uma análise ao voting record de um e de outro. Mas o exercício mais revelador será, porventura, a análise aos principais conselheiros de um e de outro e de quem gravita ao redor de cada uma das candidaturas.

    “Por que será Obama mais perigoso que Hillary se, com a eleição da mulher de Bill Clinton, os EUA seriam governados durante 28 anos consecutivos, por apenas duas famílias?”

    Os EUA são uma república; não é suposto a pertença a uma família ser relevante para o processo electivo, num sentido ou no outro. Nem consigo perceber o que pretende o André argumentar com isto.

    “A forma como Obama faz política. Como ele toca no sentimento das pessoas. Fala com elas. Vamos ser sentimentais: Como apela ao que lhes vai na alma. Lhes fala ao coração. Os atinge, os cativa e os conquista.”

    Ou seja, é um demagogo. Desde quando a mestria no domínio de tal arte passou a ser virtuosa?

    “Para enfrentar estes problemas é preciso falar claro. Ser franco. Espontâneo.”

    Tudo o que o Obama não faz. Falar claro e ser franco é dizer que os empregos perdidos na indústria automóvel em Detroit não regressarão e que os desempregados deverão esforçar-se por ganahar novas competências para poderem competir por novos empregos, não prometer o céu na terra. Concedo que é francamente menos inspirador.

    “Ora, não podemos querer tudo isto e depois torcer o nariz a quem o faz. Queixar-nos que os cidadão se afastaram da política e criticar quem os cativa.”

    Eu não quero tudo isso - o alargamento da participação democrática não é necessariamente uma boa coisa. Mas pode explicar porque nos devemos eximir de criticar quem cativa os eleitores com promessas não exequíveis? É claro que um político que tenha uma visão humilde e sensata da política pública e das suas limitações nunca poderá oferecer um leitmotif capaz de galvanizar e motivar as massas como o faz Obama.

    “Seja no estilo de Obama, ou no estilo de Ron Paul, que também apelou muito ao sentimento. Um estilo de esperança.”

    Certo, apesar de algumas diferenças: um assenta a campanha em slogans próprios para autocolantes , outro em slogans próprios para salmos evangélicos. No entanto, o público alvo é o mesmo: os simples que acreditam que os males do mundo podem ser rasurados por uma mudança nas políticas públicas e em messianismos mais ou menos difusos. “Spiritual seekers”, em qualquer dos casos.

    “Porque o que é preciso mesmo é mudança.”

    Soa a PREC.

    No essencial, a própria natureza inspiradora da mensagem de Obama é sintomática do perigo que encerra - porque Obama é, queira-se ou não, um político. O próprio lema da campanha, e especialmente aqueles leninismos do “propósito superior”, do “propósito superior comum a todos” que Berlin brilhantemente denunciou, são assustadores para qualquer pessoa sensata.

  • «E, na bússola política que o PPM aqui nos apresentou, Obama aparece à direita, e mais liberal do que, Hillary Clinton. Logo, para o André Alves, deveria ser menos mau do que ela. Ou não?»

    Olhe que não.

  • Até a barraca OBAMA !

  • […] do André Abrantes Amaral, seja aqui neste blog como n’O Insurgente, mas devo dizer que a sua nova paixão política, um conto de fadas com um protagonista chamado Obama, deixa um pouco a […]

  • Paulo Pinto Mascarenhas
    February 11th, 2008 at 22:45

    Essa da barraca Obama tem direitos de autor do Nuno Miguel Guedes no 31 da Armada, Euroliberal.

    LL, não interessa muito, mas pode seguir aquilo que viu nalgum jornal ou na maioria deles e traduzir por bússola. Para mim, o compasso traduz melhor a ideia - e a divisão, se quer saber, é mesmo desenhada a compasso. Vamos ser mais liberais (também) nas traduções e aceitar as dos outros sem argumentos de autoridade que não existem no caso, ok?

    By the way, belíssimo poste, André Abrantes Amaral.

  • […] Um estilo de esperança, André Abrantes Amaral, Blogue Atlântico […]

  • Caro HO,

    «««“Para enfrentar estes problemas é preciso falar claro. Ser franco. Espontâneo.”

    Tudo o que o Obama não faz.»»»

    Ora cá vai de novo:

    http://www.marginalrevolution.com/marginalrevolution/2008/01/a-few-thoughts.html

    “On economics, Obama was by far the best. Former Secretary of Energy, Bill Richardson, who performed poorly throughout the debate, said a carbon tax was a bad idea because it would raise prices to consumers which is why he supported cap and trade! Obama pointed our correctly that cap and trade would also raise prices but he nevertheless supported cap and trade because some sacrifices were necessary.”

    A declaração de Obama foi a seguinte:

    “I do disagree with one thing, though, that Bill said, and that is that on a carbon tax the cost will be passed onto consumers and that won’t happen with a cap-and-trade. Under a cap-and-trade there will be a cost. Plants are going to have to retrofit their equipment, and that’s going to cost money, and they will pass it onto consumers.”

    Se isto não é falar claro e ser franco, então não sei o que é caro HO…

  • “Aliás, o próprio Obama já publicitou como sua legislação que nem sequer existe.”

    Não é a primeira vez que o HO refere este ponto, mas curiosamente não vejo os adversários politicos de Obama a aproveitaram tal erro.

  • “A meu ver, a única diferença sensível é que a proposta de Clinton é mais evidente e, como tal, mais facilmente desmontável.”

    A de Clinton é mais desmontável porque é mais socialista, a de Obama por ser mais apelativa a uma certa direita, poderá cativar alguns republicanos a apoiarem-na. Aqui concordo com o André Azevedo Alves que o Obama configura-se muito mais perigoso. Clinton teria mais resistência, Obama mais facilmente entrará por certas franjas republicanas.

  • “Ou seja, é um demagogo. Desde quando a mestria no domínio de tal arte passou a ser virtuosa?”

    E Ronald Reagan era o quê então?

  • “Mas pode explicar porque nos devemos eximir de criticar quem cativa os eleitores com promessas não exequíveis?”

    Quais foram as promessa não exequíveis de Obama? Ainda não o vi a prometer 150 mil empregos…

  • “É claro que um político que tenha uma visão humilde e sensata da política pública e das suas limitações nunca poderá oferecer um leitmotif capaz de galvanizar e motivar as massas como o faz Obama.”

    Mas o eleitorado que Obama galvaniza não é muito diferente daquele que é galvanizado por Ron Paul… porquê? Ou Ron Paul não tem uma visão humilde e sensata da politica publica e das suas limitações?

  • “Ora cá vai de novo:”

    De novo porquê? Não tem outra? De qualquer maneira, e ficando por este tema, sabe o que também resulta num imposto? Os bilhões de dólares de subsídios que o ecológico Obama tem tentado fazer aprovar no Congresso destinados à indústria do “coal-to-liquid fuel/gas” - uma maneira tão cara de produzir energia que basicamente só foi colocada em prática na Alemanha nazi (rica em carvão e pobre em petróleo) e na África do Sul (sujeita ao embargo via apartheid). E muito pouco ecológica - a ideia é gastar carvão. Quem pagará estes delírios (e os lucros da indústria do carvão) também serão os contribuintes. Segundo o Obama, é em nome da “segurança nacional”. Por mero acaso, o Illinois é o maior produtor de carvão nos EUA.

    “Não é a primeira vez que o HO refere este ponto, mas curiosamente não vejo os adversários politicos de Obama a aproveitaram tal erro.”

    1 . http://www.barryobama.com/nuclear.html

    “I am not a nuclear energy proponent… the only nuclear legislation that I’ve passed has been to make sure that the nuclear industry has to disclose [radioactive leaks] and share that with local and state communities. I just did that last year.”

    2. http://www.nytimes.com/2008/02/03/us/politics/03exelon.html?ex=1359781200&en=565d207c11038b37&ei=5124&partner=permalink&exprod=permalink

    ” He has boasted of it on the campaign trail, telling a crowd in Iowa in December that it was “the only nuclear legislation that I’ve passed.”

    “I just did that last year,” he said, to murmurs of approval.

    A close look at the path his legislation took tells a very different story. While he initially fought to advance his bill, even holding up a presidential nomination to try to force a hearing on it, Mr. Obama eventually rewrote it to reflect changes sought by Senate Republicans, Exelon and nuclear regulators. The new bill removed language mandating prompt reporting and simply offered guidance to regulators, whom it charged with addressing the issue of unreported leaks.

    Those revisions propelled the bill through a crucial committee. But, contrary to Mr. Obama’s comments in Iowa, it ultimately died amid parliamentary wrangling in the full Senate.
    (…)
    Asked why Mr. Obama had cited it as an accomplishment while campaigning for president, the campaign noted that after the senator introduced his bill, nuclear plants started making such reports on a voluntary basis. The campaign did not directly address the question of why Mr. Obama had told Iowa voters that the legislation had passed.”

    Os adversários políticos do Obama não aproveitam o erro porque o Obama não comete erros. Nem mente descaradamente. Ele é diferente. E tem um culto.

  • “Ora cá vai de novo:”

    De novo porquê? Não tem outra? De qualquer maneira, e ficando por este tema, sabe o que também resulta num imposto? Os bilhões de dólares de subsídios que o ecológico Obama tem tentado fazer aprovar no Congresso destinados à indústria do “coal-to-liquid fuel/gas” - uma maneira tão cara de produzir energia que basicamente só foi colocada em prática na Alemanha nazi (rica em carvão e pobre em petróleo) e na África do Sul (sujeita ao embargo via apartheid). E muito pouco ecológica - a ideia é gastar carvão. Quem pagará estes delírios (e os lucros da indústria do carvão) também serão os contribuintes. Segundo o Obama, é em nome da “segurança nacional”. Por mero acaso, o Illinois é o maior produtor de carvão nos EUA.

  • “Não é a primeira vez que o HO refere este ponto, mas curiosamente não vejo os adversários politicos de Obama a aproveitaram tal erro.”

    1 . http://www.barryobama.com/nuclear.html

    “I am not a nuclear energy proponent… the only nuclear legislation that I’ve passed has been to make sure that the nuclear industry has to disclose [radioactive leaks] and share that with local and state communities. I just did that last year.”

    2. http://www.nytimes.com/2008/02/03/us/politics/03exelon.html?ex=1359781200&en=565d207c11038b37&ei=5124&partner=permalink&exprod=permalink

    ” He has boasted of it on the campaign trail, telling a crowd in Iowa in December that it was “the only nuclear legislation that I’ve passed.”

    “I just did that last year,” he said, to murmurs of approval.

    A close look at the path his legislation took tells a very different story. While he initially fought to advance his bill, even holding up a presidential nomination to try to force a hearing on it, Mr. Obama eventually rewrote it to reflect changes sought by Senate Republicans, Exelon and nuclear regulators. The new bill removed language mandating prompt reporting and simply offered guidance to regulators, whom it charged with addressing the issue of unreported leaks.

    Those revisions propelled the bill through a crucial committee. But, contrary to Mr. Obama’s comments in Iowa, it ultimately died amid parliamentary wrangling in the full Senate.
    (…)
    Asked why Mr. Obama had cited it as an accomplishment while campaigning for president, the campaign noted that after the senator introduced his bill, nuclear plants started making such reports on a voluntary basis. The campaign did not directly address the question of why Mr. Obama had told Iowa voters that the legislation had passed.”

    Os adversários políticos do Obama não aproveitam o erro porque o Obama não comete erros. Nem mente descaradamente. Ele é diferente. E tem um culto.

  • “Não é a primeira vez que o HO refere este ponto, mas curiosamente não vejo os adversários politicos de Obama a aproveitaram tal erro.”

    1 .
    “I am not a nuclear energy proponent… the only nuclear legislation that I’ve passed has been to make sure that the nuclear industry has to disclose [radioactive leaks] and share that with local and state communities. I just did that last year.”

    2.
    ” He has boasted of it on the campaign trail, telling a crowd in Iowa in December that it was “the only nuclear legislation that I’ve passed.”

    “I just did that last year,” he said, to murmurs of approval.

    A close look at the path his legislation took tells a very different story. While he initially fought to advance his bill, even holding up a presidential nomination to try to force a hearing on it, Mr. Obama eventually rewrote it to reflect changes sought by Senate Republicans, Exelon and nuclear regulators. The new bill removed language mandating prompt reporting and simply offered guidance to regulators, whom it charged with addressing the issue of unreported leaks.

    Those revisions propelled the bill through a crucial committee. But, contrary to Mr. Obama’s comments in Iowa, it ultimately died amid parliamentary wrangling in the full Senate.
    (…)
    Asked why Mr. Obama had cited it as an accomplishment while campaigning for president, the campaign noted that after the senator introduced his bill, nuclear plants started making such reports on a voluntary basis. The campaign did not directly address the question of why Mr. Obama had told Iowa voters that the legislation had passed.”

    Os adversários políticos do Obama não aproveitam o erro porque o Obama não comete erros. Nem mente descaradamente. Ele é diferente. E tem um culto.

  • [Tive de retirar os links do comentário anterior para que ele passasse o filtro. Bastará googlar as citações para encontrar os artigos completos.]

    “E Ronald Reagan era o quê então?”

    Reagan não era apenas um demagogo, mas olhe que eu não sou exactamente a pessoa mais indicada para utilizar esse tipo de falácia. Pelo que percebo, o próprio Obama simpatiza mais com Reagan do que eu.

    “Mas o eleitorado que Obama galvaniza não é muito diferente daquele que é galvanizado por Ron Paul… porquê? Ou Ron Paul não tem uma visão humilde e sensata da politica publica e das suas limitações?”

    Eu tentei explicar isso: por que, apesar das muitas diferenças, partilham uma lógica discursiva assente na existência de arranjos políticos perfeitos. Para lá de um certo onirismo: por exemplo, 90% das propostas de campanha de Ron Paul estão para lá das competências de um presidente (no último discurso que vi dele propôs, logo aos 30 segundos, a revogação de uma Emenda Constitucional).

    “Quais foram as promessa não exequíveis de Obama? Ainda não o vi a prometer 150 mil empregos…”

    Há dias ouvi-o a prometer habitações grátis para todos os veteranos. Sabe quantos veteranos existem nos EUA?

  • Peço desculpa pelos comentários duplicados, julguei-os eternamente perdidos na moderação.

  • “De novo porquê? Não tem outra?”

    Não, é como o HO com esta: “o próprio Obama já publicitou como sua legislação que nem sequer existe.”

    Mas fui atrás da história - o New York Times tentou dar destaque à mesma dia 3 de Fevereiro (porque será?):

    http://www.nytimes.com/2008/02/03/us/politics/03exelon.html?_r=1&oref=slogin

    A resposta da candidatura de Obama:

    http://factcheck.barackobama.com/factcheck/2008/02/02/fact_check_on_new_york_times_s.php

    Foi pena pouca gente ter percebido como isto era de imensa relevância caro HO. Quando o máximo que têm para tentar deitar abaixo Obama é isto, muito do sucesso do mesmo fica explicado.

  • “De novo porquê? Não tem outra?”

    Não, é como o HO com esta: “o próprio Obama já publicitou como sua legislação que nem sequer existe.”

  • Na net há um fact check no site do Obama sobre o assunto, mas acho que o meu comentário está pendente por causa de ter linkado o mesmo. De qualquer forma, é uma pena para o HO que os media não tenham dado a relevância a esse facto que o HO parece dar. Eu que tenho seguido atentamente o processo, nem tinha dado pelo artigo do NYT no dia 3 de Fevereiro (porque terão escolhido esta data?). Muito do sucesso do homem explica-se por isso, quando tão pouco há para lhe jogar à cara.

  • “Não, é como o HO com esta: “o próprio Obama já publicitou como sua legislação que nem sequer existe.””

    Não é importante, mas você confundiu um bocado as coisas. Da primeira vez, eu referia-me à reforma ética que, supostamente, e segundo os seus apoiantes e não o próprio, o Obama promoveu e fez passar no Senador.

    “Eu que tenho seguido atentamente o processo, nem tinha dado pelo artigo do NYT no dia 3 de Fevereiro (porque terão escolhido esta data?).”

    Eu sei que tem seguindo “atentamente” o processe e que, ainda assim, não “tinha dado pelo artigo”. Afinal, é um apoiante de Obama.
    Escolheram o dia 3 de Fevereiro por que há uma conspiração.

    “Muito do sucesso do homem explica-se por isso, quando tão pouco há para lhe jogar à cara.”

    Claro que há pouco para lhe jogar à cara, ele pouco fez. Mas é suposto que a política seja um pouco mais elevada do que isso. Francamente, não estou muito interessado nesse debate; se quiser apresentar as iniciativas legislativas do Obama que o levam a apoiar o senador, estarei disponível para as discutir. Idem para propostas políticas concretas (ou seja, excluindo vacuidades).

  • O homem sem ideias e a propósito do forum na Fundação Calouste Gulbenkian:

    “Taking a position that could help him win a general election, Sen. Barack Obama (D-Ill.) said in an interview that the federal government should experiment with charter schools even if some Democrats oppose the idea.”

  • Muito original, essa ideia das charter schools..

    “Taking a position that could help him win a general election”: parece-me uma boa razão.

    Entretanto
    - durante o primeiro ano no Senado, votou três leis que aumentariam a despesa do estado federal com a educação pública em $16B.

    - Como diz o jorge a., não prometeu 150 mil empregos, mas prometeu uma educação “world-class” a cada americano, do pré-escolar até à universidade:
    “we’re the party that will guarantee every American an affordable, world-class, life-long, top-notch education, from early childhood to high school–from college to on-the-job training.” Claro que sendo o Obama a fazê-la, trata-se de uma promessa exequível, porque o jorge a., que tem acompanhado “atentamente” o processo, assegura-nos que o Obama não faz promessas inexequíveis.

    - prometeu contratar 25.000 novos professores só para o Illinois.

    - diz constantemente que os professores são mal pagos, lançando de vez em quando a questão “porque não pode um professor ganhar $100,000?”

    - quer colocar o estado a substituir os bancos nos empréstimos aos estudantes.

    - bilhões para o ensino pré-escolar: “that’s why I’ve said that I’m going to put billions of dollars into early childhood education that makes sure that our African-American youth, Latino youth, poor youth of every race, are getting the kind of help that they need so that they know their numbers, their colors, their letters.” (o à vontade com que ele fala dos “billions” é extraordinário).

  • $16 B por esse plano todo? é barato!

    Compro já!

    “o à vontade com que ele fala dos “billions” é extraordinário”
    O deficit está em centenas de B devido à guerra…também achei extraordinário como as Houses votavam à vontade este investimento não reprodutivo.

    p.s. dá-lhe Jorge!

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