Wednesday, February 13th, 2008...11:33
Um estilo de esperança (2)
Serve este ‘post’ para responder ao Bruno Gonçalves e, na medida do possível, ao leitor HO (um dos mais interessantes e oportunos comentadores da blogosfera).
O Bruno diz que nutro uma nova paixão política por Obama. Não é totalmente verdade. Gosto do político, não das suas políticas. Confesso que gosto de coragem na política, do charme, de quem tem ‘jogo de cintura’, mas não perde a pose, como Hillary a perdeu com a sua lágrima furtiva antes de New Hampshire. Gosto de classe. Por isso, gostei de Reagan, de Thatcher e de Sá Carneiro. De quem não tem medo de falar às pessoas, não as receia, porque ao não as recear não teme ter que as enfrentar. Além do mais Obama tem a vantagem de permitir à América o ultrapassar de vez as polémicas que marcaram a geração de 60. Conseguir isto não é qualquer que consegue.
Apoio McCain da mesma forma que o apoiava em 2000, precisamente por ser diferente de Bush. Bem sei que, caso vença, a mudança será também a pedra de toque da sua Administração. Há, no entanto, dois pontos que tenho de salientar: O primeiro, que arrisco ao dizê-lo, é a derrota de McCain frente a Obama; o segundo, mais certo e pertinente, consiste em lembrar o Bruno que quando escrevi ‘o que é preciso mesmo é mudança‘, me referia a Portugal e à extrema necessidade de um político falar claro à pessoas. Que só as cativando, lhes falando ao coração, lhes tocando no fundo da alma, é possível dar a volta à situação periclitante em que nos encontramos. Que se não for dessa forma, o próximo governo do PSD (pouco importa se com ou sem o CDS) será semelhante ao último e igual ao PS.
HO desmonta, por seu turno, o programa de Obama. E fá-lo bem. Também lembra que McCain apoiou a intervenção no Iraque, mas seguindo uma estratégia militar diferente da de Rumsfeld e Cheney. Deve-se, aliás, à persistência de McCain o facto de uma revista como a American Interest (cuja leitura bimestral é altamente recomendável) especular agora sobre uma futura vitória norte-americana no Iraque.
Mas o problema é mesmo Obama. Que está muito à esquerda, é muito socialista, interventivo, proteccionista, etc e tal. Concordo. Mas, no que é que nisto Obama é pior que Bush*? Como lembra Sullivan, será Obama pior que Bush no aumento das despesas federais com a saúde e a educação? Será pior na forma como Bush ‘pisou’ a independência legislativa dos Estados norte-americanos? Será assim tão perigoso castigar o partido republicano por ter esquecido a sua verdadeira razão de ser? O seu papel de defesa do governo limitado, o seu papel de defesa da liberdade individual, da redução do poder do estado? Será assim tão perigoso dizer que para interventiva já nos basta a esquerda?
*Quanto à política externa de Bush já escrevi sobre o seu sucesso. Mas como o Henrique Raposo lembra, e bem, há muito sapo para ser engolido.

8 Comments
February 13th, 2008 at 11:58
a hilária “clintoris” não é flor que se cheire.
nada se falou de politica que interesse aos europeus e há tanta preocupação. os antiamericanos deviam desejar o pior para os eua
February 13th, 2008 at 12:29
“Tuesday: 46 Iraqis Killed, 18 Wounded”
Se existisse “retirada” quem passava a procurar noticias de desgraças (e ser o profeta da desgraça) seriam os “surge”entes.
February 13th, 2008 at 13:10
Quantos disparates juntos ! Bush, um criminoso de guerra que acabará os seus dias na forca ou desfeito por uma bomba de um shahid vingador, foi derrotado em toda a linha !
No Iraque há só uma pausa dos sunitas (que não podiam continuar a lutar em 3 frentes, USA, chiitas e AlQaeda) mas a luta será retomada agora em companhia dos chiitas de Al Sadr (uma vez que a guerra civil com os chiitas terminou, uma boa notícia)quando chegar o momento de expulsar de vez os terroristas cruzados, objectivo consensual para mais de 90% dos iraquianos, que como 80% da Humanidade, ODEIAM a camonada assassina.
No Afeganistão é o descalabro e a deserção dos aliados. 6 anos depois da invasão, a resistência (muito além dos talibans) está mais forte que nunca. No Paquistão o ditador fantoche Musharraf têm os dias contados…
E sobretudo, a guerra de desgaste para que Bush foi atraído drenou o moral das tropas e as finanças dos EUA, cujo reinado internacional, assente no papel internacional do dólar e na consequente faculdade de o emitir sem limites, está nas horas finais… Os EUA estão à beira de uma recessão catastrófica e falidos ! A gota final foram os triliões para as “wars for oil” (and for iSSrael) !
Onde estão as vitórias do macaco Bush ? Quem as vir deve precisar de comprimidos para alucinações… A neoconeiragem foi derrotada em toda a linha e escusa de se tentar colar a Obama, o Anti-Bush, porque a politica externa do futuro Presidente vai ser radicalmente diferente. Obama vai ser o De Gaulle americano. De Gaulle também pôs fim à guerra da Argélia de forma radical perante o desespero dos neoconeiros da altura (os da Argélia Francesa…), embora durante as eleições as suas afirmações sobre a questão fossem ambíguas…
Make no mistake ! Bush is dead ! YES,WE CAN defeat the neocons !
February 13th, 2008 at 14:47
“Gosto de classe.”
Não encontro sombra de classe no manejo da vitimização como arma política. As absurdas acusações de racismo levantadas a despropósito pela campanha de Obama são um inequívoco exemplo da sordidez politiqueira levada ao extremo ou, para quem aprecie, uma portentosa manobra maquiavélica.
“De quem não tem medo de falar às pessoas, não as receia, porque ao não as recear não teme ter que as enfrentar”
Pura ficção. Como o McCain afirmou ontem: “They will promise to break with the failed politics of the past, __ but will campaign in ways that seek to minimize their exposure to questions from the press and challenges from voters __ who ask more from their candidates than an empty promise of ‘trust me, I know better”.
O Obama é, de longe, o candidato que mais se reserva do acesso ao público e à imprensa. Limita-se a discursar em comícios e, desde a gaffe do Paquistão, não responde a jornalistas de improviso. Foi o candidato que recusou um maior número de debates - até a Clinton aceitou ir debater à FOX, ao contrário dele. É francamente curioso e intrigante como o Obama é, com frequência inusitada, o exacto oposto daquilo que os seus apoiantes e apologistas pensam.
“Além do mais Obama tem a vantagem de permitir à América o ultrapassar de vez as polémicas que marcaram a geração de 60″
Lamentavelmente, estou, uma vez mais, em desacordo. Creio que se cai aqui numa falácia lógica bastante grave. Quando as feições faciais e a cor da pele são entendidas como um atributo político, está-se a cair nos piores vícios daquilo a que se pretende colocar um ponto final simbólico. Ao relevar-se como uma qualidade ou virtude política o que representa o rosto e a pigmentação de um candidato, o simbolismo, real ou imaginário, que carrega, patrocina-se o racismo - ingénuo, feito de boas intenções, produto da dificuldade que cada indivíduo, perante a confusão que abunda na arena pública, enfrenta para se justificar racionalmente perante si próprio, mas, malgré tout, racismo. Sugerir que os indivíduos devem escolher os seus líderes políticos atendendo aquilo que os seus inimigos interpretarão a partir da cor da pele deles parece-me um absurdo, e um absurdo perigoso. E a partir de uma premissa fundamentalmente errada não se deduz uma conclusão justa. A conclusão poderia estar correcta se a mestiçagem de Obama representasse apenas um facto biológico - como o de McCain ser caucasiano-, ou evocasse dados biográficos relevantes; contudo, não é isso que sucede, como o próprio André reconhece e, mais importante, uma leitura atenta e não engajada da realidade ostenta: fosse Obama um senador com um ano de mandato, sem qualquer experiência política ou profissional relevante e com os posicionamentos políticos que tem, mas branco, nunca teria tido condições para se lançar nesta corrida presidencial.
(O resto do post é mais interessante, substancial e levanta questões pertinentes; infelizmente estou para já sem tempo e responderei mais logo)
February 13th, 2008 at 20:37
Se isto fosse uma eleição para o tipo mais popular da escola, o Obama estava bem.
Diz umas larachas inspiradoras, tem boa apresentação e postura e por aí se fica.
Não tem experiência política significativa e as suas posições sobre todos os assuntos são suficientemente vagas para não se comprometer com o que quer que seja.
É um bom catavento das emoções populares e perito em soprar a vela do lado do vento, para parecer que é ele que empurra,
Mas trata-se de eleger alguém para o 2º cargo mais poderoso da Galáxia, logo a seguir a Deus.
E entre os candidatos ao cargo, se eu tivesse de analisar currículos, como por exemplo se faz para unas cargozitos de gestão de uma empresa qualquer, parece que o Obama não tinha muito para mostrar, além da converseta.
Mas, é claro, para um cargo destes, qualquer gajo serve, pelos vistos. Vai-se lá por feeling…
February 13th, 2008 at 20:50
JC, neoconeiro de plantão no Atlântico não esconde o seu desencanto. Vai ganhar (melhor: arrasar) o candidato anti-Bush por excelência. A cruzada iraquiana vai ver a colecta cortada. E os EUA, hoje odiados em todo o mundo, vão recuperar a sua imagem. É demais para o pobre José Carmo. Teme-se um infarte ou um acto de desespero…Dêem-lhe um calmante…
Até o/a Barack Obama !
February 13th, 2008 at 23:27
[…] Castigar o GOP (ou melhor McCain) pela ausência de um true fiscal conservatism no seio da Administr… é uma ideia interessante, honestly. Porém, o problema é um pouco mais complexo, já que a expansão de inúmeros programas federais foram aprovados por um congresso republicano, sem qualquer veto presidencial (que só começou a ser utilizado quando os democratas chegaram ao poder em Capitol Hill). Se é verdade que existem muitos congressistas e senadores republicanos que se deixaram levar pelo despesismo, McCain sempre exigiu o veto presidencial na maioria desses projectos. […]
February 14th, 2008 at 15:13
[…] Um estilo de esperança (2). Por André Abrantes Amaral. Mas o problema é mesmo Obama. Que está muito à esquerda, é muito socialista, interventivo, proteccionista, etc e tal. Concordo. Mas, no que é que nisto Obama é pior que Bush*? Como lembra Sullivan, será Obama pior que Bush no aumento das despesas federais com a saúde e a educação? Será pior na forma como Bush ‘pisou’ a independência legislativa dos Estados norte-americanos? Será assim tão perigoso castigar o partido republicano por ter esquecido a sua verdadeira razão de ser? O seu papel de defesa do governo limitado, o seu papel de defesa da liberdade individual, da redução do poder do estado? Será assim tão perigoso dizer que para interventiva já nos basta a esquerda? […]
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