Thursday, February 14th, 2008...17:57
Assim não

Amanhã e depois a CGTP realiza o seu 11º Congresso. Para não variar as grandes questões que envolvem este acontecimento têm sobretudo a ver com as guerras intestinas da central sindical. De um lado está o PCP a tentar segurar por todos os meios uma das suas poucas “armas” de intervenção na comunidade; do outro, as restantes tendências, das quais se destacam o sector dos católicos e do Bloco de Esquerda.
Numa altura em que, mais que nunca, são necessários sindicatos fortes e verdadeiramente representativos daqueles que vendem a força do seu trabalho a outrém, estes permanecem, em Portugal, como uma das mais reaccionárias forças sociais.
A verdade é que os sindicatos têm prestado um mau serviço aos trabalhadores, envolvendo-os em batalhas que não são as deles, recusando-se sistematicamente a colaborar na busca de soluções que tragam mais riqueza e subsequentemente mais trabalho (nomeadamente em sede de concertação social), cristalizando-se e ignorando as novas questões laborais, tomando a defesa da manutenção do sector empresarial do Estado – que não cria riqueza e subsequentemente não gera novos postos de trabalho –, não apresentando propostas para as questões da formação e desenvolvimento pessoal dos trabalhadores, única forma de combater a precariedade laboral, e desprezando questões tão básicas como sejam os critérios de avaliação dos trabalhadores.
A CGTP é o maior exemplo desta realidade. Mantém a lógica da conflitualidade social, ou melhor, de “classe” esquecendo-se que há muito esta lógica provou a sua ineficácia. Onde se procura concertação e busca de soluções encontra-se inflexibilidade e discursos marxistas do séc. XIX…

6 Comments
February 14th, 2008 at 18:40
“A CGTP é o maior exemplo desta realidade. Mantém a lógica da conflitualidade social, ou melhor, de “classe” esquecendo-se que há muito esta lógica provou a sua ineficácia”.
Não há portanto interesses diferentes entre patrões e trabalhadores. É por isso que o patronato quer poder despedir até por razões ideológicas.
O que seria dos trabalhadores sem a CGTP. Teriamos somente a central anti-conflitos, a UGT, um exemplo moderno de sindicalismo.
February 14th, 2008 at 19:11
-Uma das razões porque existem cada vez menos sindicalizados é precisamente as centrais funcionarem com lógicas partidárias. Para tal já temos os partidos políticos. Bem podem continuar como a avestruz, gritando que os jovens não se sindicalizam pela precaridade, eu conheço muitos jovens com quem tenho trabalhado, sem problemas de precaridade, mas que não se sindicalizam porque não estão para isso. Tal como também não votam. Façam um estudo sério e talvez tenham uma surpresa.
February 14th, 2008 at 19:20
A lógica da CGTP faz parte do jogo. E a sua actuação mesmo desactualizada funciona (como diz mais atrás).
O problema é o peso do Estado nesta história e a falta de independência da maioria dos patrões.
Ao que normalmente se chama de “falta de empreendedorismo”.
February 15th, 2008 at 9:27
Dizer que as empresas públicas não produzem riqueza é um erro crasso. São tão susceptíveis de produzir como as outras.
Fora isso, p.ex. a PT e a EDP são empresas públicas. E por si muove…
February 15th, 2008 at 11:34
A PT e a EDP são empresas públicas? Não me diga que foram renacionalizadas e não me disseram nada.
February 16th, 2008 at 15:36
[…] Assim não, de Pedro Marques Lopes, sobre o congresso da CGTP. […]
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