Tuesday, February 19th, 2008...13:34
Não culpem os jornalistas, sff
Não alinho nas críticas que já li - e não só em caixas de comentários - ao trabalho dos dois entrevistadores de ontem na SIC. Ricardo Costa conseguiu mesmo irritar em directo o primeiro-ministro José Sócrates, o que já é uma façanha. Sócrates queria levar ontem para a televisão a cara delicodoce de quem está a fazer todos os esforços para desenvolver o país para bem de todos os portugueses - e quase o conseguiu, não fosse a irritação súbita com as perguntas de Costa. Mas, de uma vez por todas, é preciso que se entenda que não cabe aos jornalistas desempenhar o papel da oposição. Se Sócrates governa e desgoverna o país a seu belo prazer, isso não é culpa dos jornais ou dos jornalistas, mas do estado miserável em que se encontra o PSD - convenhamos que o CDS nunca foi uma alternativa de Governo - entregue a uma direcção sem rumo que num dia diz que vai desmantelar o Estado em 16 meses e na semana seguinte acrescenta que não vai fechar nenhum serviço público se for eleita. Não culpem os jornalistas, sff.

12 Comments
February 19th, 2008 at 13:49
Nem mais. Eu acrescentaria também que não é apenas o PSD que está muito mal: o CDS/PP levará anos a recuperar a imagem de partido sério e do arco governativo, depois de tantas situações pouco claras em que “Portas e sus Muchachos” envolveram o partido (mesmo presumindo a inocência até prova em contrário, o CDS/PP acaba por não sair bem na fotografia dos anos em que foi governo). A opção neste momento para os desiludidos que como eu hesitam em votar novamente PS, será… votar em branco, talvez.
February 19th, 2008 at 13:49
Ó sô pinto, qual é o papel dos entrevistadores naquele contexto?! Não acha que é de serem “impertinentes” em questões fulcrais? Ou acha que é acirrar o Ministro com tiradas sobre o cabelo e o passado dele? Isso sim, é um argumento de “oposição” porque visa denegrir a imagem com bases ou infundadas ou bases rídiculas que servem para trocas de poderes.
Se tivessem minimamente apertado com ele (o ministro), em questões mais fundamentais e se tivessem cumprido o seu papel e fizessem uma entrevista com pés e cabeça, não teriam deixado que o Ministro falasse, falasse, falasse, falasse sobre feitos gloriosos que não interessam a ninguém ou fizesse comparações sobre o “outro” Governo etc e tal.
O ponto é esse e não só, aquele laçarote é demasiado feio para aparecer na TV.
Tem razão quando diz que o exasperaram, imenso… ui.
February 19th, 2008 at 13:56
Caro vicissitude(s),
Mas não é para fazer as perguntas incómodas e apresentar soluções alternativas que serve a oposição e o parlamento?
February 19th, 2008 at 14:27
Perguntas “impertinentes” não é o mesmo que “incómodo”. No sentido de esclarecer o público e servir de condutor a algo.
Discordo quando diz que os jornalistas não têm o papel da oposição, podem ou não ter é uma escolha, agora a pergunta que se impõe é se é necessário ou não. Numa sociedade que precisamente carece de “oposição” não acha que o jornalismo deva colmatar “alguma” (e não substituir) oposição? Não acha que o “jornalismo” tenho um papel na sociedade? Outra coisa, não me diga que aquilo foi “informação”, porque não foi. Foi discurso de Assembleia treinado.
Não é uma questão de achar ou não achar é uma questão de o jornalismo Português se mobilizar e “actuar”.
February 19th, 2008 at 15:49
“Ricardo Costa conseguiu mesmo irritar em directo o primeiro-ministro José Sócrates, o que já é uma façanha.”
Caro PPM , acho que não é nenhuma façhanha nem proeza…é o estado natural do homem..
February 19th, 2008 at 16:09
Excelente post PPM.
Se a oposição fizesse o TPC aos jornalistas seria mais fácil o trabalho de confronto fundamentado.
Assim, ouvimos uma série de vezes o PM dizer que “no meu ponto de vista”, porque não lhe chegou aos ouvidos (nem aos de ninguém) outros pontos de vista.
February 19th, 2008 at 16:36
Mas não acha que o facto de Ricardo Costa ser irmão de quem é seja suficiente para levantar algumas suspeitas de condescendência?
February 19th, 2008 at 16:59
Mais uma vez se comprovou a imaturidade da nossa democracia. Só em democracias com bastante maturidade como a dos Estados Unidos e do Reino Unido, os políticos podem sentir necessidade de ser confrontados com entrevistadores inteligentes e insubmissos que os confrontam frontalmente com perguntas de facto incómodas e depois não se conformam com respostas evasivas, não têm medo de expor o entrevistado ao ridículo.
É obviamente inconcebível que por cá o nosso primeiro-ministro, se permitisse a ser entrevistado por alguém com o Jon Stewart ou como o Jeremy Paxman da BBC, é que haveria tanto por onde pegar, seria tão fácil expor as contradições. No dia em que isso acontecer vou-me sentir satisfeito com a nossa democracia. É que figuras com percursos académicos e profissionais medíocres, ética profissional duvidosa e seriedade intelectual digna de um feirante, são filtrados na sua ascensão política pela possibilidade deste tipo de confrontos.
February 19th, 2008 at 17:09
De maneira alguma concordo com este post. Dando de barato, que por vezes há um défice de oposição, mais sentido haveria para que os dois entrevistadores, estes ou outros, fossem uma espécie de procuradores da opinião pública, aquela que está farta de apertar o cinto, aquela que votou neste senhor pelas mentirosas promessas que realizou, mas sobretudo aquela que olha para o futuro e nada vê.
Nicolau Santos foi de uma confrangedora passividade, nem soube reagir a alguma indelicadeza do senhor Sócrates Pinto de Sousa. Ficaram tantas pontas soltas naquela entrevista,que para profissionais experimentados é pouco admissível.
Apenas nota mais, para a pergunta de Ricardo Costa sobre os projectos Sócrates. Com isso, quer me parecer que houve uma validação da relevância política sobre esta temática feita de forma similar por Santana Lopes na Assembleia da Républica.
February 19th, 2008 at 19:22
Os jornalistas poderiam ter desmascarado as políticas desastrosas de Sócrates, não quizeram.
Uma vassalagem confrangedora de RC e de NS.
February 19th, 2008 at 19:29
errata: quiseram.
February 20th, 2008 at 9:34
errata 2: Quisserão.
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