Tuesday, February 26th, 2008...11:31

O planeamento centralizado leva sempre à burocracia

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O CDS, por via de José Paulo Carvalho, critica o novo sistema de avaliação dos professores, prometendo apresentar no parlamento uma forma alternativa que garanta menos burocracia, que as notas dadas pelos professores aos alunos não afectem a sua avaliação e as novas regras sejam conhecidas antecipadamente por todos.

É um esforço impressionante da parte do CDS. Impressionante e impossível. O que os centristas pretendem é aperfeiçoar um sistema já de si a rebentar pelas costuras. Ao que parece, o CDS concorda com a avaliação centralizada dos professores; uma avaliação feita na 5 de Outubro, em Lisboa, independentemente do local onde o professor ensina. E claro está, sem nenhum conhecimento do que faz, do que é, o que pretende, quais os projectos, as ideias, motivações dos professores. De qualquer professor. O CDS procura aperfeiçoar um sistema de avaliação que não conhece quem avalia.

O CDS enferma num problema grave: Acreditar que basta desburocratizar para melhorar. Sucede que, sem burocracia, o sistema centralizado nunca é possível. Sem burocracia, um sistema centralizado não aguenta as distorções, corrupções e desvios que lhe são inerentes. Não resiste a fraudes.

Assim sendo, se o CDS entende que o sistema de avaliação dos professores é demasiado burocrático, apenas lhe cabe uma solução: Defender a sua descentralização. Que os professores sejam avaliados por quem lhes está próximo. Claro que isto leva ao compadrio. Mas leva ao compadrio porque todos estão a ser avaliados pelos mesmos parâmetros e para o mesmo patrão. Desta forma, o passo seguinte do CDS deveria ser a defesa da independência das escolas. A privatização das escolas ou, caso tal seja demais para a democracia-cristã, a municipalização das escolas. Na primeira hipótese, o CDS poderia defender a instituição o cheque-ensino para subsidiar quem não tem dinheiro para pagar uma escola privada. Seguindo a segunda alternativa, poderia pugnar pela instituição dos impostos municipais, lançados e liquidados pelas autarquias.

Querem clareza na avaliação dos professores? Comecem pelo princípio.

7 Comments

  • Caro André

    Talvez seja mais importante primeiro defender a liberalização do ensino e só depois a sua privatização.

    “para subsidiar quem não tem dinheiro para pagar uma escola privada”

    Noto aqui uma pontinha de Socialismo, sem ofensa.

    Bem-haja!

  • “caso tal seja demais para a democracia-cristã, a municipalização das escolas.”

    A Câmaras são as instituições mais corruptas do País (acordos com construtoras, alterações constantes do PDM, funcionários amigos..), ia ser bonito os autarcas contratarem e avaliarem os docentes.

  • Caro Augusto,

    Não me ofende nada. Não sou grande adepto dos vouchers, mas são melhor que nada.

  • Pedro Marques Lopes
    February 26th, 2008 at 12:48

    O problema, André, é que a reforma da Ministra não é nada má, face ao estado de coisas, claro está.

  • Caro Pedro,

    A reforma da ministra da educação pode não ser má. Mas é insuficiente. Ou, pelo menos, deveria sê-lo para o partido que se diz estar mais à direita no Parlamento.

  • Pedro Marques Lopes
    February 26th, 2008 at 16:23

    completamente de acordo

  • A “solucao” proposta pelo Andre seria um desastre. Colocar as escolas nos municipios seria po-las na corrupcao e compadrio mais completos. Ainda por cima com um sistema de vouchers, seria colocar o Estado - todos nos - a pagar a corrupcao e o amiguismo dos autarcas. Seria contratar para professores os amigos do presidente da Camara local, com todos nos a pagarmos.

    Nao se pode ter o Estado a pagar a fatura mas, ao mesmo tempo, o Estado nao controlar nada sobre como o dinheiro e gasto. Se o Estado paga as escolas, entao tem tambem que controlar como e que elas funcionam. Se o Estado paga os professores, entao tem o direito de ser ele a escolhe-los. Ou nao?

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