Thursday, February 28th, 2008...11:35
Uma faceta humana: A oportunidade da direita
O artigo de Vital Moreira no jornal Público de 26 de Fevereiro intitulado ‘Modernização de esquerda’, chama a atenção para um perigo que a esquerda corre: Perder a sua face humana e ganhar uma faceta técnica. Uma esquerda preocupada com números; a contar escolas; a fechar umas e a manter outras; a distribuir professores, médicos e enfermeiros. A controlar os gastos desnecessários na função pública; a determinar onde se fuma e se deixa de fumar. O que se come. Onde se come. Em que condições se come. Se os restaurantes podem ou não cobrar pelas entradas que servem no inícios das refeições. Coisas comezinhas, sem nexo. Com pouquíssimo futuro. Insignificantes. Algo frouxo. Nada revolucionário.
A esquerda está a cair no erro de Cavaco: tornou-se tecnocrática e é dirigida por tecnocratas. Está a perder o fôlego.
Por esta razão, estamos no momento certo para os partidos de direita apresentarem um discurso novo. Não precisa que seja 100% liberal. Basta que seja mais liberal. Um discurso que aposte nas pessoas, na sua liberdade. Liberdade de ensino, traduzido na livre escolha das escolas e dos programas escolares; Liberdade no acesso à saúde, traduzido na possibilidade de subscrição de seguros de saúde e correspondente redução dos impostos; Liberdade no planeamento da reforma, com redução das subscrições pagas à segurança social.
Um discurso novo que fale numa descentralização do Estado que não passe pela regionalização, antes aproveite o que já existe a nível dos municípios. Que defenda a transferência para as autarquias de poderes de gestão de escolas públicas, de manutenção das estradas, da segurança e ordem pública. A defesa de um novo financiamento das autarquias, através da cobrança de impostos municipais pelas autarquias, como única forma de responsabilizar politicamente o poder autárquico.
Um discurso para alterar o sistema político. Que defenda a mudança do modo de eleição dos deputados, criando-se círculos uninominais, como meio de sabermos em quem votamos. Como forma de sabermos quem cumpre o mandato até ao fim. Quem cumpre a legislatura. Quem merece ser reeleito. Quem honra o Parlamento. Quem respeita a democracia.
Um discurso que não esqueça a necessária liberalização da lei laboral e da lei do arrendamento, como forma mais eficaz de promoção do crescimento económico que diversos investimentos públicos e injecções de capital na economia. Que desregulamente a actividade económica. Confie nos indivíduos. Nos cidadãos deste país. Não tenha receio das decisões livres de cidadãos livres. Um discurso de confiança. Um discurso de faceta humana.

5 Comments
February 28th, 2008 at 11:59
O “erro de Cavaco”????
Duas maoirias absolutas, eleição presidencial ganha à primeira volta e mais que provavel reeleição, figura politica viva mais respeitada…
Se isto é errar o que será acertar ? Guterres com a banalidade de as pessoas não são números?
Caro André, não vá por aí
February 28th, 2008 at 12:03
Bom post.
February 28th, 2008 at 12:25
A ideia parece simples. Mas em Portugal a direita parece mais preocupada por a esquerda (PS) lhe estar a “roubar” o tradicional espaço de acção. Não existe faceta humana a não ser num tom muito geral e demagógico, e as pessoas sabem que o primeiro impulso de um governo de direita é fazer “apertar ainda mais o cinto” em situação de crise económica.
Don Quixote, Cavaco ganhou à primeira 10 anos depois da primeira tentativa. Ganhou contra uma esquerda dividida. E todos (os que quiserem) vêem que a riqueza “gerada” com o seu governo se esfumou, sem gerar qualquer benefício estrutural para o país. A diferença para Sócrates é que este já nem a ilusão de desafogo consegue criar.
February 28th, 2008 at 12:33
Se a gestão da educação deveria passar para os munícipios, porque não fazer o mesmo com a saúde? Gestão hospitar nas mãos dos munícipios.
Qual a diferença entre educação e saúde?
February 28th, 2008 at 13:00
Apoiado!!!
De uma ponta à outra.
Mas existe uma direita que possa ser liberal em Portugal?
Liberal, socialmente, por exemplo (aborto, drogas, religião)?
Pois é, não há!
A que poderia existir está ocupada com outras coisas.
Anda a brincar aos cowboys e aos índios.
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