Thursday, February 28th, 2008...11:31

William F. Buckley, Jr., R.I.P.

Jump to Comments

http://img.timeinc.net/time/magazine/archive/covers/1967/1101671103_400.jpg

Editorial da NRO:

When Buckley started National Review — in 1955, at the age of 29 — it was not at all obvious that anti-Communists, traditionalists, constitutionalists, and enthusiasts for free markets would all be able to take shelter under the same tent. Nor was it obvious that all of these groups, even gathered together, would be able to prevail over what seemed at the time to be an inexorable collectivist tide. When Buckley wrote that the magazine would “stand athwart history yelling, ‘Stop!’” his point was to challenge the idea that history pointed left. Mounting that challenge was the first step toward changing history’s direction. Which would come in due course.

4 Comments

  • “…that anti-Communists, traditionalists, constitutionalists, and enthusiasts for free markets would all be able to take shelter under the same tent.”

    Not really. Buckley era um escritor talentoso e uma personalidade interessante. Mas foi ele pque expurgou a direita tradicional americana (o que sobrava da Old Right mais os seus herdeiros “paleos”), famoso como Joseph Sobran (hoje, um paleo-conservative-libertarian) teve que sair como editor , assim como os adeptos de Ayn Rand, etc, e depois recebeu de braços abertos o neo-conservadorismo que vinha do partido democrático (e ex-trotskistas, etc).

    Rothbard chamou-lhe:

    The Betrayal of the American Right
    http://www.mises.org/story/2713

    Mas uma personalidade interessante, sem dúvida. Para quem não souber, foi agente da CIA e a NR foi apoiada por esta. Não se pode dizer que fosse neo-con, mas foi o grande godfather destes.

    Ver como os neo-cons o trataram já perto do fim:

    http://www.independent.co.uk/news/world/americas/ship-of-fools-johann-hari-sets-sail-with-americas-swashbuckling-neocons-457074.html

    «”Aren’t you embarrassed by the absence of these weapons?” Buckley snaps at Podhoretz. He has just explained that he supported the war reluctantly, because Dick Cheney convinced him Saddam Hussein had WMD primed to be fired. “No,” Podhoretz replies. “As I say, they were shipped to Syria. During Gulf War I, the entire Iraqi air force was hidden in the deserts in Iran.” He says he is “heartbroken” by this “rise of defeatism on the right.” He adds, apropos of nothing, “There was nobody better than Don Rumsfeld. This defeatist talk only contributes to the impression we are losing, when I think we’re winning.” The audience cheers Podhoretz. The nuanced doubts of Bill Buckley leave them confused. Doesn’t he sound like the liberal media? Later, over dinner, a tablemate from Denver calls Buckley “a coward”. His wife nods and says, “Buckley’s an old man,” tapping her head with her finger to suggest dementia.»

  • Buckley expurgou o conservadorismo norte-americano de paranóicos, cultistas e anti-semitas. Com isso, ofereceu-lhe um partido - leia-se o Getting it Right. Et por cause, Reagan. Não foi coisa pouca, mas no caudal é corrente de escassa importância.

    A magnum opus de Buckley foi outra. É certo que destruiu, a golpes de razão e graça, o monolitismo político da inteligentzia americana do pós-guerra. E fê-lo celebrando o intelectualismo enquanto denunciava, simultaneamente, os racionalismos estéreis, a imundície verbal e o lixo mental produzidos pela academia engajada e a perigosa
    vulgaridade do populismo. Conferiu respeitabilidade e visibilidade, intelectual e
    política, ao conservadorismo. Contudo, o mais importante: para gerações de americanos - que hoje se espraiam por todas as doutrinas políticas e modos de vida, mesmo aqueles não lhe eram simpáticos - a NR e o Firing Line representaram a possibilidade do enamoramento pelas ideias. A afeição e o apetite por elas, a paixão pela sua discussão, a perplexa consciência do seu poder e, nos casos mais felizes, o entendimento de que têm consequências.

    Com muitos deles (que no princípio eram poucos), fundou um movimento político que alterou decisivamente a paisagem política americana - e, a prazo, por arrasto e de forma ainda mais radical, a do mundo. Mas a todos proporcionou o vislumbrar do luminoso prazer da acção e da discussão na arena pública e - fundamental - um manual de instrução irrepreensível: como a graciosidade, o humor, a civilidade e a honestidade patrocinam e definem o verdadeiro espírito debatente. Como a valentia, a sinceridade e a coragem na defesa das ideias são reforçadas pelas boas-maneiras, elegância e genuíno respeito pelo oponente. E que sem isso a grande conversação é uma maçada e uma patetice. Para lá de ter reforçado, a muita gente, a segurança das suas convicções, são os exemplos de não-conformismo - intelectual e político - e de civilidade os melhores testemunhos de Buckley.

    Buckley não foi, para mim, uma influência primordial ou prioritária. Nada como autor, pouco como editor/facilitador - nem por sombras na mesma medida do MEC da adolescência, das estantes franco-ibéricas lá de casa ou uma biblioteca universitária. Mas alguma cosia: em Verão liceal, aterrei numa cave atulhada de NRs dos anos 60,70 e 80 (e de Reader’s Digests americanas do mesmo tempo, com as quais - e com característica argúcia - me entretive o primeiro mês). Desse tempo guardo mais o gosto do que referências. Recordo-me de uma edição tenebrosa sobre o regime castrista, da altura da Baía dos Porcos, que me inflamou - e me transformou num
    perpétuo e verberoso anti-comunista. De uma que me sossegou, dedicada aos neocatólicos, com textos de Chesterton, Peguy, etc., e uma recensão da Humanae Vitae . COnheci autores que hoje leio com veneração: Kirk, de que não gostava; D. Keith Mano, de que sempre gostei. Nas revistas mais recentes, do Victor Davis Hanson, que dissecava em três páginas uma única frase de Tucídides enunciada em epígrafe (viria a perceber que os artigos que eram sobre a guerra fria), nas mais antigas a hilariante Florence King ou o Charles Murray que demonstrava, com números e estatísticas, o falhanço das políticas públicas socialistas - novidade para mim. E, lateralmente, contactei nomes e propostas que viria a abraçar e a descartar com juvenis ardor e rapidez: Rand, primeiro; Francis e Ludovici, depois. Do Buckley, quelle tristesse, pouco ou nada recordo. Mais tarde viria a assinar a NR, a ler alguns dos seus livros, a ver o Firing Line e a ler uma quase-biografia. Gostei sempre mais de o ver e ouvir - os maneirismos eram magnéticos e encantadores -, do que de ler - o estilo barroco, quase gongórico,deixava-me frequentemente confuso. E, naturalmente, foi sempre mais reconfortante que epifânico.

    Nestes tempos de fechamento e declínio intelectual, de narcisismo, egofania e desencantamento, em que tanta discussão pública se faz de gritaria, incivilidade e pomposidade balofa - à direita e à esquerda, de um lado e doutro do Atlântico -, recordar Buckley é um bálsamo e uma lição. Deus Nosso Senhor o guarde.

  • HO

    “Buckley expurgou o conservadorismo norte-americano de paranóicos, cultistas e anti-semitas. ”

    Esta nem parece uma consideração sua. Muito demagógica e fácil. Buckley transformou o anti-comunismo num fim em si mesmo, para isso, qualquer coisa que fizesse um acto de intenção anti-URSS seria aceite como “conservador (daí o ex-trotskistas, pró-choice, a centralização do poder, o militarismo ideológico…nada disso passou a incomodar…).

    Por outro, todos os conservadores (como Kirk, Sobran, Nisbet) cépticos de grandes missões para a américa, da “democratic globalism”, que analisaram convenientemente a estupidez da “WWI”, os erros da condução da WWII (tudo guerras e erros de progressistas), e toda a “old right” remetida para quase o esquecimento para virem tipos como o Victor Davis Hanson ou o neo-conservadorismo mais marcado (onde é bem visivel o utopismo de raiz jacobina e trotskista) deturparem a história para justificarem a sua ideologia.

    Os “paranóicos” dizem que a WWI destruiu o ocidente e que ajudar um mass murder como Estaline nos anos 30 que invadiu a Polónia para este vir ia a ganhar em toda a linha a WWII não fazia muito sentido. Também foi tempo em que o conservadorismo não aceitava de todo Roosevelt e criticava Truman.

    Faz-me lembrar que o pró-americanismo do pós-WWII é o anti-americanismo duma certa “old america”. Por ironia , esse pró-americanos no fundo só gostam da américa na medida em que esta é mais “europeia” e a sua mente tortuosa, sempre metida em conflitos “geo-estratégicos”, em lutas ideológicas, da disputa pelo engrandecimento do poder central.

    Talvez você perceba o que eu quero dizer, embora suspeito que todos os outros nem o vislumbram.

    “paranóicos, cultistas e anti-semitas” parece aplicar-se a todos os “founders” que defendiam uma politica de neutralidade por princípio e adversos aos “standing armies”, elevavam a livre posse de armas ao melhor remédio contra o … Estado.

    A sabedoria de hoje é o paranóico do amanhã, já o sabiamos.

  • PS: percebe-se porque Kirk (como Nisbet) está esquecido, disse o pior da Guerra do Golfo I antes de morrer. Pouco ou nada existe de conservador americano hoje em dia, foi europeizada e infectada pela ideologia a que Kirk chamou com razão, uma espécie de “Religião invertida”.

Leave a Reply

eXTReMe Tracker