Saturday, March 1st, 2008...11:51

Conselho para acamados

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Eu se estivesse de cama, mal dos brônquios, com tosse, etc., e fosse um bocadinho pretensioso, punha-me era a ler o Vicar of Wakefield, de Oliver Goldsmith. Uma amostra. O honrado vigário, entusiasmado pelo epitáfio que um amigo compusera para a mulher morta, resolveu, animado pelos melhores princípios, escrever um para a sua, apesar de ela estar viva e de boa saúde, em que lhe gabava a prudência, economia e obediência até à morte. Mandou-o copiar elegantemente, pôs-lhe um belo caixilho e colocou-o em cima do fogão de sala, onde os dois esposos o contemplavam diariamente. É só o princípio do livro. O resto, se bem me lembro, é tão bom como isto. E aguenta tosse. Sei daquilo que falo.

2 Comments

  • Prezado Paulo Tunhas

    Desculpe-me por fugir ao assunto do post, mas, como você tem escrito belos textos sobre o Brasil, espero que não me leve a mal.

    É que hoje é aniversário do Rio de Janeiro e gostaria de dividir com os portugueses as honras devidas ao grande Estácio de Sá, fundador da cidade.

    Na Folha de São Paulo de hoje o cronista Ruy Castro trata do assunto:

    ” De encantos mil
    RIO DE JANEIRO - No dia de hoje, em 1565, o capitão Estácio de Sá fundou a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro em meio à guerra contra os franceses e seus aliados, os índios tupinambás. Os aliados dos portugueses eram os temiminós, e as batalhas, tremendas, se davam nos morros.
    Ou seja, tudo na mesma. Há 443 anos, balas de arcabuzes e flechas perdidas já zuniam sobre a paisagem de encantos mil, trocadas por bandos de gente seminua que, nas tréguas, assim como hoje, se entregavam às delícias da baixa gastronomia. A diferença é que, então, no auge da antropofagia, o menu eram tripas cozidas, orelhas defumadas e miolos com farinha -humanos, claro -, e não os atuais e insuperáveis bolinhos de aipim e caldinhos de feijão com torresmo.
    As datas são fixadas pelos vencedores, daí o Rio fazer aniversário no dia 1º de março. Mas já constava dos mapas desde 1º de janeiro de 1502, quando o florentino Américo Vespúcio, a bordo de uma esquadra lusa, passou pela baía de Guanabara e, confundindo-a com a foz de um rio, chamou-a de Rio de Janeiro.
    A partir de 1504, sentindo que os portugueses estavam mais a fim das províncias ao norte, os franceses foram chegando em caráter amistoso, ocupando nossas terras e seduzindo nossos índios. Em 1555, finalmente a valer três pontos, o almirante Villegagnon fundou aqui a França Antártica e começou a compor um dicionário tupi-francês com seu amigo, o cacique Cunhambebe.
    Os portugueses levaram dez anos para acordar. Quando isso aconteceu, em 1565, Estácio arrasou a França Antártica, fundou a cidade propriamente dita e, como Siegfried, morreu de uma flecha envenenada. Séculos se passaram. Em 1927 ou 1928, no bairro que levou seu nome, os jovens Ismael, Bide, Marçal e outros deram contornos definitivos ao samba. O Rio é assim.”

  • Caro Carlos,

    Não tem nada que pedir desculpa. Desde que fui a primeira vez ao Rio - e da segunda vivi lá cinco meses - que a beleza da cidade não me sai da cabeça. (O artigo na próxima Atlântico - “Compre-a!”, diz o Paulo Pinto Mascarenhas que há em mim - traz vestígios de leituras desse tempo.) Felizmente volto para dar aulas em Agosto. É o único sítio do mundo em que não me importa que haja antropófagos. Na condição de haver também caipirinhas - que aproveito para recomendar ao maradona, a quem o post é dedicado, que fazem muito bem aos males de que ele sofre.

    Abraço,

    Paulo Tunhas

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