Monday, March 3rd, 2008...14:44
Os Dias Contados
Crónica de Alberto Gonçalves no Diário de Notícias.
Entre as promessas de desmantelar o Estado (em seis meses) e as garantias de não fechar nenhum serviço público (em quatro anos), aos poucos o dr. Menezes vai-se aproximando de uma posição equilibrada. Veja-se, por exemplo, a proposta para a RTP revelada em entrevista à SIC Notícias. Como poderia ter defendido transportes colectivos sem tarifa, ensino superior sem propinas ou concertos para trombone sem bilhete, o dr. Menezes defendeu uma RTP sem publicidade e honrou a coerência pessoal. Se concretizada, a ideia manteria a televisão do Estado e, de caminho, provocaria um rombo de 500 milhões no dito. Um rombo que, nas contas do dr. Menezes, não requer cobertura. Não é à toa que, na citada entrevista, ele próprio citou (erradamente) John Wayne e esclareceu: está toda a gente contra mim excepto o povo.
O povo, parta-se então desse princípio, está com o líder do PSD. Os outros, de facto, não estão. Incluindo um certo PSD, que surgiu pela voz de Morais Sarmento a classificar a afirmação do dr. Menezes de “avulsa”, “desencaixada” e “irreflectida”. Já o ministro Santos Silva e uns senhores do BE foram mais específicos e acusaram o dr. Menezes de, em simultâneo, favorecer as estações privadas e prejudicar os contribuintes.
As críticas do dr. Sarmento têm contexto e propósitos peculiares (a luta interna no partido). As da esquerda têm o génio de conciliar o asco à concorrência e a defesa do consumidor. Mas o essencial é que a genérica preocupação com as despesas do vulgar cidadão não leva ninguém a propor a privatização da RTP. Acima de todas as discórdias, paira, inquestionável, o “serviço público” televisivo, ou seja, a “qualidade”, ou seja, o sr. Malato, a boçalidade arrogante da “dois”, uma imensidão de bizarros canais secundários e a “informação equilibrada” de que o Prós e Contras é paradigma. Além, claro, da única publicidade que nem o dr. Menezes, caso mandasse, se atreveria a extinguir: a que a RTP presta, gratuitamente, aos poderes que a tutelam. E, conforme os contribuintes sabem, gratuitamente é maneira de dizer.

3 Comments
March 3rd, 2008 at 19:48
Eia! Isto é “a La Gardère”, mal que lhe pergunte? Ou há um acordozinho de copyright com o DN e/ou com o autor? Ou poderei eu também ,por exemplo, pespegar os textos de “nosso” AG em meu blogzito e, assim, capitalizar, uns quantos milhares de pageviews, à conta dos ditos e do dito?
Perguntar não ofende, como se costuma dizer,se bem que as perguntas sejam várias…
March 3rd, 2008 at 20:14
Não custa tentar. Pode ser que funcione.
March 4th, 2008 at 0:12
Mais um a salivar de ódio contra o Menezes.Este deve ser primo ou tio do Aguiar Tinto ou do “anão maldito”.
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