Thursday, March 6th, 2008...16:46
A verdadeira confissão
A vontade que os políticos têm de ocupar o centro e não tomarem decisões, é igual à de alguns académicos e comentadores que escrevem de uma forma difícil e complicada. Enchem páginas e páginas com muitos adjectivos e imensos palavrões; floreiam um texto até à exaustão para convencerem os crédulos da sua competência e do seu conhecimento. Devem escrever com o dicionário sempre ao lado. Tenho como regra que, quanto mais caras as palavras, menos o autor percebe, ou mais tem a esconder, sobre o que escreve. Não tenho razões de queixa dos resultados. O país precisa de clareza, e essa clareza começa por sabermos explicar, a quem quer que seja, aquilo em que acreditamos.
Mas a clareza não basta. É preciso também não temer ter ideias próprias e tomar posição. Vem isto a propósito das críticas do Daniel Oliveira à linha editorial do Público. Para o Daniel o jornal é hoje uma desilusão. Porquê? Por que já não tem os suplementos que tinha antigamente; a fotografia de outrora; não se limita a ser um jornal diário que transmite notícias; já não é irrepreensível; já não noticia tudo, opina sobre tudo e com os pontos de vista de todos. Basicamente, o que o Daniel lamenta é que o jornal já não seja maçudo. Que o Público já não seja o Expresso.
O Daniel demonstra um problema grave que afecta toda a esquerda: A falta de ideias, de um projecto. Esta sim, uma verdadeira confissão. Tirando uma ou outra excepção (que confirma a regra), a esquerda apenas sabe que pretende manter o estado social e os direitos adquiridos daqueles que, naturalmente, os adquiriram e, independentemente de essa manutenção ser, ou não, viável. É esta lacuna da esquerda que leva o Daniel lamentar que um jornal como o Público tome posição. Que o Público não só noticie, mas também informe. Tenha uma linha editorial contrária às opiniões do Daniel, levando-o a considerar o jornal como medíocre, quando a mediocridade está, está sempre, em camuflar o debate.

2 Comments
March 6th, 2008 at 17:14
Caro AAA,
não estará a exagerar um bocado com essa cena da direita esquerda do DO?
O JMF é que deve ter as orelhas a arder. A direita nem por isso.
Aliás DO nem é capaz de dizer uma coisa sobre a direita.
Ou sobre a esquerda.
Ele só pensa que é de esquerda.
March 6th, 2008 at 21:41
[…] Ainda a propósito do texto de Daniel Oliveira sobre o aniversário do Público - demonstrativo de algum mau perder, convenhamos, para não dizer mau gosto -, falta saber onde é ele que foi buscar os números que indicam ser “a maioria dos leitores de esquerda”. […]
Leave a Reply