Friday, March 7th, 2008...22:15

Pensar

Jump to Comments

Rudyard Kipling dizia qualquer coisa como “o poder sem responsabilidade é a prerrogativa das prostitutas ao longo dos tempos”. Exercem poder, porque o têm, mas não têm de assumir os custos desse mesmo poder. Findo o serviço, o cliente vai à sua vida, e elas também. É isto a (não) política em Portugal: um jogo em que ninguém é responsável por nada, em que se diz (e faz) o que se quiser, porque não há consequências. Só assim se justificam as afirmações de Luís Filipe Menezes, seja nos comentários que faz sobre a publicidade na televisão pública, seja nas leituras surreais (se assim lhes posso chamar) sobre as sondagens. Só assim se justifica esta permanente tensão do “sai ministro, não sai ministro?” em vez da discussão séria sobre os temas, indo a fundo às questões. Só assim se justifica a proliferação de não-problemas nos media, repletos de soundbytes inconsequentes, e a remissão do essencial para nota de rodapé. É a irresponsabilidade quase total.

O único sítio em que o poder teria de prestar contas (o parlamento) é o primeiro a evitar esta “accountability”, por exemplo quando persistentemente nega aos tribunais a retirada da impunidade aos seus deputados quase-arguidos. Foge à responsabilidade, e sabe-se ao abrigo de um vasto chapéu-de-chuva legal que o permite. Nós cultivamos o poder sem responsabilidade, e depois queixamo-nos das consequências. Se calhar, já era altura de olhar (e pensar) as causas.

2 Comments

Leave a Reply

eXTReMe Tracker